30 de maio de 2009

Participação no Congresso sobre Darwin

O Congresso Internacional DARWIN’S IMPACT ON SCIENCE, SOCIETY AND CULTURE. A 21st CENTURY REASSESSMENT organizado pelo Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da Faculdade de Filosofia de Braga, da Universidade Católica Portuguesa, pretende, tal como diversas outras manifestações em todo o mundo, assinalar os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da publicação da obra A Origem das Espécies.

Pode dizer-se que, em vários aspectos, a revolução darwiniana continuou a revolução galilaica: ambas parecem ter diminuído perigosamente o irredutível estatuto ontológico do ser humano, o de constituir a espécie mais excelente do universo, para a qual ele foi criado por Deus. Galileu deixou intacta a parte desse estatuto que tem a ver com a estrutura dualista corpo-alma: os seres humanos são a única espécie constituída por um corpo e uma alma espiritual e imortal que lhes assegura a imortalidade. Descartes, um fervoroso apoiante de Galileu, nem por um momento duvidou da existência de uma alma espiritual. Com Darwin, também este aspecto parece ser posto em causa irremediavelmente.

Ao afirmar que os seres humanos, tal como os demais seres vivos, apareceram na terra por um processo evolutivo não planeado, Darwin pôs em causa algumas verdades até então consideradas inabaláveis, tendo provocado mudanças filosóficas, religiosas e culturais profundas.

Muitas das reacções às ideias de Darwin foram violentas, e ainda hoje os adeptos do criacionismo se recusam a interpretar metaforicamente o Livro do Génesis, particularmente os seus primeiros três capítulos que se referem à criação do mundo e da vida. Tanto as Igrejas Cristãs, como muitos dos não crentes adeptos da teoria da evolução, tiveram sérias dificuldades em compreender de que forma o evolucionismo biológico se pode harmonizar com o cristianismo. Teilhard de Chardin e Karl Rahner foram alguns dos teólogos católicos que mais cedo se aperceberam de que esta harmonia existe realmente. Sobre esta questão, intervirá no congresso o teólogo norte-americano John Haught, da Universidade de Georgetown.

Continua aberta a possibilidade de participação dos congressistas em sessões paralelas, através de breves apresentações das suas reflexões sobre qualquer dos temas do congresso.

