25 de abril de 2010

DAR A VIDA | DAR VIDA

Continuamos no tempo pascal, tempo em que a Igreja, nós, vive de forma especial esta alegria que é A VIDA com Jesus Cristo Ressuscitado. Este IV Domingo do tempo de Páscoa é também conhecido como o Domingo do Bom Pastor.

Ao ouvirmos a palavra “pastor”, de entre várias que poderemos ter na memória, uma das imagens que possivelmente surge mais rapidamente é a do pastor de um rebanho de ovelhas. De alguém que dedica a sua vida a ajudar, proteger, reunir, cuidar, alimentar, …, todo o rebanho, preocupando-se com cada uma das ovelhas e com o rebanho como um todo. Não parece ser muito difícil imaginar uma pessoa assim. Ou porque já nos cruzámos com alguma, ou porque alguém nos contou ter-se cruzado com alguma, ou porque vimos nalgum filme, documentário, vídeo do youtube, lemos nalgum livro, etc. Mais, pelas características do serviço que um pastor dedica a um rebanho, não parece ser difícil imaginarmos, se é que não o vimos ao vivo, um pastor bom, um pastor dedicado, um pastor preocupado, um pastor cuidadoso, um pastor incansável, … E, sendo assim, a nós, humanos, parece-nos de facto difícil poder existir alguma ovelha que não siga o seu pastor. Nele, com ele, tem possibilidade de encontrar tudo o que precisa.

É isto mesmo que Jesus, o Bom Pastor, nos diz através do Evangelho de São João que hoje se lê em todo o mundo.

Mas, neste Evangelho, Jesus diz mais, diz que, como Bom Pastor, dá a vida eterna às suas ovelhas. Este “dar a vida eterna” traduziu-se com o dar a própria vida por cada um de nós: “É por isto que meu Pai me tem amor: por Eu oferecer a minha vida, para a retomar depois. Ninguém Ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente.” (Jo 10, 17-18). E também, como diz o próprio Jesus, com essa vida que Ele nos dá, nunca havemos de perecer (Jo 10, 28). DAR A VIDA é sinónimo de DAR VIDA.

Mas, que significa isto tudo para o homem? Se calhar, voltando à imagem do pastor e do rebanho das ovelhas, poderá ser fácil imaginar como vivem as ovelhas. Saber como é que o pastor, entregando a sua vida por elas, lhes dá vida. Mas e quanto ao homem? O homem de que vive? Quem entrega a vida por ele?

O Papa Bento XVI, sucessor de Pedro, a quem Jesus pediu para apascentar as Suas ovelhas, é o actual Pastor Universal da Igreja Católica. Diz-nos ele:” O homem vive da verdade e do ser amado, do ser amado pela Verdade. Tem necessidade de Deus, do Deus que vem ter com ele e lhe explica o significado da vida, indicando-lhe assim o caminho da vida. Certamente, o homem precisa de pão, precisa do alimento do corpo, mas no mais íntimo de si mesmo precisa sobretudo da Palavra, do Amor, do próprio Deus. Quem lhe der isto, dá-lhe «vida em abundância». E deste modo liberta também as forças pelas quais ele pode sensatamente modelar a terra, pode encontrar para si e para os outros os bens, que podemos possuir apenas mutuamente.” (in Jesus de Nazaré, Lisboa, A Esfera dos livros, 2007, p. 349)

Perante isto, aquele que, pela fé, aceita a palavra de Jesus e adere à Sua Pessoa, fica estreitamente unido a Ele. Ele é que dá a Vida. Jesus diz: “As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-me.” (Jo 10, 27) Jesus estabelece com cada um dos que O seguem uma relação única, de profunda intimidade, caracterizada por um conhecimento mútuo e uma amizade recíproca, que levam a uma comunhão de vida: Jesus comunica àquele que acredita n’Ele a Sua vida, a vida mesma de Deus, a vida que não morre.

É o próprio Pai que nos dá a Vida pois “o conhecimento que liga Jesus com os seus situa-se no âmbito da sua união com o Pai.” (Ratzinger, Joseph. Jesus de Nazaré. Lisboa, A Esfera dos livros, 2007, p. 353)

Quem não conhece homens e mulheres que deram, dão, a vida pelos outros? Que, tendo RECEBIDO A VIDA, DÃO VIDA aos outros?

Que faço eu?



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