16 de outubro de 2009

Mas que «Plausibilidade»? - Resposta a Ludwig Krippahl



Fiquei espantado quando li o post «Plausibilidade» de Ludwig Krippahl, no blog ‘Que Treta’. Tanto não foi, que me movi a escrever uma resposta ao mesmo.







Ludwig Krippahl diz nos que perante um relato temos estas duas hipóteses: “Ou o relato corresponde a um facto ou é um relato fictício”. Segue-se que devemos: “Considerar o mérito relativo destas hipóteses é um ponto de partida melhor que simplesmente optar por uma e ficar-se por aí.”
Contudo o que é o «mérito relativo»? Ludwig nada nos diz.
Como pode Ludwig apresentar um ponto de partida melhor, se não o explica? No que é que consiste esse seu ponto de partida?
Ora Ludwig apenas se remete a dizer: “ (…) avaliar cada hipótese para escolher a mais plausível.”
Vejamos os exemplos apresentados, o primeiro é de uma história Sumérica, sobre a condenação de uns assassinos: “ (…) relato factual é plausível (…)”; e um outro da descida aos infernos de uma Deusa Sumérica que regressou à vida volvidos três dias, observe-se que ele aqui faz uma analogia com a ressurreição de Jesus, que é o motivo pelo qual ele inicia o seu post criticando a crença na ressurreição de Jesus. Neste segundo exemplo Ludwig diz: “ (…) os acontecimentos relatados são implausíveis à partida.”

A única aparente justificação que Ludwig nos apresenta é: “É mais correcto considerar as várias alternativas, confrontá-las com as evidências que permitam avaliar a verosimilhança dos relatos (…)”
Contudo que evidencias são essas?
O Ludwig, nos seus exemplos, não expõe os critérios para as suas evidências. No primeiro exemplo somente diz que”(…)provavelmente estará próximo da realidade.”; no segundo,” (…) evidência que as pessoas gostam deste tipo de história.”
Será que estas «evidências» bastam para justificar algo?
Porque é que o relato da ressurreição de Jesus é implausível à partida? Com que critérios? Com que argumentos?
Pois bem ele não nos apresenta, é implausível só porque sim… Melhor é implausível porque “ (…) pessoas gostam deste tipo de história.”
Por isso eu digo, Ludwig é pobre na sua argumentação, não apresenta definições, nem explicações e o que diz é meramente vago.

Parece-me estar subentendido algo de «senso comum» nesta dada plausibilidade. Por isso sugiro que se observe a diferença entre plausibilidade e possibilidade.
Um relato pode ser factual não sendo plausível, e também um relato pode ser plausível e ser fictício. Vejamos o seguinte exemplo: se alguém me desse o testemunho de uma mulher ter sido mãe aos 65 anos de idade na Índia onde a esperança média de vida das mulheres ronda os 63 anos, eu diria que era um relato muito pouco plausível. Porém esse relato, «pouco plausível», constitui um facto verdadeiro. Na Índia, um país onde a esperança média de vida das mulheres ronda os 63 anos, uma mulher foi mãe aos 65 (<http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/030410_india1db.shtml>).
Agora vejamos um outro exemplo: vou na rua e encontro um amigo que me dá um relato de ontem ter se desmoronada uma casa num bairro X. Eu conheço esse bairro e sei que ele é composto por casas bastante velhas e mal tratadas. Por isso, o relato dele é plausível. Agora acontece que depois de o ter encontrado, seguindo o meu trajecto, passo por esse bairro X e vejo que nenhuma casa se encontra desmoronada. Então, um relato que se me apresentou plausível era na verdade um relato fictício.

Dei estes exemplos porque fica subentendido que para Ludwig somente o relato plausível deve ser aceite como um facto, e o relato implausível deve ser tomado como uma ficção. Mas esta atitude assenta num pressuposto: plausibilidade implica factualidade. Trata-se de um pressuposto que carece de justificação, e nem sempre se verifica.
De facto, com estes exemplos mostrei que a factualidade de um relato não depende primeiramente da sua plausibilidade, mas antes da sua possibilidade.
Termino dizendo que talvez o problema da proposta de Ludwig esteja, não só nos seus fundamentos, mas também em alguns preconceitos face à religião e aos testemunhos religiosos.

9 comentários:

Luis disse...

Boa! Os textos do Ludwig não nos metem medo. O problema é que ele não quer discutir com seriedade.

Abraço,
Luís

João "o discipulo amado" Silveira disse...

O argumento do Ludwig é que devemos desconfiar de tudo e de todos, só devemos confiar no que vemos. Nós defendemos que devemos levar a sério um testemunho de alguém que sabe do que está a falar, e que não nos quer enganar. Claro que quanto melhor conhecermos essa pessoa, mais credível será o seu testemunho, mesmo que descreva factos pouco plausíveis.