Informações mais pormenorizadas encontram-se no site www.congressos.facfil.eu

24 de maio de 2009

A promessa

A promessa é o primeiro e decisivo passo rumo à esperança. O horizonte até então traçado é rasgado por uma nova palavra, inaugurando uma nova era e um espaço renovado no desejo e na vontade. O que acontecer a partir de agora será precedido de uma espera, expectativa.
Promessa é uma "afirmativa feita a si próprio ou a outrem de cumprir, fazer, dizer... ou não alguma coisa (...) uma obrigação estabelecida oralmente ou por escrito de cumprir algo; compromisso". Não é permitido duvidar porque já sabemos o que vai suceder. A confiança nasce da palavra dita, do gesto inequívoco que nos molda e seduz. Se a ressurreição havia sido o sinal para aqueles que partilhavam o seu caminho com Cristo, a subida aos Céus vem confirmar esse sinal e transformá-lo em compromisso com todos os homens e mulheres desta Terra.
Jesus subiu aos Céus... e daí? O que mudou? Se eu fosse ateu ou agnóstico perguntaria agora se esse fenómeno foi observado por alguém, se há registos de que aconteceu mesmo, se, mesmo com testemunhas, não poderia ter sido uma farsa ou alucinação colectiva. Certamente que nenhum de nós está interessado em 'provar' alguma coisa. Que poderemos nós fazer das muitas provas que conseguimos reunir? Que poderemos nós fazer se isso não alterar nada na nossa vida?
O desejo mais profundo da humanidade, aquele que esbarra frontalmente no nosso inultrapassável limite, ganha novo alento diante desta promessa. Quem não deseja a felicidade? Quem não pretende a serenidade e a paz? Deus não nos deixa sem os seus sinais que nos abrem o entendimento a uma nova lógica. Quando um gesto simples adquire a magnitude máxima de alcançar. Quando alguém abdica do que lhe é devido porque o mais importante para si é o bem estar de um outro. Quando alguém perdoa outrem, os rostos dos que assistem ficam perplexos porque ainda vivem na lógica do 'para si'.
Não tenhamos dúvidas, coloquemos de lado, o grande dilema da humanidade é este: viver com Deus ou fazer de nós mesmos o 'deus' da nossa vida. Têm alguma dúvida de qual é o cenário mais autêntico?
A promessa de Jesus, de que não nos deixará sozinhos, é confirmada pelo advento de uma nova era na vida daqueles que acreditaram. O Espírito Santo, Aquele que inesperadamente nos anima diante das fraquezas, diante dos sofrimentos e incompreensões; Aquele que nos surpreende com a paz nas situações em que facilmente perderíamos o Norte, é a certeza de que esta promessa não foi esquecida. Hoje mesmo podemos comprová-lo na nossa vida, no vazio de um quotidiano vivido ao sabor do nosso desejo. Deus transforma-nos porque nos coloca diante da verdade da nossa realidade, diante da frqueza da nossa condição. Nenhum de nós pretende viver enganado acerca de si mesmo, todavia continuámos todos os dias a escolher o caminho falseado porque nos fecha numa ilusão.
Hoje é o Domingo da Ascensão. Certamente que os apóstolos e companheiros que seguiam Jesus se sentiram receosos com esta partida. A promessa do Espírito deu nova motivação, mas era preciso que não se continuasse a olhar o Céu. "Que olhais vós no céu?". É agora na Terra que Ele está, pedindo-nos para arregaçar as mangas e trabalhar pelo Reino. É aqui o lugar da mudança, onde Ele se mostra. Ter os pés assentes no chão é ter a certeza firme de que nada nem ninguém nos poderá separar do amor de Deus. Nada! Nem a morte, nem a tempestade, nem o abismo... nada!
Andamos todos à procura da verdade e quando ela se mostra pedimos provas. Que estamos nós a fazer? Jesus diria "insensatos" - como disse aos discipulos de Emáus - eventualmente poderíamos dizer "idiotas, loucos, sem juízo...". De que é que andamos à procura? De lucidez? Da verdade? Então porque não a encontramos já? Somos frágeis, finitos, debéis... pouco podemos fazer sozinhos, mas continuamos a colocar-nos no centro, a dizer não aos que nos rodeiam, a renegar a presença de Alguém que nos indica o caminho da alegria que buscamos. Insensatos, sim, porque continuamos a negar-nos a esta possibilidade.


Ilustração: Ascensão de Rembrandt

22 de maio de 2009

Beato João Baptista Machado

Hoje a Companhia de Jesus, em particular a Província Portuguesa, celebra este Santo. João Baptista Machado nasceu nos Açores, mais concretamente em Angra do Heroísmo, no ano de 1582. Com apenas 17 anos de idade ingressou na Companhia de Jesus movido pelo desejo de ser missionário, de levar o Evangelho aos povos que o desconheciam.

Assim, em 1601, depois de estudar em Coimbra, parte rumo à Índia, onde continua a formação jesuítica. Estuda Filosofia em Goa e Teologia em Macau e é ordenado sacerdote em 1609, altura em que parte como missionário para o Japão.

Em 1614, uma ordem imperial decreta a expulsão dos missionários da ilha. Incapaz de resistir ao desejo que o movia a partilhar a sua fé, João Baptista Machado opta por missionar na clandestinidade.

Acaba por ser preso em 1617 na cidade de Omura, arredores de Nagasaki, vindo a ser decapitado no monte Obituri, acompanhado por uma centena de cristãos.

Mais que o martírio, atrai-me sobretudo a experiência de Fé deste Homem. A Fé que vivia e sentia dentro de si era mais forte que qualquer condicionamento exterior. Realmente, a sua Fé superou sempre os sofrimentos e as injustiças que a vida lhe impôs: “estou muito contente com minha sorte e Lhe dou muitas graças por Se lembrar de mim, dando-me, por sua grande bondade, um ânimo, que todos os trabalhos e tormentos do mundo me parecem poucos”, diz-nos numa carta escrita já na prisão.

