19 de dezembro de 2009

Propósitos de Natal (muito melhores que os de ano novo)


Qual é o objectivo da tua vida? Um destes dias frios de advento, enquanto dava um passeio pela cidade, resolvi demorar-me no olhar de todas as pessoas com quem me encontrasse. A pergunta que me fazia e que secretamente lhes fazia também a elas era: qual é o objectivo da tua vida? Qual é o critério que usas para as tuas escolhas? Das mais pequenas às maiores escolhas que podemos ou temos que tomar… qual é o critério que usamos? Da minha parte, já não vejo a vida à maneira do Alberto Caeiro e, por isso, não desejo mais deambular… embora ainda incorra nessa falta vezes demais.

Em primeiro lugar é certo que a vida é recebida. Não tomamos a decisão de nascer mas nascemos e estamos aqui. Em segundo lugar, também é certo que todos temos uma vida, isto é, uma história, uma rotina, hábitos, ligações afectivas, alegrias e tristezas… (por vezes não temos mesmo uma vida, mas uma vidinha). Por último e em terceiro lugar, todos temos desejos, apelos ou vontades projectadas num futuro mais ou menos próximo, mais ou menos distante. E também estas vontades são mais ou menos claras, mais ou menos vagas…

Se pararmos um bocadinho em silêncio (ou talvez mais do que um mero bocadinho) e se olharmos para dentro de nós, todos temos um desejo que é mais constante e mais subtil, ou por vezes mais pujante, mas que, se mantivermos este olhar introspectivo, nos fala e nos projecta para o futuro… temos sonhos; queremos ser alguém. Alguém diferente do que já somos hoje. Quando nos damos conta disto percebemos de modo absolutamente clarividente que podemos fazer escolhas. Não podem então deixar de surgir as questões: O que é que eu quero? Que quero ser, por exemplo, daqui a 5 ou mesmo 10 anos?

O que agora apresento é uma sugestão para abordar este tipo de questão. Comporta três passos, mas pode (e talvez deva) demorar a vida inteira.

Primeiro passo, Identidade. Quem sou, qual é o meu nome, cultura, história? De onde venho? De que filme faço eu parte? E que personagem sou? Talvez a mais fundamental das perguntas seja: Quem és Tu? Tu, que me criaste… Haverá muitas respostas, que Deus fará surgir em nós, e muitas novas perguntas também. Mas seja qual for o ponto onde chegar, estará dependente da fé como de um salto de confiança nas mãos de quem me está a construir. E, neste mundo complexo, facilmente perceberei que não me está a construir só a mim… não estou sozinho, nem posso ser sozinho.

Segundo passo, Valores Práticos. Este é um passo de encarnação, da minha identidade tomar forma rumo ao fim para que fui criado. Encarnar a personagem não é mero teatro. É ir descobrindo o meu papel real, que não tem que ser grande e que com certeza não é melhor do que nenhum outro. Valores práticos são por exemplo: o trabalho, o serviço, o cumprimento dos deveres. Mas também, o silêncio, o tempo para que Deus fale e torne a minha vida parte da Sua. É um passo de disciplina, mas, sobretudo, de aprender a discernir, sem pressas nem imposições, a vontade de Deus para mim (num altruísmo sem voluntarismos) e não a minha vontade ao serviço do meu egoísmo. Tomar umas notas, em papel ou simplesmente no espírito… é sempre importante nestes passos.

Terceiro passo, Missão. Nesta fase, ainda que não inventada, surge a missão. E a missão pode ser quase tudo, porque está agora mais dependente da Identidade com que a olhamos e dos Valores Práticos com que a realizamos. A missão é transcendente, recebida; escapa-se-nos das mãos. Vem sempre de fora. É sempre uma urgência do mundo, pela qual Deus nos fala permanentemente ao ouvido. Basta estarmos atentos. Basta aceitar que o que é real nos parta o coração, para que nós nos possamos partir por Ele.

Haverá desejo que valha mais a pena cumprir do que o maior? Ou será preferível o sono constante dos nossos desejos menores? Para mim é preferível, depender da Liberdade que Deus me coloca no regaço, esperar um Natal que promete dores de parto… do que ser escravo das minhas vontades líquidas e inconsistentes. É um caminho que se faz “escolhendo” e que se escolhe caminhando. Mais pela oração do que pelos raciocínios intrincados. “Quem é que, alguma vez, vai à guerra, à sua própria custa?” (1Cor9,7)

Neste Natal Deus quer oferecer-Se, nu, e encarnar nas nossas vidas. Como poderemos dizer-lhe que “não”?


3 comentários:

Anónimo disse...

Filipe,

Apenas, gostaria de manifestar a minha gratidão pela tua reflexão/ partilha. Parece-me uma excelente proposta para vivermos esta quadra natalícia.
Sendo assim, um Feliz Natal.
Com as melhores saudações,
Natália

sevejocosilva disse...

Tantas perguntas. Tão poucas as respostas e, as vezes, nenhuma.
Creio não existir fórmulas para estes questionamentos.
Para mim é alguma coisa mais ou menos assim:Vem aquele senhor, competentíssimo, prova o vinho e diz todas as nuances que o mesmo contém. No entanto, este é o seu paladar, o seu conhecimento e jamais o meu. Como traduzir coisas tão complexas. Concordo com você: fiquemos atentos ao que Deus nos diz, Ele nos fala de formas diversas, porém sem fórmulas. Como poderá o enólogo traduzir o meu sentimento?
Creiamos em Deus e sejamos felizes. Cada um com a sua fórmula.

freefun0616 disse...

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