15 de novembro de 2009

Esperança, nem ingenuidade. Domingo XXXIII Tempo Comum.


“Naqueles dias…o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade”.

Os iluministas, há três séculos, tinham a convicção de que o mundo, a sociedade humana, guiada pela Razão, tinha um final feliz…era o mito do progresso da História. A esperança mudou-se em desilusão.

Hoje, na Europa, vivemos com aspirações muito mais humildes, como ultrapassar a crise em que estamos, legislar as relações afectivo-sexuais, enfrentarmos a imigração massiva vinda dos países em vias de desenvolvimento, regular as intervenções permissíveis no começo e fim da vida, etc.

Ao mesmo tempo, a frieza e secura espiritual do Velho Mundo é evidente, e previsivelmente a situação não será muito melhor nos próximos anos.
A família, um projecto frustrante. O cancro, uma ameaça constante. A depressão, sai de qualquer canto. O trabalho, uma escravidão. O sexo, uma obsessão que já até nos resulta aborrecida.

“Quando virdes estas coisas acontecerem, sabei que ele está próximo”

O Cristianismo não é uma religião ingénua, mas tem uma grande esperança no meio da dureza da vida: Cristo morreu, como tudo (há tantas formas de morte!); Cristo ressuscitou…com tudo. A vida, apesar das evidências que poderiam parecer-nos contrárias, tem vocação de plenitude…graças a Cristo.

O verdadeiro cristão não desespera, não foge. Pelo contrário, ama a vida porque a sua fé anuncia-lhe que aqui e agora (e não noutro sitio) começa a vida plena, a Glória de Deus.

Teilhard de Chardin escreveu o seguinte (tirado de O Meio Divino, um dos seus livros mais famosos) como expressão da verdade que, este domingo, nós celebramos:

Quando no meu corpo (e muito mais no meu espírito) começar a notar-se o desgaste da idade, quando se precipitar sobre mim de fora, ou nascer em mim, por dentro, o mal que apouca ou aniquila, no momento doloroso em que subitamente tomar consciência de que estou doente ou estou velho, nesse momento derradeiro sobretudo em que eu sentir que escapo a mim mesmo, absolutamente passivo nas mãos das grandes forças desconhecidas que me formaram, em todas essas horas sombrias, dai-me, meu Deus, o compreender que sois Vós (contanto que a minha fé seja assaz grande) que afastais dolorosamente as fibras do meu ser para penetrardes até à medula da minha substância, para me levardes para Vós.

Ó Energia do meu Senhor, Força irresistível e viva, visto que de nós ambos, Vós sois infinitamente o mais forte, é a Vós que pertence o papel de me queimardes na união que deve fundir-nos aos dois. Dai-me, pois, alguma coisa de mais precioso ainda do que a graça que vos pedem todos os vossos fiéis. Não basta que eu morra comungando. Ensinai-me a comungar morrendo.

Cristo morreu, Cristo ressuscitou, e nós ressuscitaremos com ele.

Bom domingo.

(leituras: Dan 12, 1-3; Hebr 10,11-14.18; Mc 13, 24-32)