18 de outubro de 2010

Filosofia Analítica - Parte 1


A Filosofia Analítica, no século XX, não é facilmente definida por uma doutrina ou por um método específicos. Diferentes filósofos do período, mantiveram posições opostas, e empregaram diversos métodos, o que torna a Filosofia Analítica difícil de descrever. Convém, fazer breve menção, que ao contrário do que se diz, a Filosofia Analítica não morreu, mas continua a florescer sobre diferentes formas.

Talvez tivesse sido mais fácil de definir a Filosofia Analítica, se porventura, ela tivesse mantido a sua forma original, na Inglaterra do princípio do século XX. Como o nome da dita filosofia indica, a ênfase era colocada numa Análise, compreendida como uma ferramenta para dividir os conceitos complexos nos seus constituintes mais simples. Por exemplo, o conceito de conhecimento foi decomposto nos conceitos de crença, verdade e justificação. Resultando que o conhecimento, era então analisado como sendo uma crença verdadeira justificada. Mais tarde, sobre o impulso de Carnap, a análise tomou nova forma; a de encontrar as condições necessárias e suficientes para predicados ou para enunciados. Foi preciso esperar por 1963 com Gettier, que os filósofos analíticos perceberam o quão haviam estado equivocados, em relação à natureza do conhecimento, o que os levou a buscarem novas análises.
Mas, voltando novamente à sua origem Britânica do princípio do século XX, a Filosofia Analítica nas mãos de Moore veio a erguer um pesado golpe sobre o Idealismo Britânico. O que Moore para isso fez foi: defender a independência da mente face ao mundo externo, a multiplicidade do mundo contra a unidade indivisível da mente, e sublinhar o papel fundamental das crenças do senso-comum.
Moore e Bertrand Russell, tinham em comum o facto de acreditar na multiplicidade de objectos irredutíveis, e por isso se afirmavam como atomistas. Mas foi Russell, quem cunhou o famoso termo de Atomismo Lógico, para este novo método de filosofia. Tendo resultado do Atomismo Lógico, a grande obra de Wittgenstein: o Tractatus Logico-Philosophicus.

Até agora só se falou da Filosofia Analítica na Inglaterra, mas é importante referir que na Alemanha (e Áustria), esta também se desenvolveu. Foi no final do século XIX, que um matemático Alemão, de seu nome Gottlob Frege, revolucionou a lógica formal. Foi a partir desta revolução, por ele iniciada, que também se iniciou no estudo dos fundamentos da linguagem, e do pensamento. No seu famoso artigo de 1918, entitulado «Pensamento», que Frege introduziu muitas das distinções, e ferramentas conceptuais, que desde então utilizam os Filósofos Analíticos.
Na Áustria, Schlick organizou o famoso Circulo de Viena, que recebeu forte influência do pensamento de Russell e de Wittgenstein, e que era constituído maioritariamente por cientistas com vocação a serem filósofos. Tanto que o jovem Ayer, como o jovem Quine, que assistiram às suas discussões, nunca mais foram os mesmos, nem a filosofia depois deles.
Quando Ayer regressou a Inglaterra, publicou o famoso livro: Linguagem, Verdade e Lógica. Que foi uma das mais famosas apresentações da filosofia do circulo em língua inglesa, onde nele ficou marcado o termo de Positivismo Lógico. No entanto, por causa do regime Nacional-Socialista na Alemanha, Carnap (referido em cima e figura de destaque do Círculo), assim como outros membros do Círculo, fugiram rumo aos Estados-Unidos, onde se viria a dar novo impulso à Filosofia Analítica.

1 comentário:

Anónimo disse...

Também aqui a engenharia pode dar um contributo interessante.

A decisão, a opção, a escolha de considerar determinadas estruturas como "clusters", grupo que forma uma entidade, terá sempre o observador a decidir qual a mais apropriada. A escala de observação é sempre uma opção, a incerteza da observação também é parâmetro para a classificação.

A inteligência artificial pode dar um contributo interessante como classificador não supervisionado revelando as várias opções estruturadas que existem.

É uma (1) maçã? Ou é um "cluster" com casca, polpa, sementes, com origem numa flor completa ou incompleta...