23 de outubro de 2009

Todos temos razão

O director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura manifestou a sua “desilusão” com a obra «Caim», novo livro de José Saramago. Foi em entrevista à Agência Ecclésia que Tolentino Mendonça, Sacerdote e escritor, explicou de uma forma suficientemente clara as declarações vazias que Saramago fez nestes últimos dias. Citando:

“O que impressiona nesta opção [de Saramago decidir que ler é só juntar letras] é ele recusar que aquele texto precisa de uma interpretação, de uma leitura simbólica”, declara. José Tolentino Mendonça realça que a Bíblia “é um livro de fé, que é lido a partir dessa perspectiva por milhões de pessoas, e ao mesmo tempo um livro de literatura, um superclássico”.

Nesse sentido, é necessária “uma compreensão da Bíblia enquanto texto literário para verdadeiramente chegar ao seu sentido”, é preciso “ir à terra do poeta”, como se referia no Vaticano II, perceber que há “um sentido segundo, terceiro, que não se pode ler de forma literal e unívoca, que os géneros literários são para respeitar”.

Parece-me que, mesmo para quem se diz ateu, a sua interpretação do texto e a mensagem que nos quer fazer chegar é demasiado pobre para ser levada a sério, embora preocupante e digna da nossa dedicação, sendo um sinal claro de que devemos insistir na luta contra este tipo específico de ignorância. Talvez devamos insistir mais na literacia e no desenvolvimento da nossa educação quanto à capacidade crítica na leitura e interpretação do que nos chega das mais diversas partes, da variada informação a que temos acesso.

Devemos também procurar a humildade (que tantas vezes não temos) para admitir que os outros possam ter as suas razões e principalmente a vontade de permanecer abertos, até às últimas consequências, àquilo que eles nos possam querer dizer. Estamos num país livre em que podemos expressar aquilo que pensamos. Quanto a isto Saramago tem toda a razão, mas neste caso essa “razão toda” é pouca, e essa pouca que tem não lhe serve de nada.

6 comentários:

Anónimo disse...

"que não se pode ler de forma literal"

Aceitando que é possível ter outro sentido, essa suposição, essa conjectura, não pode negar o que está escrito.

Mas, negar o quê? aceitar o quê?

Infelizmente a capacidade de ler o que está escrito em Hebraico ou Aramaico é muito reduzida limitando os leitores à simples repetição de quem traduziu.

"João", "Jesus", "Deus é salvação". Qual a MESMA palavra em Hebraico para estes três simbolos?
"Yeshua" ou "Yahshua"?

com tantas incertezas... ter posições extremadas... parece ser irracional...

Anónimo disse...

Conclusão: ninguém tem razão...

joão de brito disse...

Caro Anónimo,

(suponho que se trata da mesma pessoa nos dois comentários)

Compreendo a sua observação e aprecio o seu espírito crítico. De facto, quanto mais rigor houver na nossa leitura, maior proveito tiraremos dela.

Pergunto-lhe, contudo, se a sua conclusão (a de que ninguém tem razão) não poderá ser também ela algo 'extremada', ainda que pertinente para a discussão. Isto porque concordo: ter posições extremadas parece ser irracional.

Toda a leitura é o contacto de um sujeito, individual ou colectivo, a partir da sua condição, com um dado texto. Essa leitura parte da sua capacidade de ler e também dos seus limites. Não obstante, simultaneamente transforma-o, comunica com ele de tal modo que a sua capacidade de ler aumenta e o texto torna-se progressivamente mais transparente.

O caminho que temos vindo a percorrer na leitura deste texto, extenso e de registos variados, que é a Bíblia é já longo e, parece-me, digno de confiança. Todo o questionamento é bem vindo para que possamos dar mais passos em frente e alcançar uma maior transparência do texto.

Terá alguém toda a razão? Duvido. Todavia, creio que, sobretudo no tempo que hoje vivemos, o texto que é a Bíblia vem ganhando transparência à medida que o nosso estudo, mais informado, nos alcança chaves de leitura. Sobretudo em textos como este, desconfio de interpretações acabadas, perfeitas. Nem oito, nem oitenta; nem preto, nem branco. Avançamos no caminho que Deus faz connosco por meio deste texto.

Obrigado pelo seu comentário,
João

Amália disse...

Nunca li nada de J Saramago, talvez por comodismo, por isso não posso criticar as suas obras. As primeiras declarações dele, incomodaram-me bastante, e até me irritaram, pela agressividade e intolerância. O Sr. padre Tolentino penso que nos deu uma grande lição de humildade, de abertura e de grande compreensão para com aqueles q pensam diferente de nós. O Sr. Saramago tinha uma posição diferente, de agressividade, de dono da verdade, mas julgo q tb ele se surpreendeu com o acolhimento q recebeu terminando com a bonita frase: "somos dois homens de boa fé". Talvez eu leia Caim...

Anónimo disse...

checklist Take a piece of me

freefun0616 disse...

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