15 de outubro de 2010

Voto de pobreza - que sentido?

Amanhã, 4 jesuítas da província Portuguesa, vão professar os votos religiosos de castidade, obediência e pobreza. Depois de nos últimos 2 dias ter sido aqui testemunhado o que significam os votos de castidade e obediência, cabe a mim partilhar como entendo o sentido do voto de pobreza.
A primeira ideia, e que me parece ser a mais fundamental, é a consciência que a consagração não se faz com um valor em si, mas a uma Pessoa. Não fazemos voto de pobreza, pela pobreza, mas pelo desejo de viver uma vida como a de Jesus. Não se trata de outro tipo de pobreza, senão a de Cristo pobre e humilde!

Se não se entender isto, o voto de pobreza pode quase ser ofensivo. Como pode alguém querer viver pobre? Não deveríamos nós querer terminar com a pobreza?

E queremos!

Mas do que estou a falar é de outro tipo de pobreza. Trata-se de uma pobreza voluntária que gera total disponibilidade para servir o mundo de um modo gratuito, lembrando a todo o momento como também o Amor de Deus por cada um é gratuito. A ausência de seguranças próprias, de bens materiais, a procura de um estilo de vida simples, quer ser uma ajuda para um modo de vida alegre e hospitaleiro para com cada pessoa que vem ao nosso encontro. Abdica-se de ter qualquer coisa própria, de modo a que tudo o que se tenha seja em função e para servir os outros.

O voto de pobreza é igualmente afirmação de uma vida confiada na providência divina. Quando Jesus envia os discípulos, dá-lhe indicação para que «não leveis nada para o caminho, nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas» [Lc 9,3], pois a nossa confiança não está neste mundo.

Resumindo, o voto de pobreza, no meu entendimento, é a manifestação de uma vida totalmente livre para amar cada um na sua diversidade, que serve gratuitamente sem procurar qualquer recompensa e com uma confiança total em Deus, tornando-nos assim mais disponíveis para os outros.

1 comentário:

Francisca disse...

Johny!
Gostei de te ver no After Ben, e mais uma vez gostei do q escreveste aqui! Força!
beijinho grande da covilhã