31 de agosto de 2010

Grandes equívocos do ateísmo contemporâneo



Equívoco fundamental

O maior drama do ateísmo radical não é a sua impossibilidade de demonstrar a inexistência de Deus, mas sim a de estar estruturalmente impedido de conseguir o seu objectivo: erradicar a religião, mesmo que essa erradicação se refira apenas à religião enquanto instituição. Porque das duas, uma: ou tece críticas inteligentes, objectivas e fundamentadas à religião, e nesse caso só pode ser benéfico para ela; ou as suas críticas não são nem inteligentes, nem objectivas, nem fundamentadas e, nesse caso, elas não beliscam a religião.


Oitavo equívoco: a persistência do literalismo bíblico

1. Os ‘novos ateus’ têm uma atracção especial pela Bíblia, citando repetidamente as suas passagens mais chocantes, e recusando-se a afastar-se da interpretação literal sistemática e descontextualizada de tais passagens, à boa maneira do fundamentalismo criacionista e de uma tradição que, embora tenha persistido durante séculos nas Igrejas Cristãs, foi já definitivamente abandonada com base numa hermenêutica actualizada e fundamentada.

2. A interpretação literal bíblia serve perfeitamente a autores como Sam Harris, Vitor Stenger e Richard Dawkins, como aos demais ateus radicais, tanto para mostrar a imagem de um Deus insensível e cruel, como para lançar o descrédito sobre a verdade de narrações relativas a personagens, acontecimentos e afirmações sobre o universo. Vitor Stenger parte do equivocado pressuposto de que nem sequer vale a pena estudar com rigor hermenêuto o texto bíblico: “Todos fomos criticados por não prestarmos suficiente atenção à teologia moderna. Estamos mais interessados em observar o mundo e tirar as nossas ilações destas observações do que debater questões subtis das escrituras que provavelmente não passam de fábulas.” (Vitor Stenger, The New Atheism, p. 13)

3. Dawkins, por seu lado, juntando-se, paradoxalmente, aos fundamentalistas cristãos, não aceita, que se faça uma interpretação bíblica diferenciada, segundo o estilo literário das diversas passagens bíblicas e o contexto histórico e cultural dos textos bíblicos. Em vez disso, ele aceita apenas uma indiferenciada, acrítica e descontextualizada. Afirma com efeito: “É claro que os teólogos mais impacientados afirmarão que já não seguimos o livro do Génesis à letra. Mas é aí que eu quero chegar! Debicamos aqui e além quais as partes das Escrituras em que acreditamos, quais aquelas que pomos de lado como sendo alegorias. Essas escolhas são uma questão de decisão pessoal tanto – ou tão pouco – quanto a decisão do ateu em seguir este ou aquele preceito moral será uma decisão moral desprovida de um fundamento absoluto.” Richard Dawkins, A Desilusão de Deus, pp. 286-287) Mais uma vez Dawkins revela um desconhecimento total das mais elementares normas da hermenêutica textual, seja ela bíblica ou outra. O autor deveria saber que a distinção entre os sentidos literal e metafórico das passagens bíblicas não é de modo nenhum uma questão meramente pessoal e subjectiva. Os numerosos estudos bíblicos mostram bem que há uma base objectiva na interpretação bíblica, e que há critérios objectivos para determinar quando uma passagem deve ser interpretada em sentido literal e quando essa interpretação não é possível, por exemplo, quando entra em contradição com dados provenientes da história, das ciências naturais, etc.

4. Já na Idade Média o cristianismo distinguia quatro sentidos hermenêuuticos na interpretação do texto bíblico: literal, metafórico, moral e escatológico. No início da Idade Moderna Galileu estabeleceu em diversos dos seus textos a diferença fundamental entre a interpretação literal e a metafórica, partindo, além disso, do pressuposto de que a Bíblia não tem como intenção o ensino de conhecimentos que pertence à investigação científica descobrir: “Eu acreditaria que a autoridade das Sagradas Letras tivesse tido em mira apenas persuadir os homens daqueles artigos e proposições que, sendo necessários para a salvação deles, e superando todo o discurso humano, não poderiam tornar-se credíveis nem por outra ciência, nem por outro meio, senão pela boca do próprio Espírito Santo. Mas que aquele mesmo Deus, que nos dotou de sentidos, de discurso e de intelecto tenha querido, preterindo o uso destes, nos dar por outro meio as informações que podemso conseguir por aqueles, não penso que seja necessário crê-lo.” (Galileu Galilei, “Carta a Dom Benedetto Castelli” em Carlos Nascimento (ed.), Ciência e Fé. Galileu Galilei, São Paulo: Unesp, 2008, pp. 20-21). Nesta mesm linha surge uma afirmação de um recente texto da Pontifícia Comissão Bíblica sobre as consequências indevidas de uma interpretação literal de passagnes bíblicas relativas a questões cosmológicas: “O fundamentalismo tem igualmente tendência a uma grande estreiteza de visão, pois ele considera conforme à realidade uma antiga cosmologia já ultrapassada, só porque se encontra expressa na Bíblia; isso impede o diálogo com uma concepção mais ampla das relações entre a cultura e a fé." (www.vatican.va)

