24 de março de 2010

de Marco Aurélio, o imperador estóico:

"Corpo, alama, inteligência. Pertencem ao corpo as sensações; à alma os instintos; à inteligência os princípios. Receber impressões do que se pode ver, disso até as bestiagas são capazes. Ser zarandeado como marionetas pelos instintos, são disso muito capazes as bestas-feras, os andróginos, os Fálaris e os Neros. Tomar por guia a inteligência rumo ao que se apresenta como dever nosso também disso são capazes os que não respeitam os deuses, traem a pátria, cometem todas as tropezas à porta fechada. Se tudo o mais é comum aos seres de que falámos, privilégio do homem de bem é fazer acolhimento com alegria e amor ao que lhe sucede e vem entretecido na trama da sua vida; é de não deixar imiscuir-se nem perturbar no formigueiro das ideias o génio que estabeleceu morada no seu íntimo; velar porque ele se mantenha sem agravo, obedeça, como é bem, a Deus, sem soprar palavra contrária à verdade, nem perpetrar acção contra a justiça. Mesmo que os homens todos recusem acreditar que essa vida é recta, modesta e bem humorada, ele não está atrelado a ninguém e não se desvia uma polegada do caminho que leva ao termo da vida, termo a que nos cumpre chegar puros, calmos, livres de entraves e numa perfeita harmonia com o destino."

Marco Aurélio

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