1 de janeiro de 2010

"Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação"


A propósito da Mensagem do Papa Bento XVI para o XVIII Dia Mundial da Paz

O tema escolhido pelo Papa Bento XVI para sua mensagem a propósito da celebração do Dia Mundial da Paz não podia ser mais oportuno. É ainda bem recente o rotundo fracasso da Cimeira de Copenhaga no esforço de estabelecer metas comuns para travar a degradação ambiental do planeta, nomeadamente o aquecimento global. Não obstante os graves conflitos que fazem da paz uma longínqua miragem para milhões de seres humanos em várias regiões do mundo, novos perigos, inerentes ao desleixo, senão ao abuso, em relação à terra e aos bens naturais, ameaçam a harmonia e a paz da humanidade.

Ao longo do último século a solidariedade foi progressivamente alcançando uma escala global. Felizmente estamos mais despertos para acudir às necessidades dos nossos semelhantes mesmo quando a distância física que deles nos separa é à escala planetária. Precisamos cultivar, e com urgência, uma “leal solidariedade entre gerações”. Como afirma o Papa Bento XVI, “o uso dos recursos naturais deverá verificar-se em condições tais que as vantagens imediatas não comportem consequências negativas para os seres vivos, humanos e não humanos, presentes e vindouros; que a intervenção do homem não dificulte o destino universal dos bens; que a intervenção do homem não comprometa a fecundidade da terra para benefício do dia de hoje e do amanhã”. “A crise ecológica manifesta a urgência de uma solidariedade que se projecte no espaço e no tempo”.

É certo que os graves problemas ecológicos que ameaçam comprometer o futuro da humanidade só podem ser enfrentados mediante o compromisso sério e responsável dos governos de todas as nações, a começar pelas mais ricas e industrializadas. Tal não significa, contudo, que o compromisso para com o ambiente não diga respeito a cada um dos cidadãos. Seria um erro grave admitir que os problemas podem ser resolvidos a um nível superior sem uma mudança de atitude de cada indivíduo. A preservação do ambiente a salvaguarda de recursos para as gerações vindouras “põe em questão, afirma o Papa, os comportamentos de cada um de nós, os estilos de vida e os modelos de consumo e de produção hoje dominantes, muitas vezes insustentáveis do ponto de vista social, ambiental e até económico”. “Torna-se indispensável uma real mudança de mentalidade que induza a todos a adoptarem novos estilos de vida, «nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunhão com todos os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento»”.

Poderia pensar-se, porventura, que o tema da ecologia, pela sua relativa novidade, poderia receber do cristianismo fraca contribuição, tanto mais quer não falta quem acuse a tradição judaico-cristã de estar na origem da mentalidade consumista e exploradora que acabou por conduzir à presente crise ecológica. Se quisermos ser justos, contudo, havemos de admitir que o respeito para com o ambiente não é de modo algum um tema lateral para o cristianismo. Para o cristão, a natureza não é fruto duma qualquer necessidade, dum destino cego ou do acaso, mas criação de Deus. Ocupando um lugar privilegiado no seio da natureza, o ser humano é convidado a construir a harmonia entre Deus e a criação. O mandato primordial de Deus ao homem, que podemos encontrar no Livro do Génesis, diz justamente respeito à criação e “não consistia numa simples concessão de autoridade, mas antes num apelo à responsabilidade”.

“A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade”, conclui o Santo Padre, “será, sem dúvida alguma, facilitado pelo reconhecimento comum da relação indivisível que existe entre Deus, os seres humanos e a criação inteira. Os cristãos, iluminados pela Revelação Divina e seguindo a Tradição da Igreja, prestam a sua própria contribuição. Consideram o cosmos e as suas maravilhas à luz da obra criadora Pai e redentora de Cristo, que pela sua morte e ressurreição, reconciliou com Deus «todas as criaturas, na terra e nos céus» (Cl, 1, 20)”.


3 comentários:

Maria Lúcia disse...

PAZ! PAZ!

Amália disse...

Olá Bruno,
Gostei muito do seu artigo e subscreve-o na integra.
É sem dúvida necessário que cada um de nós tenha um estilo de vida de respeito pelo ambiente e pelo próximo. Cada um à sua medida tem uma quota parte de responsabilidade, e como cristãos essa responsabilidade é acrescida.
É bom ter um Papa com uma visão abrangente,que vai alertando os homens para as realidades de hoje. Pode ser que as pessoas poderosas algum dia o oiçam, porque parece que andam um bocadinho distraídas. Nós por vezes também.
Um abraço
Amália

freefun0616 disse...

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