3 de outubro de 2009

S. Francisco de Borja


Francisco nasceu em Gandia (Reino de Valência) no ano de 1510, filho primogénito do duque João de Borja. Primorosamente educado na corte do imperador Carlos V, casou em 1529 com Leonor de Castro de quem teve oito filhos. Sucedeu ao pai em 1542, mas depois da morte da mulher, renunciou ao ducado, fez os estudos teológicos, foi ordenado sacerdote em 1551 e entrou na Companhia de Jesus, da qual foi eleito terceiro Superior Geral em 1565. Foi notável a sua actividade na formação e na vida espiritual dos religiosos da Companhia, na fundação de colégios em várias localidades e na promoção missionária. Morreu em Roma a 30 de Setembro de 1572 e foi canonizado por Clemente X em 1671.


De uma sua carta a toda a Companhia:

«Todos nós somos peregrinos e, pelos votos que fizemos, já calçámos as botas e as esporas. Frustraríamos a nossa profissão se deixássemos de progredir sempre com grande diligência no caminho da perfeição, enquanto não chegamos "ao monte de Deus, o Horeb".

A primeira coisa que me ocorre dizer-vos é o que advertem as Constituições, no princípio da décima parte, ao tratar da conservação e do aumento da Companhia:
"Os meios que unem o instrumento com Deus e o dispõem a deixar-se conduzir fielmente pela mão divina são mais eficazes do que aqueles que o dispõem em relação aos homens. Tais são a bondade e a virtude, e especialmente a caridade e a pura intenção no serviço divino, a familiaridade com Deus, Nosso Senhor, nos exercícios espirituais de devoção e o zelo sincero das almas, sem procurar outro interesse senão a glória d'Aquele que as criou e as resgatou".


Palavras verdadeiramente dignas de serem por todos atentamente consideradas, por serem do pai que com tanto amor as deixou escritas para seus filhos. De facto, se repararmos bem, reconheceremos que, por não se empregarem estes meios que unem o instrumento com Deus e nos identificam pela caridade com o seu divino Espírito, é que nascem as divisões e as tribulações nas ordens religiosas.

Assim como pela secura da terra murcham as flores e os frutos das árvores, assim também, quando a alma se torna desleixada na oração e nos exercícios de piedade, secam-se as flores e os frutos espirituais. Por isso, quem pouco se exercita na meditação e imitação de Cristo crucificado, mal aprenderá a sofrer e cairá na impaciência. (...)


Grande remédio para os nossos males é a meditação da Cruz de Cristo!»