13 de junho de 2010

Os teus pecados estão perdoados

O que espanta o homem no perdão é a capacidade de amar daquele que perdoa. Quantas vezes não sentimos já ser acolhidos incondicionalmente, depois de estarmos humilhados e arrependidos? O perdão e o amor estão intimamente ligados: o amor alcança o perdão e o perdão é fonte de amor. É de amor que nos falam as leituras deste Domingo: do Amor de Deus, d'Ele próprio.

David reconhece o seu pecado e Natã garante-lhe o perdão de Deus. Pela Sua benignidade, Deus perdoa David, porque ele se abre a acolher esse Amor. Deus não Se impõe em nenhuma circunstância; é desde a nossa liberdade que podemos aderir a esse oferecimento do Senhor, que é Ele próprio.

Paulo, como nós, vive com o Ressuscitado, Jesus Cristo, que viveu e padeceu na Cruz e agora vive eternamente. É à Cruz que Paulo vai buscar a certeza da sua fé; é na entrega do seu Senhor que Paulo reconhece o Amor, por isso só deseja e só pode desejar que Cristo viva nele.

Podemos cumprir os mandamentos, como o jovem rico e convidar Jesus para nossa casa, como Simão, o fariseu; podemos dar-Lhe de comer, apresentar-Lhe os nossos amigos. Mas é preciso uma entrega maior que esta: não se trata de dar tudo, é dar-me todo. A conversão é da pessoa toda e não deste ou daquele aspecto. E aqui está esta mulher, uma pecadora conhecida por todos e que para todos estava perdida. Jesus não olha para ela como uma louca ou sem esperança. Ela converte-se, prostra-se aos pés do Senhor, lava-os e unge-os, beija-os, reconhecendo o Amor que transborda d'Aquele Homem. Salvou-a a sua fé, converteu-a Aquele Amor, partiu em paz, com epserança no seu futuro, em si.

Todos somos chamados à conversão. Por sermos homens e mulheres, o nosso Amor nunca será assim puro e incondicional. Teremos sempre limites a amar como Jesus nos ama, mas isso não nos pode impedir de amar e, mais ainda, deixarmo-nos ser amados. Temos de converter os nossos egoísmos, aquelas pequeninas coisas que, às vezes, nos fecham aos outros.
Com Jesus - Deus feito homem como nós - somos chamados a viver humanamente e divinamente. Deus não está fora de nós, mas em nós: somos obra das Suas mãos e Seus filhos muito amados. A verdade é que os nossos limites humanos não nos deixam viver plenamente a nossa vida divina, experimentar esse Amor que Se nos quer dar e dar-Se através de nós.

A palavra pecado tem origem na palavra grega amarthia, que significa falhar o alvo. O centro da nossa vida é Cristo, no centro da vida de Paulo estava Cristo e só assim o Apóstolo se esqueceu de si - "vivo animado pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim".
O perdão é a suprema gratuidade do amor, é a forma do amor de Deus pelo homem se manifestar. O amor do homem por Deus é esse desejo de conversão, essa contrição de coração. Em Cristo na cruz vemos a unidade deste amor, a nossa redenção.

Então, hoje, onde preciso de deixar entrar o amor de Deus e ser perdoado? Que tenho de converter em mim? O que me falta para que o Senhor seja o centro do meu alvo e, assim, possa viver plenamente a minha condição humana e a minha condição divina?


DOMINGO XI DO TEMPO COMUM: 2Sam 12, 7-10.13; Salmo 31 (32), 1-2.5.7.11 (R. 5c); Gal 2, 16.19-21; Lc 7, 36-8,3.

foto: Pedro Luz sj

4 comentários:

Anónimo disse...

Os pecados da igreja estão perdoados...
se deixarem de explorar e parasitar a sociedade...

A concordata... uma vergonha.
A subsídio dependência das IPSS... uma vergonha.
Pedir dinheiro nas missas... uma vergonha.

Os pecados da igreja estão perdoados...
se deixarem de explorar e parasitar a sociedade...

Alexandre disse...

Caro Pedro,

Pode explicar:
"A palavra pecado tem origem na palavra grega amarthia, que significa falhar o alvo. "?

