18 de outubro de 2009

Ainda vale a pena Servir?




As leituras deste Domingo falam-nos do servo: o servo e o sofrimento, o servo e a confiança, o servo e a redenção.

É na lógica do Amor que nasce o desejo de servir: aquele que se abre a esse Amor de Jesus – tal como Jesus Se abriu ao Amor do Pai e, por isso, só desejou fazer a Sua vontade – está disposto a entregar toda a sua vida pelo outro. Não se trata de um sofrimento masoquista, mas de uma entrega alegre. O Podemos de Tiago e João (no Evangelho) vem-lhes do desejo de ficar com Jesus, seu Senhor, para sempre, por terem já experimentado o Seu Amor e a Sua companhia.

Jesus sofreu a morte na cruz como consequência dessa entrega amorosa a cada um de nós. Tinha de morrer assim? Talvez não; mas Jesus não era extraordinário, desenraizado do Seu tempo e da Sua cultura, e foi aquele tipo de morte que Lhe tocou sofrer.

O dia-a-dia é feito de pequenas cruzes, pequenas mortes, que nem sempre sabemos aceitar. Que sentido têm “as dores”? Provavelmente, nenhum, temos mesmo de passar por elas. Conhecer o Jesus que sofre connosco, ser simples e pedir ajuda a quem está perto, faz-nos relativizar o menos bom da vida e passar por esses momentos felizmente, na esperança que vem do Seu Amor e da Sua companhia.

Se assim for, podemos servir cada um dos que se cruzar connosco, ajudando-o a carregar as suas cruzes e a suportar as suas mortes. Agora, aceitar as dores ganha leveza, não só porque nos sentimos acompanhados, mas também porque vemos nelas meio para servir quem precise. Só esta aceitação não resignada nos pode fazer ver a vida de modo alegre e confiado e só assim podemos ir cheios de confiança junto de Deus, como na Carta aos Hebreus.

No mundo do séc. xxi (especialmente o Ocidental), dominado pela concorrência, pela competitividade e em que o respeito pelo próximo é mais uma questão de individualismo do que de sentido de comunidade, como podemos ser estes servos? Estes homens e mulheres que alegremente desejam ser escravos de todos, entregando a sua vida?

Nas nossas casas, nos nossos empregos, com as pessoas com quem nos cruzamos diariamente, podemos viver esta entrega sendo disponíveis, acolhendo a diferença, esforçando-nos por compreender o que parece imperceptível.

Então, podemos responder: Sim, ainda vale a pena servir! Porque servir é pôr-me em relação, dar-me ao outro, conhecê-lo. Servindo de modo livre e alegre estou a salvar o mundo!

Esta semana, na agitação dos meus dias, em que dimensão da minha vida vou ser servo? A quem vou – livre e alegremente – entregar-me?


Domingo XXIX:

Is 53, 10-11;

Salmo 32 (33), 4-5.18-19.20.21 (R. 22);

Hebr 4, 14-16;

Mc 10, 35-45