5. É por esta razão que a interpretação da narração bíblica da criação do mundo e da vida contida nos três primeiros capítulos do Livro do Génesis não pode ser literal (Cf. Joseph Ratzinger, No Princípio criou Deus o Céu e a Terra, Principia, 2010), uma vez que entra em contradição com os dados da cosmologia contemporânea. No entanto, Dawkins não está interessado neste facto, preferindo colocar-se ao lado dos cristãos fundamentalistas. Esta estratégia é indispensável aos ateus radicais não apenas para criar uma pretensa oposição entre a Bíblia e a ciência, como também para se dedicarem à crítica das posições hermenêuticas fundamentalistas de personalidades públicas e das estatísticas que mostram a grande percentagem de cristãos literalistas, sobretudo nos Estados Unidos. Com esta estratégia argumentativa Dawkins e outros ateus radicais preferem evitar o confronto com posições da hermenêutica bíblica mais actualizadas e adequadas que as do literalismo fundamentalista. Com base na defesa do fundamentalismo bíblico, a obra de Dawkins A Desilusão de Deus está, como se viu, recheada de passagens bíblicas nas quais Deus surge como um tirano e o comportamento ético de muitas personagens de relevo é altamente reprovável e em nada digno de imitação.

6. O literalismo criacionista e fundamentalista que Harris, Dawkins e outros paradoxalmente defendem como correspondendo à atitude hermenêutica mais correcta, serve-lhes não apenas para atacar os que defendem uma hermenêutica não literalista como também para mostrarem a aparente inaceitabilidade do Deus cristão. A estratégia argumentativa consiste no recurso à falácia de tomar uma parte pelo todo. De facto,os autores escolhem apenas algumas passagens dos livros bíblicos, nas quais Deus se manifesta como um ser castigador, cruel, que apenas pode suscitar terror. Esta imagem é em seguida generalizada e apresentada como correspondendo ao ‘Deus bíblico’. Os autores ignoram que os diversos textos bíblicos foram redigidos em épocas, circunstâncias e culturas diferentes, e ignoram igualmente que a Bíblia é considerada pelos cristãos como palavra de Deus mas que é, naturalmente, expressa em linguagem humana. Como afirma um recente documento da Pontifícia Comissão Bíblica sobre a interpretação fundamentalista da Bíblia: “O fundamentalismo foge da estreita relação do divino e do humano no relacionamento com Deus. Ele se recusa em admitir que a Palavra de Deus inspirada foi expressa em linguagem humana e que ela foi redigida, sob a inspiração divina, por autores humanos cujas capacidades e recursos eram limitados. Por esta razão, ele tende a tratar o texto bíblico como se ele tivesse sido ditado palavra por palavra pelo Espírito e não chega a reconhecer que a Palavra de Deus foi formulada em uma linguagem e uma fraseologia condicionadas por uma ou outra época. Ele não dá nenhuma atenção às formas literárias e às maneiras humanas de pensar presentes nos textos bíblicos, muitos dos quais são fruto de uma elaboração que se estendeu por longos períodos de tempo e leva a marca de situações históricas muito diversas.” (www.vatican.va)

7. Tendo tudo isto em consideração, torna-se evidente que se deve distinguir no conteúdo bíblico o que é essencial do que é circunstancial, e que se deve ter em mente o sentido do conjunto dos textos bíblicos. É o sentido do conjunto, bem como a sua contextualização hostórica e cultural, que permite chegar ao sentido coerente de todas as afirmações bíblicas. Isto pressupõe que a descoberta de Deus pelo povo judeu se foi fazendo lenta e progressivamente, ao mesmo tempo que o mesmo Deus se ia revelando lenta e progressivamente. Por conseguinte, há que considerar que a imagem de Deus que se encontra na Bíblia é um ‘conjunto de imagens’ sucessivas cujo pleno significado se atinge somente em Jesus Cristo.

