5 de junho de 2010

Sete contra-argumentos, contra a moralidade da adopção por homossexuais - Parte 2 (2/4)

No post anterior, tinha colocado uma resenha de 7 argumentos contra a adopção por homossexuais. Neste post, coloco a contra-argumentação que é feita aos 7 argumentos anteriores. Cada número corresponde ao argumento do post anterior, então a resposta ao argumento (1) é o (1'), e o do (5) é o (5').



(1’)
Também muitas crianças são criadas por famílias mono-parentais, como por exemplo por pais solteiros, ou viúvos, ou até divorciados. E, no entanto, estas crianças não apresentam prejuízos emocionais, como aqueles que se procuram querer atribuir às crianças educadas por homossexuais. Um exemplo disso é o período do pós-guerra, em que geralmente muitas crianças perdem um dos seus pais. Ao longo da história foram inúmeras as crianças educadas por famílias mono-parentais.
(2’) A maior parte dos homossexuais existentes provêem de famílias heterossexuais. E se a homossexualidade não é considerada imoral, então a verificar-se uma maior probabilidade das crianças a tornarem-se homossexuais, isso não será em si nenhum problema moral. Visto que a homossexualidade não é moralmente condenável em nenhum aspecto. Além disso, não existem estudos que suportem que as crianças incorrerão numa maior probabilidade de se tornarem homossexuais.
(3’) A homossexualidade já não é considerada nem uma patologia, nem um distúrbio comportamental. O problema é que a heterossexualidade continua a ser pensada como a única forma de normalidade, e a homossexualidade vista como algo negativo e prejudicial. Também existem inúmeros casos de casais heterossexuais, que criam crianças e, que não possuem o equilíbrio psicológico e emocional mínimo necessário. Além, de que a proporcionalidade de crianças retiradas às famílias heterossexuais é muito superior, às que são retiradas a casais homossexuais. Também existem inúmeros casos de gravidezes infantis ( por exemplo, em que crianças com 12 e 13 anos irão já ser pais), em que grande maioria dos casos, os jovens pais não possuem a maturidade suficiente para educar uma criança;
(4’) O mesmo acontece em casais heterossexuais, não são os casais homossexuais os únicos detentores desses casos infelizes.
(5’) Não existem estudos que demonstrem uma maior incidência de pedofilia nos casais homossexuais, além de que é a pratica incestuosa que ocorre dentro das famílias, sobretudo entre um familiar e uma menor, a que recolhe maior número de casos de pedofilia;
(6’) Embora este argumento tenha em conta a segurança da criança, ele apenas alcança um problema de discriminação ou estigmatização social da criança, junto das outras crianças. Contudo, esse processo de estigmatização é similar ao que sofrem muitas outras crianças, ou por serem filhas de casais inter-raciais, ou por terem sido adoptadas por casais de etnia diferente da sua. Deste processo de descriminação são também vitimas as crianças portadoras de alguma deficiência, ou por exemplo, de alguma característica física diferente. Convém também salientar, que ao assistir-se a um processo de maior tolerância e de aceitação social da homossexualidade, este problema iria desvanecer-se.
(7’) Este argumento não se verifica. O Colégio Oficial de Psicólogos de Madrid, declarou que, de acordo com os estudos científicos actuais, não pode ser afirmado que crianças educadas por famílias homoparentais viram a sofrer de atrasos no desenvolvimento cognitivo.

5 comentários:

Jaime disse...

Muito boa esta tua resenha de argumentos! Vem balançar o post anterior.

Jaime disse...

Discutir os argumentos pró/contra pode ser interessante do ponto de vista académico, mas acho que falha a verdadeira razão.

A razão porque os crentes não querem a adopção por casais homossexuais é porque acreditam que um deus lhes disse que a homossexualidade é má, o que os leva a não gostarem de homossexuais, e por isso tentam dificultar-lhes a vida (não casarem, não adoptarem, etc.).

Os argumentos são apenas uma tentativa de racionalizar essa atitude contra. Porque não é socialmente aceite simplesmente dizer «não gosto deles, por isso quero prejudicá-los».

alfredo dinis disse...

Caro Jaime,

Há muitas pessoas que são contr a adopção de crianças por casais homossexuais sem serem católicas nem terem qualquer religião. Há pessoas, como o Jaime, que pensam que os católicos têm as posições que têm só porque são obrigados, sem liberdade de pensar cititcamente e por si, a defender as posições da Igreja Católica. Os não crentes que defendem, neste como em outros casos controversos, as mesmas posições da Igreja Católica, mostram que há razões para se defender estas posições que não dependem de posições religiosas.

Saudações,

Alfredo Dinis

Ricardo disse...

Caro Jaime

Não creio que todos os crentes rejeitem a adopção por casais homossexuais, da mesma maneira que todos os não-crentes aprovem a adopção por homossexuais.

Considero errado qualquer tipo de preconceito, e infelizmente os homossexuais continuam a ser discriminados.
Porém, não creio que seja a religião, a fonte de todos os preconceitos. Contudo, infelizmente devo reconhecer que a religião contribui para alguns preconceitos.

Se observar a história da sexualidade, nomeadamente na Grécia Antiga, onde eram permitidas as práticas homossexuais, por exemplo aos cidadãos de Atenas não era permitida numa relação homossexual desempenharem um papel passivo, e podemos nos perguntar porquê este preconceito? O motivo, segundo o que sei, foi por considerarem essa posição como similar à da mulher, que era considerada menor, tanto que uma mulher não podia ser cidadã da pólis.

Por exemplo, ainda na Grécia, na antiga Ionia toda a homossexualidade era proibida, e podemos nos questionar, foi por motivos religiosos? E para não acusar-se já o Cristianismo e o Judaismo, nenhuma destas religiões exerceu influência nesta cidade, onde estas leis são anteriores ao Cristianismo.

Não querendo desculpar, e reconhecendo que a religião ocupou um papel, na descriminação dos homossexuais, devo também dizer que me parece ter sido principalmente uma influencia social na origem e propagação deste preconceito.

Saudações Cordiais,
Ricardo

Anónimo disse...

Comentário ao último comentário:

"reconhecendo que a religião ocupou um papel, na descriminação dos homossexuais"

Deve corrigir-se para:

"reconhecendo que a religião OCUPA um papel, na discriminação dos homossexuais"