17 de maio de 2009

Uma nova Lei


O Evangelho deste Domingo permite-nos saborear mais um pedaço do testamento que Jesus nos deixa no longo discurso que dirige aos seus discípulos antes de ser entregue nas mãos dos que lhe deram a morte. É o testamento de quem sabe que a sua hora chega por fim, que dentro em pouco será sujeito ao mistério da injustiça para, triunfando sobre a morte, abrir à humanidade, a mesma que assim o leva à cruz, um vida nova – a da Ressurreição.

Não somos herdeiros de pouco.
Deixa-nos um exemplo, lavando os pés aos discípulos;
a promessa de uma ‘morada’ na vida do Pai, junto dEle;
o Paráclito, Espírito da Verdade;
a promessa de que não nos deixará órfãos, mas voltará;
a paz, não como o mundo a dá, mas a sua paz;
o mandamento de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou.
Por fim, confiou-nos ao Pai, para que sejamos um, como Ele e o Pai são um.

“O que vos mando é que vos ameis uns aos outros”

É estranho que seja um mandamento, uma obrigação. Talvez o seja porque Jesus vem dizer que mais que homo sapiens a humanidade é chamada a ser homo amans, mais que sapiente o ser humano é chamado a ser amante. Ninguém questiona o mandamento de ser racional e ao longo dos séculos foi em sê-lo que a humanidade pôs a sua esperança de realização e felicidade. Mas Jesus revela-nos um imperativo ontológico maior. Amar é uma escolha, sem dúvida, mas é também uma necessidade, aquilo que nos fará verdadeiramente quem pela força da própria natureza, pela Criação, somos chamados a ser. À nossa liberdade, que nos é tão querida, é trazido este imperativo, este apelo, ou envio, uma nova Lei –
a do amor.

Ainda assim, pode o Amor mandar que se ame? Não será estranho? Não nos subjugará à condição de servos?

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai.”

“Se fizerdes o que vos mando sereis meus amigos”

Neste imperativo, Jesus, apela à humanidade e a cada um a realizar-se plenamente no exercício do amor, não como quem obedece servilmente, mas como seus amigos e filhos de Deus a quem é confiado o tesouro maior –
a certeza de ser chamado a ser homo amans.

16 de maio de 2009

Santo André Bobola


André Bobola nasceu em 1591, no Condado de Sandomierz, na Polónia, numa família nobre. Em 1611 entrou na Companhia de Jesus e após concluída a sua formação, exerceu o seu ministério sacerdotal como pregador, em Vilna (actual Bielorússia), onde trabalhou incansavelmente mesmo sob ameaças dos cossacos e sob a aspereza do clima. Procurava ensinar o cristianismo e fazer-se próximo especialmente dos mais pobres e dos que mais sofriam. Foi impressionante o seu trabalho quando a peste por duas vezes atacou a Polónia. Desde 1636 que as ameaças contra a Igreja se iam intensificando e em 1657, em Janov, acabou por ser morto de uma forma brutal pelos cossacos.

Não é fácil escrever sobre este santo que parece não ter tido uma vida completamente fora do comum com excepção do seu cruel martírio. Mas não me parece que seja só o martírio que faz um santo. O martírio foi apenas o final de uma vida coerente de quem sabe para onde quer ir, de quem tem um horizonte que o faz ser quem realmente é.
Também acho que a vida não tem que ser algo fora do comum ou algo extraordinário, ou por outra, sim, a simplicidade é extraordinária. Às vezes é preciso saber olhar... E mais importante do que esperar que a minha vida seja brilhante e colorida, é saber que, independentemente da cor ou do "cinzentismo", da novidade ou da rotina, do espectacular ou do normal, sigo para onde quero realmente ir.
E, por isso, importa falar e celebrar a vida de um homem que fez das coisas de todos os dias, das coisas simples e normais, uma resposta de fidelidade e de gratidão.

