26 de abril de 2010

Acabei por ver...


Série Human Motions de Peter Jansen : toda a impressionante sequência do movimento é reproduzida num único momento de uma escultura parada… simultâneamente o movimento parece não ter fim e a escultura mexe-se.


Comecei por ver um vídeo no youtube: as recentes imagens do Sol que a NASA forneceu. Depois, displicentemente, fui vendo outros vídeos, clicando naqueles que iam aparecendo, sugeridos pelo próprio youtube. Passado mais de uma hora eu ainda ali estava a ver vídeos. Ia vendo, reflectindo, admirando… a certo momento, um click! Stop, tenho que me levantar daqui e ir deitar-me. Mas antes decidi carregar no canto superior esquerdo, no botão “retroceder uma página”. E assim fui retrocedendo, primeiro uma página, depois outra e, por aí fora todo o caminho que distraidamente fui fazendo… (ou em vez de “por aí fora” deveria dizer “por aí dentro”?). Revi todos os passos e todos os lugares desta hora… Mas o que eu vi foi admirável, o que eu vi foi que rever era ver. Vi que o que eu tinha estado a fazer não foi mera distracção. Distracção teria sido não rever, não reviver, não renovar… teria sido distracção e falta de esperança. Porque, afinal, esperar é não deitar fora o tempo. E não deitar fora o tempo, é vivê-lo… vivê-lo a sério. Como quem recebe o outro, no espaço que lhe dá. Mas onde?

Como dizia um célebre slogan: “recordar é viver”! Como jesuíta percebi uma coisa, a vida de Cristo em nós torna-se clara nesta esperança que é trazer à memória, levar ao coração (recordar) … isto é o exame de consciência! Não para me condenar a mim mesmo, mas para continuar, num tempo sem descontinuidades absolutas. Assim, dia a dia, noite a noite, se derrama a eternidade no “hoje”. E isto, para mim e por incrível que pareça, é que é viver na graça e no perdão (nesse “dom” que nos quer “acompanhar”).

Bom, são já muitas palavras para descrever esta coisa só, que é no acolher o dia que ele se torna claro.
Mas então vou continuar a perder tempo no youtube? Bem, como já disse não perdi tempo, não foi mera distracção. Mas então isso significa que não tenho que mudar nada? Sim e não.
Como será, então, amanhã? Não tenho uma ideia clara sobre isso, mas sei com quem estive e que, amanhã, nada será igual.

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá e obrigado Filipe!
Não compreendo tudo - mas gosto muito.