2 de janeiro de 2010

Quando se vive em gratidão



Chesterton deixou-se encantar sempre, qual criança, pelo mistério da existência. A sua alegria e seu sentido de humor revelavam esse deslumbramento perante a vida, que o caracterizava. Por isso, considerava que não devemos dar por adquirido, nem aquilo que temos, nem quem nós somos.

No seu livro mais popular, Ortodoxia, diz-nos que «o teste de toda a felicidade é a gratidão. As crianças ficam gratas quando o Pai Natal põe brinquedos ou doces na sua meia de Natal. Não deveria eu ficar agradecido ao Pai Natal quando ele coloca o maravilhoso presente que é ter duas pernas? Agradecemos às pessoas as prendas de aniversário. Mas será que poderei expressar a minha gratidão por essa prenda de aniversário que é o nascimento?»

O argumento de Chesterton é simples. Em vez de se deter na explicação de que, de facto, a vida não nos pertence nem nos é devida; Chesterton limita-se a constatar o apaziguamento, a ausência de angústia e a alegria que a atitude de gratidão comporta.