13 de maio de 2009

O Segredo de Fátima - 2




O Segredo de Fátima

"À medida que o tempo passa, acredito mais no Segredo de Fátima. Nesse Segredo que desassossega, que nos arranca de casa, dos livros, da cidade e nos lança, anualmente, para a imensidão das estradas. Eu acredito num «não sei quê» que esse Segredo derrama em nós: uma porção de confiança, de abandono e de aventura. Uma vontade de tornar a vida mais que tudo verdadeira. De tornar generosos os projetos e fecundos os laços que nos ligam aos outros. De tornar absoluta a nossa sempre frágil Esperança.À medida que o tempo passa, vou conhecendo pessoas cujo tesouro interior foi descoberto, ampliado nos caminhos de Fátima. Pessoas que contam histórias simples, misturadas com sorrisos e lágrimas. Histórias de um Encontro tão parecido ao que teve uma rapariga da Judeia, de nome Maria.Que têm os peregrinos de Fátima? Têm o vento por asas e a lonjura por canto. Têm a conversão por caminho e a prece ardente por mapa. São filhos de uma promessa que se cumpre dentro da vida.Gosto dessa frase de Vitorino Nemésio que diz: “em Fátima, a Humanidade inteira passou a valer mais”. Gosto, porque nos caminhos longos, imprevistos e profundos de uma peregrinação isso nos é ensinado como uma evidência humilde e apaixonante."
José Tolentino Mendonça
(www.agencia.ecclesia.pt/ecclesiaout/snpcultura)

12 de maio de 2009

Acreditar em Deus (4)

Neste vídeo começo por dar as boasvindas aos participantes no debate 'Acreditar em Deus' e faço algumas considerações introdutórias a um texto que leio a seguir (virá no vídeo seguinte) e no qual resumo as minhas razões para acreditar em Deus.
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10 de maio de 2009

Permanecei em mim

No Evangelho deste Domingo, Jesus promete àqueles que O seguem que, se N’Ele permanecerem, darão muito fruto. Mas que significa esta expressão proferida por Jesus, tão clara quanto enigmática: “permanecei em mim”? Hoje, concretamente, que poderemos tirar destas três palavras? “Permanecei em mim”…?




PERMANECEI | Permanecer significa ‘manter-se, prolongar a presença[1]’. Jesus convida-nos a permanecer n’Ele. Mas afinal o que quer isso dizer nos nossos dias? Tal como Maria Madalena, parecemos por vezes, nós os cristãos, olhar para o mundo como se nos tivessem roubado o Senhor. Não sabemos onde O puseram. A isto alia-se uma espécie de desencanto de muitos cristãos pelo mundo e consequente rejeição do que soa a cristão, por parte do mundo (cultura, politica, economia, movimentos sociais, ocidente…). Onde puseram este Senhor no qual somos chamados a permanecer? A modernidade escondeu-o ou vive onde ainda não O reconhecemos? A promessa do Seu amor é suficiente que me faça querer procura-Lo?


EM | Vejamos primeiro que tipo de permanência é que o Senhor nos pede. Não nos pede que permaneçamos ao pé, pertinho, coladinhos, em capelinhas, etc. A concretude do pedido é firmada com este em Mim. Ele assegurou permanecer connosco no mundo, prometendo que O veríamos se n’Ele permanecêssemos. Por vezes o que nos faz não O ver neste mundo é a formatação e limitação da presença de Deus no mundo (Sh’kina), que fazemos. Este permanecer em, significa antes de tudo estar próximo do mundo, onde o Ressuscitado permanece, revelando o rosto do Seu Pai e com Ele a nossa identidade. Permanecer em, significa ler, a partir do Ressuscitado, cada história do mundo, de alegria ou sofrimento, como ocasião de graça e biografia do dom de Deus em nós. Permanecer em, significa o início do cumprimento da promessa concretizada em Jesus Cristo de curar as nossas feridas, restabelecer-nos a saúde, acolher os abandonados, ser comida de quem tem fome e sede de justiça, realizando todos estes milagres por meio daqueles que, insuflados do espírito, são extensão deste mesmo amor. Sabendo que, muito embora nos dediquemos à construção do Reino, só o Senhor há de realizar em acto o amor que nos habita em potência (Bento XVI - Spe Salvi).


