8 de setembro de 2009

Evolução e estética

Intervenção de Miguel Dias Costa no Congresso Internacional sobre o Impacto de Darwin

Estética Evolucionista

Partindo dos espantos, irritações e considerações que Darwin tece sobre o papel que a beleza desempenha na evolução das espécies, o objectivo desta comunicação será avaliar a situação actual ao nível do encontro e da colaboração que diferentes áreas de estudo poderão representar no esclarecimento da dimensão estética e simbólica do homo sapiens. Assim, para além da paleoantropologia, disciplinas como a neuro-estética ou a arqueologia cognitiva têm desenvolvido estudos e considerações importantes sobre o papel que a arte terá desempenhado no sucesso evolutivo da nossa espécie.
Descobertas recentes, como pinturas rupestres, esculturas ou ainda instrumentos musicais, têm obrigado os especialistas de diferentes áreas a reverem também a interpretação do significado da arte pré-histórica. Entre as diversas interpretações que se têm sucedido desde o século XIX, sobressaem hoje as teses chamanista, culturalista e naturalista. Para além dos debates e polémicas que as separam, julgo que o recurso à antropologia fundamental desenvolvida por René Girard e pelos seguidores do seu pensamento poderá constituir uma importante contribuição no sentido de uma integração dos aspectos mais pertinentes de cada uma das correntes.
Assim, integrando as manifestações artísticas e simbólicas do ser humano num contexto mais abrangente e, simultaneamente, numa visão mais fundamental da cultura humana, a reconstituição do processo de hominização deve incluir os elementos religiosos, tecnológicos e sociais que estarão presentes desde as nossas origens mais remotas. Nesta visão, sobressaem a dimensão relacional do ser humano, as suas características miméticas e violentas, bem como o papel imprescindível da comunicação numa explicação do sucesso adaptativo do ser humano.