P. Alfredo Dinis,sj

30 comentários:

Miguel Oliveira Panão disse...

Caro P.Alfredo,

acabei ontem de ler um livro romance muito interessante "The Loser Letters" de Mary Eberstadt, onde um personagem A.F. Christian (A Former Christian) escreve aos seus BFF (Best Friends-Forever) novos Ateus para lhe dizer o que devem evitar para conseguirem mais "conversões". É uma sátira à moda de C.S.Lewis ("The screwtape letters") com um toque humorístico contemporâneo e uma crítica bem feita ao Novo Ateísmo.

Na segunda carta, A.F. Christian fala precisamente de Deus tal como o "literalista" Dawkins o descreve com todos aqueles adjectivos e mais alguns. E pergunta a seguir

«But don't You see the problem here? The very character of the Judeo-Christian god that has given You such a romp with the adjectives actually turns out to be a pretty big problem for the Atheist side. The point everybody's missing is that this particular god is hard to live with - so hard that the Atheist idea of his having been made up just for the supposed "consolation" of it all is just too LOL [Laugh Out Loud]. Even at his best, he's not the sort of supernatural one can easily cuddle up to. (...)
So You see, ths very scariness of this Judeo-Christian god is seriously bad for us - or at least bad for the Atheist claim that he was invented by people to make them feel better. Because if the human purpose that keeps calling Loser [God] into existence is some deep search for comfort (...) I have to tell You this god is seriously not cutting it for me, and not just for me but for a lot of other people as well.


Abraço

alfredo dinis disse...

Caro Miguel,
Obrigado por este interessante comentário.
Um abraço,

P. Alfredo

Anónimo disse...

referências cristãs

Anónimo disse...

Ser vigário de Deus?

Não será muita presunção em se assumir "a tradução", de linguagens e contextos tão diferentes dos actuais?

Uma mulher de saia curtinha cai no chão e rapidamente se levanta.
Diz o francês:" C'est la vie..."
Diz o espanhol, todo contente:
"Yo, también... Yo, también..."

Que interpretação literal?
Das tradições orais?
Dos escritos originais das tradições orais?
Das traduções?
Das selecções dos textos?
Apenas da bíblia dita "canónica"?

Não será a mesma interpretação literal da história de Portugal?
ex: padeira de aljubarrota...
A batalha existiu? Ou é apenas uma alegoria à coragem?

Os dados históricos são interessantes, o problema é sempre o enviesamento na interpretação de "Deus" e do que se faz em nome dele...

Ser vigário de Deus?

alfredo dinis disse...

Caro anónimo,

Não sei a quem se refere como 'vigário de Deus'.

A interpretação de qualquer texto obedece a regras bem precisas. A Hermenêutica é praticamente uma ciência.

Todos sabemos que os textos bíblicos tiveram em grande parte a sua origem em tradições orais transmitidas de geração em geração entes de serem postas por escrito. Mas isso aconteceu em muitas outras culturas. Não é por isso que vamos dizer que tais textos não têm valor.

Hoje, a hermenêutica dos textos bíblicos tem em consideração a época histórica e o contexto cultural em que tiveram origem esses textos. Por outro lado, há que ter em conta que tais textos contêm sempre o resultado de uma reflexão do povo judeu sobre os acontecimentos da sua história, independentemente do facto de os acontecimentos na realidade terem tido lugar de acordo com todos os pormenores do texto. Toda esta metodologia se aplica, como disse, a todos os textos em geral, sejam eles religiosos ou não.


Cordiais saudações,

Alfredo Dinis

ava n'tesma disse...

A interpretação literal bíblia
bíblica presumo
este anónimo é muito bom
deve ser o filósofo anónimo


Uma mulher de saia curtinha cai no chão e rapidamente se levanta.
Diz o francês:" C'est la vie..."
Diz o espanhol, todo contente:
"Yo, también... Yo, también..."