MIM | Simone Weil, filósofa francesa de origem judaica, estabeleceu a diferença entre o mim e o eu. Dizia ela que o mim é o nosso carácter, aquilo pelo qual somos julgados. Caracterizava-o como sujeito passageiro, dado que o meu carácter de há um ano, já não é o mesmo de hoje, muito menos o (mim) de há cinco anos. Por sua vez, o eu é aquilo que sou sempre e que não sei definir quando me pergunto/perguntam com seriedade: “Quem és tu?” Diz SW que o eu é indefinível, mas que é um lugar a partir de onde se vive. E que quando nos tornamos livres do mim, ou seja das atitudes convencionais que tomamos por melhores de certa forma sempre auto-centradas, poderemos viver a partir do eu que é sincero porque não age a partir de convenções e reconfigura o mim. Acrescenta a autora que nestes momentos somos tomados por uma enorme alegria, funda, por estarmos a ser.[2]

Ora, Jesus é aquele que viveu completamente a partir do eu, por isso o Seu mim é totalmente coincidente com o eu. Por outras palavras, os seus gestos são o que Ele é de verdade. Por isso, gostava de propor que, aqueles que quiserem permanecer n’Ele, leiam muitas vezes o Evangelho, em bocadinhos pequenos para irem saboreando cada gesto. Só assim entraremos na lógica da permanência activa e movida que o Senhor nos pede e sugere, pelo Espírito Santo que nos deixa o coração inquieto enquanto a nossa realidade e a de aqueles que sofrem ao largo das nossas mãos não descansar em Deus (Sto. Agostinho).

É preciso que nos deixemos moldar pela vida d’Ele conhecendo-O até ao fundo. Para isso experimentem ler o Evangelho e imaginarem-se dentro das cenas. Vejam as cores e as roupas de quem está na cena, depois oiçam o que dizem e tirem proveito para a vossa vida, ora raciocinando, ora conversando no silêncio com Deus Pai, Filho ou com Nossa Senhora.[3] Tudo isto porque estão sempre no Espírito Santo. Ou seja, se foi o Espírito que nos fez perceber que Jesus é Filho de Deus, só Ele nos fará sermos parecidos com Cristo se entrarmos, também nós, na Sua/Nossa história.


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[1] Cf. AA. VV., Permanecer in IDEM, Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea das Ciências de Lisboa
[2] WEIL, Simone – “Aulas de Filosofia”. São Paulo: PAPIRUS EDITORA, 1991, pp. 183 a 187
[3] Exercícios Espirituais de Sto. Inácio de Loyola

8 de maio de 2009

Acreditar em Deus (3)

Podemos agora ouvir e comentar a intervenção do Bernardo no debate 'Acreditar em Deus. Porque sim? Porque não?'
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4 de maio de 2009

S. José Maria Rubio

Nasceu em Dalías (Almería) no dia 22 de Julho de 1864. Entrou no Seminário ainda jovem e foi ordenado sacerdote em 1887 em Madrid. Enquanto desenvolvia várias actividades de carácter diocesano, não deixava de atender as pessoas no confessionário, catequese, "escolas dominicais", ao mesmo tempo que se dedicava a acompanhar diversos grupos em necessidade espiritual.

Admirando de modo particular a Companhia de Jesus e chamando-se a si mesmo "Jesuíta por afeição", entrou no noviciado da Companhia em Granada e fez os primeiros votos em 12 de Outubro de 1908; trabalhou depois em Sevilha, onde desenvolveu grande actividade apostólica; depois de três anos em Manresa (Barcelona), voltou a Madrid.

A capital espanhola foi o seu novo campo de apostolado. Era procurado por muita gente, que atraía pelas suas pregações, porque vivia o que pregava. O seu lema era: "Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz". Organizou e orientou diversas missões populares em Madrid. Quis fundar um instituto, "Os Discípulos de São João", mas foi impedido de o fazer, aceitando a proibição com estas palavras: "não procuro outra coisa além do cumprimento da santíssima vontade de Deus".

A sua dedicação ao Sacramento da Reconciliação e à orientação espiritual alcançou-lhe tal fama que chegava a ser necessário esperar várias horas para ser atendido por ele em confissão. Dedicou-se ao trabalho social num dos bairros mais pobres de Madrid e preparou leigos para satisfazer mais eficazmente às necessidades dos mais desfavorecidos. Frequentemente alvo de perseguições e intrigas, acabava por impressionar mesmo aqueles que se opunham ao seu serviço. Foi formador de muitos cristãos que sofreram o martírio no tempo da perseguição religiosa Ficou conhecido como o "Apóstolo de Madrid". Morreu a 2 de Maio de 1929. Foi beatificado em Roma no ano de 1985, e canonizado em Madrid Pelo Papa João Paulo II a 4 de Maio de 2003.

