7 de abril de 2010

Descida Aos Infernos | parte dois


No topo está escrito em eslavo: Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus, no centro, segura Adão com a Sua direita e, com a esquerda, segura Eva. Ajuda-os a sair do túmulo. Atrás deles estão os reis David e Salomão, e o profeta João Baptista, escondido atrás de Jesus. Atrás de Eva, vestido de pele de animal, encontra-se Abel. Mais atrás, Moisés com as tábuas da lei. Os outros são patriarcas e profetas que viveram antes de Jesus. Jesus está no centro, Ele é o centro do mistério pascal.


Creio que esta imagem da descida de Cristo aos infernos pode responder-nos à pergunta: o que nos garante que a ressurreição vem saciar esta sede? As imagens da descida aos infernos inspiram-se na Carta de S. Pedro, nos Actos dos Apóstolos e nas Odes de Salomão, um dos primeiros cristãos.


Ora, para os primeiros cristãos o sofrimento do Filho de Deus era um escândalo. Assim, uma das primeiras tentações na história da Igreja foi acreditar num Cristo que, sendo mais Deus do que homem, não tinha sofrido assim tanto quanto se podia imaginar. Mas onde ficava a solidariedade de Deus para com todos aqueles que sofrem, a quem Ele dá ânimo pela comunhão nos mesmos sofrimentos?


A ideia da descida de Cristo aos infernos foi para enfatizar a humanidade deste Cristo que se aproxima da nossa condição. Vivendo o humano na Sua carne: Jesus assume-o, contesta-o, absolve-o e eleva-o.


Naquela altura o inferno não era tomado como o lugar dos maus. Era um lugar físico onde todos aqueles que haviam morrido, esperavam a Vi(n)da de Deus. Neste sentido, Cristo desceu para dizer, àqueles que já haviam perdido a fé e a esperança, que a vida plena era uma dádiva, nEle realizada.


As principais figuras do ícone são Cristo, Adão e Eva. Segurando-os, Deus assegura-lhes um perdão que vivifica, chamando o homem àquele novo Adão a que S. Paulo se refere.


Mas em que nos sacia este perdão vivificante?

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