Que interpretação literal?
Das tradições orais?
Dos escritos originais das tradições orais?
Das traduções?
Das selecções dos textos?
anónimo
Uma mulher de saia curtinha cai no chão e rapidamente se levanta.
Diz o francês:" C'est la vie..."
Diz o espanhol, todo contente:
"Yo, también... Yo, también..."

Que interpretação literal?
Das tradições orais?
Dos escritos originais das tradições orais?
Das traduções?
Das selecções dos textos?
A Hermenêutica é praticamente uma ciência
pelo menos não acentuou
ênfase no praticamente
e na definição de ciências exactas
(relativo,claro) e das outras
e pseudo-ciências que fizeram
transições

o resultado de uma reflexão do povo judeu ...muitos textos eram em aramaico originalmente
e antes disso quem sabe
e o "povo judeu" é um retalho de convertidos entre várias tribos locais
que aspirava a uma hegemonia territorial
tal como as tribos de Medina

e este "sobre os acontecimentos da sua história" muitos deles são
pré-históricos
a divisão entre os filhos de Shem
e os de Ham
remonta a lendas
de partição dual do mundo
existe em tantos povos e religiões

Miguel Oliveira Panão disse...

No caso da experiência do sobrenatural aquando da escrita dos Textos Sagrados, faz sentido pensar que não é tanto o autor que "apanha o significado" (to grasp) daquilo que Deus quer dizer ao seu povo, mas "é apanhado pelo significado" (to be grasped by) daquilo que Deus quer dizer ao seu povo?

1Abraço

Guilherme Magalhães disse...

Se quiserem há um livro muito interessante sobre este tema de acreditar ou não em religião ou mais especificamente em Jesus. O livro tem como título Mestre dos Mestres e foi escrito por Augusto Cury que tal como outro grande psiquiatra Scott Peck eram ateus. Contudo, ao tentarem refutar e desmascarar a pessoa ou a personalidade de Jesus de Nazaré acabaram por acreditar Nele. Leiam, acho que é um livro universal, para crentes e não crentes.

Anónimo disse...

Caro Alfredo,

Quando alguém se afirma como representante de "Deus" e realiza algo em nome de "Deus", segundo o dicionário é um vigário de "Deus".

Os vigários são representantes que devem ter prova da representação.

Alguém que se diz representante de um bispo mas não foi mandatado nem tem prova da representação não é um vigário do bispo legítimo... certo ou errado?

A vigararia trata muito bem desses assuntos. Mas falta uma pequenina prova. A prova de representação de "Deus".

"Eu te baptizo em nome de Deus"

«Não separe o homem o que Deus uniu»

Anónimo disse...

Caro ava n´tesma,

O humor presente no texto:

Uma mulher de saia curtinha cai no chão e rapidamente se levanta.
Diz o francês:" C'est la vie..."
Diz o espanhol, todo contente:
"Yo, también... Yo, también..."

tem por objectivo mostrar que a fonética de diferentes idiomas têm significados diferentes.

"C'est la vie" uma expressão em Francês que indica "acontece" "faz parte da vida" de forma mais literal "é a vida" tem a mesma fonética do que:
"se la vi" que quer dizer que: "viu algo"... de interessante numa mulher de saia curtinha... o que será?

Por isso responde o Espanhol todo contente (parece que a mulher não trazia outra roupa por baixo da saia...) "Yo, también... Yo, también..." que quer dizer:"eu também eu também", que também ele viu algo de muito interessante, já que pensou que foi isso que o francês disse, o que é um erro de interpretação... embora ambos correctos...

Agora vamos ao ponto dos erros fonéticos.

"bendito seja o nome de Jesus"

não é uma frase estranha?

bendito seja Jesus... mas... bendito seja o nome? Porquê?

A fama do "nome" de Jesus foi um erro fonético?

"Yeshua", "Yahshua" em hebraico?

"Yehoshua", "Yeshua" em aramaico?

"Yeshua" significa “salvar”?

Alguém queria anunciar um novo "Deus" que seria a salvação?

"bendito seja o nome de Jesus"
não é uma frase estranha?

Se sou um filósofo? Sim sou um amante do conhecimento embora me considere um ignorante. Anónimo só para alguns...

Anónimo disse...

"Tendo tudo isto em consideração, torna-se evidente que se deve distinguir no conteúdo bíblico o que é essencial do que é circunstancial, e que se deve ter em mente o sentido do conjunto dos textos bíblicos. É o sentido do conjunto, bem como a sua contextualização hostórica e cultural, que permite chegar ao sentido coerente de todas as afirmações bíblicas."