Deixo uma pequena frase de S. José Maria Rubio que talvez possa ajudar-nos a aferir os critérios que orientam a nossa vida: No final da vida resta-nos apenas a santidade.

International Congress

Darwin's impact on science, society and culture. A 21st century reassessment.(10-12 September 2009)
9 September afternoon: Worshop "The scientific explanation of the emergence of Reason".

SECOND CALL FOR PAPERS AND POSTERS. DEADLINE: 25 MAY 2009.

3 de maio de 2009

O pastor e as ovelhas


A imagem do pastor e das ovelhas é muito frequente na Sagrada Escritura. Jesus não se coíbe de a usar em diversas ocasiões. A ovelha é um símbolo pascal, todavia encerra na sua representação um outro simbolismo mais profundo.

A humanidade revela-se na metáfora do rebanho. A imagem de fragilidade, debilidade e insegurança, que é transmitida pela ovelha, representa-nos a todos nós diante da nossa existência: débeis, limitados, hesitantes. O Pastor é Cristo que nos guarda, defende e conduz.

As leituras deste Domingo, que é curiosamente o dia da Mãe, pretendem exaltar a figura de Jesus Cristo como mediador. É Aquele no qual somos convidados a colocar toda a nossa segurança e apoio. Tal como a criança nos braços da mãe se apresenta protegida de todos os males da existência, assim o pastor aparece no centro do rebanho como aquele que cuida, liberta e protege. É uma figura que dá confiança, na qual nos podemos fiar, "pôr fé". Assim nos devemos sentir quando abordamos a verdade da nossa identidade. Quem somos? Como nos situarmos diante do drama da nossa existência? Nascemos e vamos morrer. Por muito que nos exaltemos em certas situações e contextos da nossa vida, mais tarde ou mais cedo nos apercebemos da nossa pequenez, da nossa impotência perante a realidade que nos circunda.

Esse estatuto de debilidade e fragilidade, que todos nós tendemos a afastar do nosso horizonte, apresenta-se claro e nítido quando aparece o inesperado, a dor ou o sofrimento, a morte. Quando perdemos o controlo de nós mesmos, quando a dúvida aparece, quando a nossa força aparente parece ter desaparecido, é importante sentir-mo-nos acompanhados por Alguém que nos oferece respostas e protecção. O Pastor está lá ao nosso lado, sempre, ainda que O não queiramos aceitar. Oferece as respostas que procuramos. Pede-nos para aceitar a nossa pequenez: "sede humildes", ou, como dizia Teresa de Ávila, "a humildade é a verdade" e é caminho de alegria e serenidade - os maiores anseios da humanidade.

Da mesma forma que Jesus se apresenta como o Pastor de todos os homens e mulheres, todos os cristãos são chamados a este papel de consoladores dos mais fracos e sós. Somos todos chamados a ser pastores uns dos outros, a ser sinónimo de confiança e atenção. Assim como o pastor está atento a cada uma das suas ovelhas, especialmente daquelas que mais precisam do seu olhar e cuidado, assim também todos nós que nos propomos seguir os passos do Homem que rompeu os Céus.

Ser pastor implica uma necessária atenção pelas ovelhas que se afastam do redil. Jesus é o Pastor que tudo larga para buscar a ovelha perdida, não importando o tempo ou o lugar. Esta é a imagem do cristão que quer viver perseguindo os passos de Jesus. Não aponta o dedo, mas acolhe; não se revolta, mas abre os braços para receber; esquece tudo o resto para poder recuperar aquele que se perdeu.

É este o apelo profundo que Jesus faz a todos nós que o queremos seguir. Olhemos com verdade para a realidade da nossa sociedade, atentemos nos gestos habituais de todos nós, e procuremos perceber se a nossa atitude é tal como o acolhimento do Bom Pastor, que olha e cuida pelas suas ovelhas.




Imagem: "O Bom Pastor" de frei Carlos (séc XVI) - Museu Nacional de Arte Antiga.