1 de novembro de 2009

Sede felizes, sede santos!

Hoje e amanhã, celebramos, em Igreja, a Solenidade de Todos os Santos e a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos.

Que nos quer dizer a Liturgia com esta proximidade? Hoje, somos convidados a venerar as mulheres e homens que a Igreja oficialmente considera como exemplo e modelo de uma vida Feliz, de uma vida entregue aos outros, ao mundo, por amor a Cristo.

Cada um de nós conhece bem de perto alguém com estas qualidades e, por isso, depois de celebrarmos os Santos, comemoramos os Santos “anónimos” do mundo, que nós tão bem conhecemos, que passaram fazendo o Bem e deixando um rasto de Amor, Esperança e Fé.

Então, hoje e amanhã são dois dias de grande alegria e de acção de graças.


Afinal, o que é ser Santo? Temos a ideia dos mártires, das religiosas e religiosos, dos místicos, de alguém extraordinário, quase mitificado. Muitas vidas com histórias muito diferentes. De comum tinham isto: mulheres e homens normais, como nós, que se deixaram tocar pelo Amor de Deus e se converteram a Ele, entregando-Lhe as suas vidas. E esta entrega foi específica de cada um, conforme a sua identidade e aquilo que sentia que o Senhor o chamava.


O Papa João Paulo II disse que a Igreja precisa de santos, Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um copo ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.

Ser Santo é, simplesmente, ser feliz. Viver cada dia completamente entregue àquilo que nos é pedido, com uma alegria tão contagiante que não deixe os outros indiferentes. E quando nos perguntarem porque somos tão felizes – está na moda, agora, andar mais ou menos ou estar em baixo – temos de responder: Por ti! Porque Deus só nos pede isto: que O amemos, amando-nos uns aos outros. E, depois, contagiar o mundo com essa felicidade.


Não foi isto que fizeram Todos os Santos, que hoje celebramos? E não foi isto que fizeram aqueles que nos eram tão próximos e queridos e já estão junto do Pai? Foi.


No Evangelho de hoje, Jesus ensina os discípulos, dizendo-lhes quem é feliz: os simples, os humildes, os que choram, os que lutam pela justiça e são perseguidos porque a amam, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz.


Não somos nós capazes disto? Não celebramos hoje e amanhã tantos como nós que foram capazes disto? Não conhecemos nós, mesmo ao nosso lado, alguém assim? Claro que sim.


Ser Santo é ser Feliz. É encontrarmo-nos com o Amor de Deus, com Jesus, e não ficar quieto; levá-lo e dá-lo, porque é um Amor grande demais para não ser partilhado.


Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto.


E somo-lo de facto!



imagem: pormenor da tapeçaria da Catedral de Nossa Senhora dos Anjos, Los Angeles


Leituras: Ap 7, 2-4.9-14

Salmo 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. 6)

1Jo 3, 1-3

Mt 5, 1-12a