6 de dezembro de 2009

Preparar o caminho


Tenho receio de que a palavra de Deus me passe ao lado este ano. E se me passar ao lado, passar-me-á também o Natal, a vinda de Jesus. Receio isso porque vivo na cidade. O que parece um contra-senso, uma vez que na cidade tudo são luzes e enfeites e ‘christmas carols’. E mesmo sabendo que tudo isso tem muito de consumismo e superficialidade, esperar-se-ia, por outro lado, que tanta atenção sobre a quadra despertasse para uma consciência mais profunda do que afinal se celebra. Então porque receio que, por viver na cidade, a palavra de Deus me passe ao lado?


Nasci em meio urbano e vivi praticamente toda a minha vida em meio urbano, o que me agrada muito. Acho até que assim posso desfrutar mais dos prazeres do campo quando lá vou. Mas há algo que tenho aprendido a valorizar e que a cidade não pode reclamar para si. O silêncio. A cidade vive também do que é ruído, não apenas nos gritos, no trânsito, nas obras, nas máquinas, etc., mas ainda mais nas inúmeras caras, de pessoas, de marcas, instituições, ou outras, que reclamam importâncias, atenção, o nosso desejo.

A voz de Deus é discreta a maior parte das vezes, sem espalhafato. Na cidade é atropelada. No silêncio é voz que clama no deserto. Como água turva num copo, com alguma terra. Ou está agitada e a luz passa por ela com dificuldade, ou está em repouso e a terra deposita no fundo do copo, passando a luz livremente.

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes, tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilena, sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto”.

A palavra de Deus passou por todo aquele ruído de caras e importâncias e a nenhuma delas foi dirigida. No silêncio do deserto, foi dirigida a João, o Baptista. João era água translúcida, na qual a luz entra livremente. E, tendo-lhe sido dirigida a palavra de Deus, parte como seu mensageiro:

Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas. Toda a ravina será preenchida, todo o monte e colina serão abatidos; os caminhos tortuosos ficarão direitos e os escabrosos tornar-se-ão planos. E toda a criatura verá a salvação de Deus”.

Se permanecermos na imagem da água, João convida a procurar o silêncio, a deixar que o ruído se deposite no fundo do copo e a luz, a palavra de Deus, entre livremente. De certo modo, é este o seu baptismo, é esta a conversão de que fala. Assim será possível voltar os olhos para Deus.

Vou permanecer na cidade, ainda que haja mais ruído. Vou procurar este silêncio, mesmo no meio da confusão. E quando ouvir a palavra de Deus no meu coração e então puser n'Ele os meus olhos, terei encontrado o mesmo Menino que nasceu na gruta de Belém.

6 de Dezembro de 2009 - Dom II do Advento, Ano C
LEITURA I Bar 5, 1-9

SALMO RESPONSORIAL
125(126)
LEITURA II Filip 1, 4-6.8-11
EVANGELHO Lc 3, 1-6

2 comentários:

Amália disse...

Ao ler a sua reflexão de que gostei, chamou-me especialmente à atenção o seguinte "procurar o silêncio no meio da confusão".
Isso lembrou-me os bons propósitos com q saio da Eucaristia e q depois se diluem cá fora na confusão. Os bons propósitos que trouxe do retiro que fiz em Setembro (mais oração etc,etc) e q tb se diluiram um pouco. O seu texto convida-me a preparar melhor o caminho, procurar O MENINO JESUS, na azáfama, na correria, no barulho da minha vida. Obrigada pela ajuda.

freefun0616 disse...

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