9 de julho de 2010

A Igreja Católica e a libertação de prisioneiros em Cuba


“A libertação de 52 prisioneiros políticos dará início “a uma nova etapa em Cuba”, tinha dito horas antes o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Miguel Ángel Moratinos, que acaba de regressar de Havana. Para os EUA é “um passo positivo, mas tardio”, nas palavras da secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton.

Não terá sido totalmente inesperado o anúncio, na quarta-feira, de que o Governo cubano irá libertar 52 prisioneiros de consciência, cinco em breve e outros 47 “em três ou quatro meses”. Para trás ficam vários semanas de negociações entre a Igreja Católica cubana e o Governo e, já esta semana, a visita do chefe da diplomacia espanhola com a questão dos prisioneiros políticos na agenda.

Moratinos, Raúl Castro e o arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega, estiveram reunidos durante mais de seis horas, partilharam refeições e, no fim, a Igreja Católica anunciou que iriam ser libertados os 52 prisioneiros - dissidentes detidos na “Primavera Negra” de 2003, quando o Governo de Fidel Castro ordenou a detenção de 75 opositores.”
(Jornal Público on-line 8.07.10)

Para os que, como Hitchens e Harris, e discípulos, não se cansam de afirmar que a religião só faz mal e envenena tudo, esta notícia poderá ser uma boa ajuda para aprenderem a cultivar uma argumentação objectiva.

5 comentários:

Nuno disse...

"Que o mundo se abra a Cuba e que Cuba se abra ao mundo!" Dizia o Grande Papa João Paulo II.

Parece que vamos ver este regime abrir (e os americanos a ganharem um bocadinho de humildade).

Ludwig Krippahl disse...

Alfredo,

Praticamente tudo o que fazemos tem algo de bom e algo de mau. A medicina, por exemplo, tem muito de bom mas de vez em quando lá se enganam e fazem asneira.

Mas a medicina é boa, todo somado, porque o bem que nos dá é por ser medicina -- as vacinas, os antibióticos, etc -- enquanto que o mal é acidental.

O problema da religião é ser o contrário. O bem que faz, como negociar a libertação de prisioneiros, não exige uma religião. Qualquer organização influente poderia ter feito o mesmo, e a Igreja Católica fê-lo não por ser religião mas por ter influência.

Em contraste, muito mal da religião vem de ser religião. Vem da fé, do apego ao ritual, da subserviência cega às hierarquias, etc.

Por isso, enquanto que se nos livrássemos da medicina livrávamos de alguns acidentes mas ficávamos bem pior, se nos livrássemos da religião ficávamos bem melhor. Porque aquilo que a religião tem de bom pode ser feito sem religião, e sempre nos safávamos do muito que tem de mau.

alfredo dinis disse...

Caro Ludwig,

Tudo o que se faz em nome da religião poderia ser feito sem ser em nome da religião. Estamos no campo das hipóteses. De facto, é isso que acontece? Por que razão em Cuba é a Igreja Católica que faz alguma coisa pelos prisioneiros políticos a ponto de conseguir a sua libertação? E não creias que a Igreja Católica tem, assim tanto poder e influência em Cuba como pensas. As limitações impostas por um regime ditatorial e oficialmente ateu só as sente e conhece bem quem lá está.
Chamo ainda a tua atenção para o facto de estes prisioneiros não serem necessariamente católicos nem crentes, nem o gesto da Igreja Católica se fundamenta em alguma esperança da sua 'conversão'.
Quanto à tua certeza absoluta e sem qualquer dúvida de que o mundo estaria melhor se se eliminassem todas as religiões, eu não tenho assim tantas certezas. É um dos elementos que nos separam. Além disso, é fácil formularf hipóteses que não é possível submeter a prova.

Um abraço e boas férias.

Alfredo

Carlos Ricardo Soares disse...

O Ludwig é impressionante! É a pessoa que conheço que se apresenta com mais percentagem de certezas e menos probabilidades de dúvidas.
Porque será?
Aprendamos pois.
Eu cá, no que respeita à religião, acho que só a compreende e aproveita quem lhe der uma atenção genuína e desinibida de ódios e preconceitos.

wholesale Juicy Handbags disse...

Na segunda carta, A.F. Christian fala precisamente de Deus tal como o "literalista" Dawkins o descreve com todos aqueles adjectivos e mais alguns. E pergunta a seguir

«But don't You see the problem here? The very character of the Judeo-Christian god that has given You such a romp with the adjectives actually turns out to be a pretty big problem for the Atheist side. The point everybody's missing is that this particular god is hard to live with - so hard that the Atheist idea of his having been made up just for the supposed "consolation" of it all is just too LOL [Laugh Out Loud]. Even at his best, he's not the sort of supernatural one can easily cuddle up to. (...)
So You see, ths very scariness of this Judeo-Christian god is seriously bad for us - or at least bad for the Atheist claim that he was invented by people to make them feel better. Because if the human purpose that keeps calling Loser [God] into existence is some deep search for comfort (...) I have to tell You this god is seriously not cutting it for me, and not just for me but for a lot of other people as well.