21 de março de 2010

Unidos em Cristo

Aproxima-se a Páscoa do Senhor. Antes, ainda em tempo de Quaresma, viveremos a Sua Paixão e Morte. Só com esta experiência poderemos experimentar e viver na Sua Ressurreição. A certeza da vida eterna prometida pelo Senhor Jesus anima-nos a viver os nossos sacrifícios, as dificuldades do dia-a-dia; a desejar essa Alegria já e a fazer a nossa vida concorrer para ela.


Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes? O Deus de Israel anuncia ao Seu povo o regresso do exílio. É esta Esperança em Deus que permite aquele Povo viver o cativeiro, o exílio e regressar à terra prometida. É esta Esperança que o faz esquecer o passado tormentoso e, ao mesmo tempo, apoiar-se nele para se lembrar de todo o bem que o Senhor fez, como tinha prometido. Eles sabiam que havia de chegar o Messias e, com Ele, a salvação. Jesus, que não veio para revogar as leis dos Antigos, mas para lhes dar um novo sentido, Ele próprio, Palavra do Pai feita Carne, como nós…


Por Jesus Cristo, meu Senhor, renunciei a todas as coisas e considerei tudo como lixo, para ganhar a Cristo e n’Ele me encontrar …e em Quem Paulo acreditou. É no Senhor Ressuscitado que Paulo põe a sua Fé. Nunca viveu com Jesus – como nós não vivemos – mas não pôde duvidar do testemunho que lhe chegou e o levou a converter-se de todo o coração. O mesmo testemunho nos chega hoje, pela Igreja, que correu os tempos para nos trazer a mesma Boa-Nova, o mesmo Evangelho, para que possamos também nós ter onde sustentar a nossa Fé. Paulo foi alcançado pelo Senhor Jesus e, por isso, não parou de correr, não se cansou de O anunciar.


Ficou só Jesus e a mulher Aquela mulher que nunca fora amada, experimenta o Amor na pessoa de Jesus, que não a condena (nem condena aqueles que a queriam apedrejar). O mesmo Amor que podemos experimentar se nos abrirmos a Ele de cada vez que falhamos, em vez de nos fecharmos em nós mesmos e na culpa que sentimos e nos pesa. Quando nos sentirmos sós – mesmo rodeados de gente – é que havemos de ficar a sós com Aquele que nos ama sem medida, como àquela mulher.


As três leituras lembram-nos que o caminho para o Senhor, mesmo obrigando a dificuldades e renúncias é em frente: Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados; Só penso numa coisa: esquecendo o que fica para trás, lançar-me para a frente; Vai.

É por este mandamento de Jesus que esperou Israel. É este Vai que moveu Paulo, o mesmo Vai que fez aquela mulher mudar de vida. E a nós, onde nos manda Jesus? Deixou-nos Pedro e a Igreja, Homens e Mulheres que renunciaram a tudo por se identificarem com Jesus, seu único Senhor. e viverem assim a sua Alegria - verdadeira e completa. É um desafio a vivermos unidos, filhos do mesmo Pai e, por isso, todos irmãos.


Neste tempo que falta de Quaresma, não pensemos que “já está”. Não façamos desta Páscoa mais uma igual às outras. Sejamos cada um a penitência, o jejum e a esmola para que não seja só mais uma coisa na nossa lista de afazeres. Ou seja, sejamos nós testemunhos desta Passagem, onde quer que nos encontremos, com a certeza de que estamos muitos juntos e estamos todos unidos em Cristo.



Leituras: Is 43, 16-21; Salmo 125 (126), 1-6 (R. 3); Filip 3, 8-14; Jo 8, 1-11

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