Que alguém esteja disposto a ser morto à pedrada para manter o testemunho que Cristo ressuscitou, não deve ser indiferente na avaliação do testemunho dessa pessoa.

O Ludwig tem uma noção redutora da razão, em que esta se restringe ao que pode ser provado em laboratório. Duvido muito que na sua vida aplique esta exigência, ou teria uma vida muito complicada.

Ludwig Krippahl disse...

João,

«O argumento do Ludwig é que devemos desconfiar de tudo e de todos, só devemos confiar no que vemos.»

Não sei como leu isso, e lamento muito que eu tenha dado essa ideia. Porque o que defendo é precisamente que não nos devemos guiar pelo mero preconceito, nem rejeitando nem aceitando um relato à partida antes de o confrontar com as evidências.

Estou inteiramente de acordo com os exemplos do Ricardo. À partida, é razoável concluir como ele concluiu que uma mulher de 65 anos (ou virgem) não engravida. Mas se foi com inseminação artificial e o óvulo da sobrinha, o relato fica mais plausível e devemos rever essa primeira conclusão.

É isso que defendo. À partida, a transubstanciação da hóstia, a ressurreição de Jesus, a virgindade e assunção de Maria, a infalibilidade papal e a própria existência de Deus, almas e afins é implausível.

Estou disposto a mudar de ideias se me apresentarem evidências que isto é assim, mas o que normalmente alegam é que neste caso não é preciso evidências. É isso que rejeito como absurdo.

Ludwig Krippahl disse...

Luís,

«Os textos do Ludwig não nos metem medo.»

Espero bem que não...

«O problema é que ele não quer discutir com seriedade.»

Se com seriedade quer dizer com ar sério e carrancudo, tem toda a razão.

Mas se por seriedade quer dizer interesse genuíno, está enganado. Gostava mesmo de perceber se há alguma razão para acreditar naquelas histórias todas que os católicos acreditam. E quem diz católicos diz muçulmanos, hindus, budistas, protestantes, judeus, cientólogos, mormons, etc, que eu não selecciono à partida uma destas coisas, arbitrariamente, como sendo melhor que as outras.

alfredo dinis disse...

Caro Ludwig,

Provavelmente o que dizes acerca da implausibilidade dos diversos elementos da fé católica que referes está correcto, e eu provavelmente até poderei estar de acordo contigo. Mas como duvido que tenhamos a mesma compreensão desses elementos, o facto de a compreensão que tens deles te levar a considerá-los implausíveis não significa nada para mim.

Saudações,

Alfredo Dinis,sj

Ricardo disse...

Caro Ludwig,

Os exemplos visavam apenas mostrar a diferença entre possibilidade e plausibilidade. Em como um relato pouco plausível pode ser factual e um relato plausível ser fictício.
No meu primeiro exemplo, eu não conclui que uma mulher não engravida aos 65 anos, apenas disse que seria um relato pouco plausível. Atenção!

O Ludwig diz: “É isso que defendo. À partida, a transubstanciação da hóstia(…) é implausível.”
Porque é que é implausível ?
Quais são os seus critérios de avaliação, da implausibilidade ?

Saudações,

Ricardo

João "o discipulo amado" Silveira disse...

"À partida, é razoável concluir como ele concluiu que uma mulher de 65 anos (ou virgem) não engravida."

Ludwig, a diferença é que eu não acho que seja razoável concluir que ela não engravidou, se alguém da minha confiança me garante que isso aconteceu.

Como eu já disse, se tenho um testemunho de alguém que sabe do que está a falar, e não me quer enganar, o razoável é acreditar nessa pessoa. Ainda mais quando a vida dessa pessoa confirma isso que ela me diz.

Para o Ludwig, há coisas que a priori são mentira, e então nenhum testemunho lhe pode convencer do contrário. Como é que diz que não tem preconceitos?

Como é que quer que alguém lhe prove "cientificamente" que Cristo ressuscitou, tem alguma máquina do tempo? Foi como eu disse, o Ludwig desconfia de tudo e de todos, a não ser que lhe consigam provar (no laboratório) que dizem a verdade. Isso não é humano, sequer. É pena...

Miguel Oliveira Panão disse...

O Ludwig confunde frequentemente "ausência de evidência" com "evidência de ausência".

Contudo, o carácter evidencial que pretende parece-me ser materialista. É uma opção filosófica, mas creio que se assim for o "mudar de ideias" não irá acontecer porque a sua visão do mundo se limita apenas ao facto material. É uma pena ...

freefun0616 disse...

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