Plenamente de acordo!

Falta adicionar que os textos têm várias edições, como por exemplo o sincretismo religioso: Antes da "Igreja" eram "Igrejas" e no livro do Apocalipse, João escreve sobre Nero, Vespasiano e Domiciano, alertando as "7" Igrejas de coisas depois da morte de "Cristo".

asmo lündgren syaliot disse...

caro anónimo Yosh compreendi os estereótipos linguísticos

que chamem pan ao pão inda vá mas que chamem frommage ao que se vê que é queijo

lá por ter posto um ponto de vista
o humor de godfred
manifesta-se nele
e na sequência de pontos de interrogação

acho graça, diverte-me tenho um senso de humor distorcido

bendito seja Jesus... mas... bendito seja o nome? Porquê?

bom porque o nome encerra a pessoa


a pessoa é o seu nome

o poder da palavra

o inominável...pronunciar o nome é convocar o ser

o verdadeiro nome
os nomes de deus
etc

asmo lündgren syaliot disse...

Falta adicionar que os textos têm várias edições, como por exemplo o sincretismo religioso

e os evangelhos que foram expurgados já agora

e se em menos de 500 anos de cristianismo vários foram os textos apagados

em 2 ou 3? mil anos de tradição escrita e oral muito mais terá desaparecido

uma reprodução fidedigna por intervenção divina

a ciência reconhece os seus limites e limitações, a atitude do cientista não é transformar-se num messias com mensagens herméticas, conhecer por pouco que seja dos textos expurgados até Niceia
não me leva a conhecer nem as causas dessas correcções, nem da existência de correcções anteriores

mas posso levantar dúvidas quanto à literalidade das transcrições sucessivas de textos, por ramos divergentes do cristianismo e por seitas integrista e não só judaicas

quem nunca errou que atire a primeira folha

Anónimo disse...

"É por esta razão que a interpretação da narração bíblica da criação do mundo e da vida contida nos três primeiros capítulos do Livro do Génesis não pode ser literal (Cf. Joseph Ratzinger, No Princípio criou Deus o Céu e a Terra, Principia, 2010), uma vez que entra em contradição com os dados da cosmologia contemporânea."

E se a física mostrar que a cosmologia contemprânea está errada?

Como se demonstra que a terra tem mais de 100 mil anos? Que provas existem?

E se a narração bíblica da criação do mundo e da vida contida nos três primeiros capítulos do Livro do Génesis tiver uma lógica na transmissão do conhecimento possível para os receptores da altura? Estará errada?

Anónimo disse...

Caro asmo lündgren syaliot,

O nome encerra a pessoa?

Em nome de asmo encerra o asmo?

Em nome de Alfredo encerra o Alfredo?

Sinais no Mundo... disse...

Um Feliz e Santo Domingo a toda a Comunidade de Pedro Arrupe.

Estou convosco sempre em Oração.

Carlos Ricardo Soares disse...

Alfredo Dinis,

parabéns pelo seu post.
Gostaria de comentar que (confio, acredito, tenho fé) ninguém, nem nada nasce para a mentira. A verdade é invencível, é a matriz do mais profundo desejo do homem, apesar(ou por causa)de nascermos na ignorância. Mas,ao termos consciência dos conflitos entre a mentira e a verdade, vamos aprendendo e crescendo.
Um abraço

Anónimo disse...

"A interpretação literal bíblia serve perfeitamente a autores como Sam Harris, Vitor Stenger e Richard Dawkins, como aos demais ateus radicais"

Não há mal algum em ser radical.
Radical vem de raiz e quem tenta saber a raiz da coisas deve ser elogiado e não criticado. Só com radicais é que se pode tentar perceber o passado...

alfredo dinis disse...

Caro Carlos,

Estou de acordo consigo. As pessoas procuram a verdade, e todos estamos convencidos de que estamos nela. Os ateus também a procuram e crêem que a encontraram. A minha posição é a que tem sido expressa nestes 'grande equívocos'. Os ateus não acreditam num Deus que é, de facto, inacreditável. Recusam um deus que não passa de uma caricatura, mas estão convencidos de que é esse o deus em quem os cristãos acreditam. Interpretam a Bíblia de uma forma que vai contra todos os princípios da hermenêutica, que certamente ignoram, mas estão convencidos de que eles é que sabem interpretar a Bíblia. Nós os cristãos não sabemos. O pior de tudo não é alguém não saber uma coisa, o pior de tudo é não saber que não sabe. É o caso dos ateus em relação à hermenêutica bíblica. Como afirmam os 'novos ateus', Dawkins & Cª, eles não têm necessidade de ler os textos dos cristãos. A verdade está toda do seu lado.

