6 de abril de 2010

Uma Sede de Vida Plena | parte um

Quando, no Youtube ou no cinema, vemos filmes sobre a imortalidade ou sobre a ressurreição, reparámos que há sempre alguma coisa que falta. Uma falta de realismo ou excessivo antropomorfismo, que permanece sempre aquém de saciar uma ânsia de plenitude que marque e dê chão ao nosso desejo. O que é que aconteceu naquela noite que transformou o Sábado da espera em Domingo da Páscoa?


A ressurreição permanece um mistério, pois não se confunde com uma reanimação biológica do corpo de Jesus. No salmo 16, o salmista diz a Deus: “não me deixarás conhecer a sepultura”. É neste sentido que a ressurreição deve ser entendida, enquanto acto de intimidade entre o Pai e o Filho que, em Jesus, responde a um querer profundo e quotidiano do humano: não deixar de ser.


Diz Miguel Sousa Tavares: comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre. Junto-lhe a frase de Gabriel Marcel: Amar é poder dizer: “Tu não morrerás nunca!”. Muito embora, diante da morte, as perspectivas destes dois autores seja diferente, ambos falam da relação como caminho de saciação desse desejo profundo de plenitude. Este, por estar tão enraizado no ser humano, faz com que o conhecimento da ressurreição do Senhor não seja uma aspiração a novos conhecimentos, mas antes de mais um desejo de intimidade.



Contudo, mesmo sabendo que há uma sede de vida plena em cada ser humano, o que nos garante que a ressurreição vem saciar esta sede?



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