18 de março de 2010

Valores

Paz, Justiça e Alegria. Desconfio que se apresentasse estes três valores como projecto de vida me poria de acordo com a vasta maioria da humanidade. São os valores, como a palavra indica, conceitos de finalidade que têm um valor capital nas nossas vidas e pelos quais nos procuramos reger ou pelo menos aceitamos que seria bom regermo-nos por eles, ainda que falhemos na sua prática.
Mas o valor concentra na palavra que o traduz uma carga absoluta. São palavras grávidas de uma outra coisa, ainda para além do que significam… são ideias que sempre imaginamos de modo mais perfeito do que alguma vez as possamos viver. São sonhos que suplicam uma transformação… pedem realidade!
Penso que temos valores porque nos sentimos frágeis de alguma maneira. E a palavra suporta-nos e conforta-nos…. Se temos valores, porque é que não mudamos? Porque é que eles não se tornam realidade? Porque não se cumprem com aquela urgência sonhada? “É urgente o Amor” canta o poeta.

Sim, as palavras confortam-nos, mas não se bastam. Creio que é na fragilidade, mais do que no significado, que o caminho do presente se abre à consumação da vida humana… é na minha fragilidade que eu descubro a porta da verdadeira alegria! Até à mais profunda comoção de mim mesmo, sinto-me humano, vivo, cheio de esperança, ou até de dor…
Somo frágeis!! Eis a grande descoberta humana… Somos frágeis e tudo devemos… A quem? Não sei. Tudo devemos…

Pergunto-me… que é isso a Paz? Que é isso a Justiça? Que é isso a Alegria?
Quem o saberá?

“É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.”

Poema de Eugénio de Andrade

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