Um abraço,

Alfredo Dinis

alfredo dinis disse...

Caro anónimo,

O radicalismo pode ser uma virtude, mas quando se aproxima do fundamentalismo extremista, fechado, considerando-se detentor da verdade absoluta e incapaz de dialogar, não é virtude nenhuma. Não te parece?

Alfredo Dinis

Anónimo disse...

"Isto pressupõe que a descoberta de Deus pelo povo judeu se foi fazendo lenta e progressivamente, ao mesmo tempo que o mesmo Deus se ia revelando lenta e progressivamente. Por conseguinte, há que considerar que a imagem de Deus que se encontra na Bíblia é um ‘conjunto de imagens’ sucessivas"

Tem de considerar a hipótese da descrição de diferentes Deuses.
Como os diferentes Faraós eram Deuses... Como os imperadores Romanos eram Deuses... Como outros "reis" "imperadores" eram "Deus"...

Qual a prova de que se fala do mesmo "Deus" ao longo dos textos da bíblia?

alfredo dinis disse...

Caro anónimo,

Para os cristãos há um só Deus, embora com muitos nomes, nas várias culturas e religiões. Na Bíblia nunca são considerados deuses os faraós egípcios ou os imperadores romanos.

O Deus Bíblico é o criador do universo que estabeleceu uma relação pessoal com a Humanidade.

Saudações,

Alfredo Dinis

Anónimo disse...

Um possível equívoco:

"Deus"

Existe?

Existiu?

Existiram?

"Dio benedetto"

Equívocos...

Bento ou Benedetto...

Faraós...

Imperadores...

Reis...

Seriam eles "Deus"?

Calígula...

Akenaton...

"Deus"

"Yeshua" ou "Yahshua"...

Equívocos...

Yahoshua ... "Deus é salvação"

Calígula (Deus em vida) é o novo
Rei de todos os Judeus, quem se submeter será salvo...

Calígula (Deus em vida) é o Deus mais poderoso, omnipotente, omnisciente, omnipresente...

Assim queria "Roma"...

O que é "Roma" ?

Assim quer ser "Roma"...

Equívoco?

Anónimo disse...

Caro Alfredo,

A resposta:
"Para os cristãos há um só Deus, embora com muitos nomes, nas várias culturas e religiões. Na Bíblia nunca são considerados deuses os faraós egípcios ou os imperadores romanos.

O Deus Bíblico é o criador do universo que estabeleceu uma relação pessoal com a Humanidade."

Não é prova de que a bíblia não refere vários e diferentes "Deus". Não te parece?

Saudações,

alfredo dinis disse...

Caro anónimo,

A Bíblia reflecte uma compreensão progressiva de Deus por parte do povo judeu. Ao longo de séculos, essa compreensão progrediu na linha do monoteísmo, algo que nem sempre esteve claro anteriormente.

Saudações,

Alfredo Dinis

Anónimo disse...

Caro Alfredo,

O monoteísmo (do grego: μόνος, transl. mónos, "único", e θεός, transl. théos, "deus": único deus) é a crença na existência de apenas um só Deus.

É uma crença.

Muito diferente de:
"A interpretação de qualquer texto obedece a regras bem precisas. A Hermenêutica é praticamente uma ciência."

Muito diferente do dito rigor "praticamente" científico. Não te parece?

Quantas interpretações mais são baseadas nessa linha de crenças?

Saudações,

Anónimo disse...

Crenças ou defesa de interesses bem mundanos?
Interesses de uma instituição vigarista de "Deus"?

alfredo dinis disse...

Caro anónimo (1:42),

É precisamente o rigor da análise hermenêutica que nos permite concluir que os judeus fixeram um longo percurso desde uma situação de um certo politeismo a uma situação de claro monoteísmo. Tudo isto é independente de a crença num ou em mais deuses ser justificada ou não.

Saudações,

Alfredo Dinis

Anónimo disse...

Que Hermes vos perdoe.

Anónimo disse...

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