18 de abril de 2010

Pedro, Sumo Pontífice

III Domingo da Páscoa


No Evangelho de hoje, Pedro tem um papel fundamental, com um duplo ensinamento: a universalidade da Igreja e o Amor.


A universalidade da Igreja. O Ressuscitado já apareceu aos Apóstolos: já O viram a comer consigo, a andar com eles no caminho, Tomé já pôs os dedos nas feridas. Os Apóstolos estavam juntos, de volta ao seu ofício de pescadores. Eis que Simão Pedro diz que vai pescar e todo o grupo o segue. Também nos nossos grupos há alguém que, naturalmente, lidera, outros que seguem, cada um com os seus talentos naturais.

Passaram a noite sem nada apanhar. Cansados, desmotivados, com fome; nada tinham para comer nem para dar de comer a quem lhes pedia.

Tendo um deles reconhecido o Senhor, é Pedro quem se atira ao mar e faz a ponte entre o barco e o Senhor. Na Igreja, há uma Cabeça – o Santo Padre – instituída desde Pedro para fazer a ponte entre os que apanham as redes e o Senhor. E a rede, mesmo cheia e pesada, não rebentou: sinal de que na Igreja há espaço para cada um, que não há gente a mais, todos somos convidados a entrar nela, todos somos puxados para o barco e dali levados a terra, onde o Senhor nos espera com o verdadeiro alimento: é Ele o Pão da Vida.


O Amor. Depois da refeição, Jesus pergunta três vezes a Pedro se ele O ama. A língua original do Evangelho (o grego) distingue entre estes verbos: na primeira e segunda perguntas – Tu amas-me? – Jesus interroga Pedro com um verbo de amor mais divino, profundo, intelectual (agapâs me = amas-me?) e Pedro responde com um verbo de amizade (filô se = gosto de ti). À terceira vez, Jesus já não pergunta agapâs me, mas usa o verbo da resposta de Pedro. O amor que Jesus pedia a Pedro era a mais perfeita forma de amar, que este – limitado pela sua condição humana – não podia dar como resposta ao pedido de Jesus.

Mesmo assim, Jesus pede a Pedro que apascente os seus cordeiros e ovelhas, que seja nosso Pastor, aquele que nos guia.


O Pontífice e Pastor, a nossa Cabeça, mantém a unidade dos católicos entre si e com Deus; não como quem manda, mas como quem serve. É o Papa, homem como nós e escolhido de entre nós suscitado pelo Espírito Santo, que nos guia e orienta. Actualmente, o Papa Bento XVI. Nas palavras de S. Inácio de Loiola: “devemos ter o espírito preparado e pronto para obedecer em tudo à verdadeira Esposa de Cristo nosso Senhor, que é a nossa santa Mãe e Igreja hierárquica, porque creio que entre Cristo nosso Senhor, esposo, e a Igreja, sua esposa, não há senão um mesmo Espírito que nos governa e dirige para a salvação das nossas almas (Exercícios Espirituais).


Já temos o mandamento de Jesus, o do Amor. Sabemos que na Igreja há lugar para todos, sem classes, apenas trabalhando cada um naquilo que o Senhor lhe pede, concorrendo todos para o mesmo Bem. E sabemos que o Senhor nos pede que amemos da forma mais perfeita, superando as nossas limitações humanas.

Esta semana, peçamos a graça de amar com este amor divino – agapê –: Deus, a Igreja e o Papa, os nossos Irmãos e a nós prórpios.


Leituras: Actos 5, 27b-32.40b-41; Salmo 29 (30), 2.4-6.11-12a.13b (R. 2a ou Aleluia); Ap 5, 11-14; Jo 21, 1-19



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