20 de janeiro de 2010

da periferia ao centro

O mundo é redondo. O facto do mundo ser redondo faz com que não tenha um lado ou lugar principal. Não há uma referência geográfica perene. Habitualmente, nos nossos dias, é a comunicação social que nos orienta a atenção para uma ou outra área geográfica. Ora por motivos económicos, ora por motivos de algum evento social, ora por motivos religiosos, … Estes dias temos sido orientados para o Haiti.


Se há coisa que me intriga é pensar porque é que estas tragédias nos implicam a todos de certa forma como se tivéssemos alguma responsabilidade ou laço inato com quem sofre. Se calhar temos mesmo e hoje o referente geográfico é o Haiti. Subsiste sempre uma vaga ideia de que evitar qualquer forma de sofrimento e retira-lo das nossas conversas é um bem a preservar. Contudo, hoje o Haiti impôs-se como uma espécie de altar onde reconhecemos a nossa privação humana, a nossa compaixão e o nosso desejo de ajudar.


Este acontecimento vem em total sintonia com o Evangelho de hoje. O homem de mão ressequida, é chamado ao centro da sinagoga por Jesus. Em Israel os doentes eram tidos por amaldiçoados por Deus e portanto habitavam a periferia, a margem da sociedade. Jesus, porém, manifesta o seu pendão: o de recolocar o periférico no centro, pois é no desprezado que se derrama a ternura mais predilecta de Deus. Dizia Almada Negreiros que: “ser anónimo é condição para ver”. Do mesmo modo, olhar para aquilo que nos era periférico e hoje se impõe central, faz-nos ver e faz-nos perguntar os nossos hábitos…


O contexto é o nosso silêncio, a nossa condição é o anonimato e o sofrimento do Haiti impõe-se no centro. “Que fiz, que faço e que farei?” – perguntou-se Santo Inácio diante do Cristo que sofria por ele na cruz. E quanto a nós, que perguntas nos têm levantado estes dias?

4 comentários:

Anónimo disse...

...então, porquê a arritmia terrestre no Haiti, se existe Deus? Ou, Deus não tem nada a ver com esta tragédia?

Missé sj disse...

Creio que entendo a sua pergunta e preocupação. Quando chegámos a estes porquês mais crus, as palavras nunca tocam estas realidades. Penso que temos primeiramente de nos lembrar que sempre que falamos de Deus, somos sempre homens a falar de Deus. Pelo que faltam-nos meios de responder a tudo o que pretendemos. Uma das pretensões que temos é responder aos porquês. A mim parece-me que esta catástrofe precisa que perguntemos mais o para quê e não tanto o porquê. Para que sirvo aqui e agora? O para quê faz-nos pensar no que podemos dar de nós e, consequentemente, a encontrar no melhor de nós uma promessa aguardada por outros. Sim, concordo consigo no sentido em que há perguntas para as quais nos faltam respostas. Mas asseguro-lhe que há necessidades para as quais temos resposta: as mãos, as posses económicas, a vida, etc…

freefun0616 disse...

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Nova Civilização disse...

gostei imensamente deste texto . Cada palavra, cada vírgula foi tudo ao encontro dos meus pensamentos e do que venho refletindo... acredito sim, que a periferia tenha se tornado o centro... a estar nas nossas vista, a nos questionar? a sabedoria de Deus é impressionante!!!! Muitas vezes não entendemos pois nos deixamos levar pelo olhar humano e nos perdemos em questionamentos que na realidade não nos levam a algum caminho só nos fazem nos perder ainda mais . Creio que a fé nos leva a querer aprender e buscar o melhor não só para nós mas principalmente para os nossos semelhantes e assim um dia realmente chegaremos as respostas verdadeiras...

muito obrigada por essa partilha,

abraços fraternos

Gisele