30 de outubro de 2010

Dominic Collins

A Companhia de Jesus celebra hoje a memória do Beato Dominic Collins. Este jesuíta irlandês nasceu por volta do ano de 1566, no condado de Cork. Entrou na carreira militar e, por esse motivo, abandonou cedo a sua terra natal, indo viver para França. Tal era o seu empenho nas artes militares, que prontamente ascendeu a capitão. Porém, não se deu por instalado no sucesso obtido e, em 1598, entrou na Companhia de Jesus, em Santiago de Compostela, como Irmão. Em 1601, regressou à Irlanda, já como jesuíta. No ano seguinte, no contexto de um clima de profunda intolerância religiosa, é preso por defender a sua fé, e martirizado no dia 31 de Outubro, em Cork, juntamente com dezasseis católicos irlandeses. Foram todos beatificados por João Paulo II a 27 de Setembro de 1992.

Que sentido faz hoje, para a Igreja, celebrar os mártires? Durante muitos séculos – em particular em épocas de perseguição – a Igreja sublinhou a importância dos mártires, apresentando-os como modelos de fidelidade e coerência. Vivemos numa época em que as histórias dos martírios – muitas vezes com relatos verdadeiramente aterradores – já não nos inflamam o espírito. No entanto, parece-me da maior actualidade conhecermos melhor a vida destes homens, testemunhos de uma entrega fiel a Deus, ao ponto de darem a sua vida por Ele.

Ora, é precisamente este o ponto central do martírio: dar a vida. E, portanto, não precisamos de esperar por um momento espectacular ou heróico em que, numa fogueira, ou numa prisão, havemos de derramar o nosso sangue pela fé.

Na verdade, é já hoje que posso dar a minha vida: em minha casa, no meu trabalho, nos estudos, na vida social, nas amizades, no casamento... Ser mártir da vida quotidiana: é isto que está em causa; ser capaz de dar vida, ser capaz de morrer para os meus interesses e viver para o outro, vivendo assim para Deus.

Afinal, será assim tão improvável o martírio?

1 comentário:

João Delicado sj disse...

Olá João Manuel!

'Brigado pela reflexão!

Para mim, este tema do "dar a vida" está especialmente quente desde um almoço que tive esta semana: estive ao lado de alguém que vive isso não metaforicamente mas realmente; num país não muito distante, morre-se de facto por se ser cristão. A esta pessoa morreu-lhe alguém muito próximo em tempos recentes. Quando voltar ao seu país, como será? Com este testemunho vivo percebi melhor o que pode significar "dar a vida": pode significar dar a vida, "mesmo". É assustador.

Bons estudos!
ABRAÇO!
Deli.