Na minha ignorância a palvra pecado é muito, MUITO, diferente de amarthia ou hamartia...

E pecado tem origem no latim "peccätu" "peccatöre".

"hamartia" é erro no sentido de "errar o alvo", isto é, errar a morada...

O grego sempre teve mais poesia do que o rigor matemático do latim, mas uma palavra tão diferente...

saudações,
Alexandre

samuel disse...

Caríssimo,

Uma concordata é um tratado de direito internacional entre a Santa Sé e um Estado soberano, a fim de estabelecer as devidas relações diplomáticas entre os dois Estados. Em Portugal, a primeira concordata foi assinada em 1940 e foi substituída pela concordata de 2004, assinada pelo então Primeiro-Ministro Durão Barroso. Esse tratado reforça alguns direitos já consagrados na Constituição da República Portuguesa, como o direito à liberdade religiosa e o reconhecimento da soberania de um Estado de direito pelo Estado português (no caso, o Estado do Vaticano). Também reconhece as festividades católicas e os feriados católicos, em concreto, o Domingo e outros dias festivos como, por exemplo, o dia do Corpo de Deus que celebrámos no passado dia 3 de Junho, ou o dia 15 de Agosto (dia da Assunção de Nossa Senhora), ou o dia 8 de Dezembro (Imaculada Conceição de Nossa Senhora), dias em que estou certo o Caro Amigo dedica ao trabalho. Regula a lei e a distinção entre o casamento civil e o casamento religioso e reconhece a personalidade jurídica das instituição vinculadas à Igreja Católica, que cumprem os mesmos direitos e deveres que qualquer pessoa colectiva. Ainda a Educação Religiosa nas escolas – disciplina opcional – é assegurada nesta concordata.

Como podemos ler no site da Segurança Social – Ministério do Estado Português –, “as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) têm por finalidade o exercício da acção social na prevenção e apoio nas diversas situações de fragilidade, exclusão ou carência humana, promovendo a inclusão e a integração social, desenvolvendo para tal, diversas actividades de apoio a crianças e jovens, à família, juventude, terceira idade, invalidez e, em geral, a toda a população necessitada”. A Igreja Católica sempre teve como Missão ajudar os mais carenciados; aliás, é um preceito evangélico, deixado por Jesus. Sempre vimos a Igreja ao longo da História abrir hospitais, escolas e asilos. Constituir instituições como IPSS é o modo que a Igreja Católica tem de chegar a esses que mais precisam. Como seguramente saberá, os subsídios são recebidos de igual modo por qualquer IPSS – católica ou não –, pois os escalões são fixados pelo Ministério da Segurança Social.

Por fim, pedir dinheiro nas Missas, penso que está tudo explicado nas suas palavras. É pedido, não exigido; nas Missas, onde acorrem os fiéis católicos. A esmola é pedida na medida em que pode ser dada e é usada conforme as necessidades sentidas. É evidente que parte desse dinheiro é canalizada para sustentar a manutenção das paróquias e para a subsistência dos padres que aí exercem o seu ministério: “o trabalhador merece o seu salário” (Lc 10).

O pecado é uma ofensa a Deus, é um desvio ao mandamento do amor: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Sendo assim, esta ofensa só importa aos crentes, pois só a eles é pedido que se emendem e voltem à comunhão com Deus e com os seus irmãos, a Igreja. Os crentes sabem da misericórdia de Deus, porque a experimentam; não se trata de castigo, mas de ser acolhido pela magnanimidade do amor de Deus.

Cordialmente,
samuel sj

samuel disse...

Caro Alexandre,

deixo-lhe aqui a fonte.

Rom 5, 12: “Por isso, tal como por um só homem entrou o pecado no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte atingiu todos os homens, uma vez que todos pecaram”.
No texto grego, podemos ler em vez de pecado a palavra amartia. Na Vulgata, podemos ler pecado. Nesta referência a Adão como aquele por quem entrou o pecado no mundo, S. Paulo quer dizer-nos que foi Adão quem falhou na relação com o seu Senhor.

cumprimentos,
samuel sj