21 de novembro de 2010

Cristo Rei



Hoje, último Domingo do Ano litúrgico (Domingo XXXIV do Tempo Comum), celebra-se em todo o mundo a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do universo.

Uma das muitas respostas possíveis à pergunta: “Quem é o Cristo Rei?” poderia ser: “É um monumento.” Imaginemos o caso de se estarem a referir, por exemplo, ao monumento ao Cristo Rei que se encontra em Almada, em Portugal.
Neste cenário, podemos ainda perguntar: “Mas será que a mesma resposta dada por várias pessoas seria exactamente igual? Ou seja, mesmo que muitas pessoas respondessem “monumento” todas estariam a dizer a mesma coisa?”
E se a seguir lhes perguntássemos: “E o que é que vê no monumento?” ou “O que é que o monumento lhe “diz”, lhe faz lembrar, leva a pensar, para onde ou para quem o “transporta”, …?” Provavelmente a esta pergunta seriam dadas várias respostas. E provavelmente tantas quanto o número de pessoas a quem se perguntasse. No final, o monumento continuaria impávido e sereno, mas possivelmente cada uma dessas pessoas seguiria com a imagem do monumento mais presente. Afinal de contas alguém as tinha feito pensar sobre o monumento ao Cristo Rei.

No Evangelho de hoje, de S. Lucas (Lc 23, 35-43), encontramos uma situação semelhante. Diferentes pessoas a olharem para Jesus crucificado. Encontramos os chefes dos judeus a afirmar: “Salvou os outros: salve-se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito”. Depois os soldados, que troçando de Jesus diziam: “Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo”. Depois intervém um dos ladrões, que também estava crucificado, e que diz: “Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também”. E ainda o “bom ladrão”, que acredita que Jesus “não praticou nada de condenável” e que pede simplesmente a Jesus que se lembre dele. Talvez pudéssemos ainda imaginar mais pessoas na cena, cada uma a ter a sua própria imagem do que se passava.

Apesar de pontos comuns, não haverá, na passagem de S. Lucas uma diferença grande face à situação do monumento? É que na passagem de S. Lucas todas estas pessoas estão perante o próprio Jesus, perante uma pessoa, não perante um monumento. De todos os que falaram, o "bom ladrão" parece ter sido o único que percebeu que estava diante de alguém, e de alguém que tal como ele sofria. Parece ter sido o único que olhou verdadeiramente para Jesus sem estar preso a uma ideia feita, a preconceitos, sem apenas repetir o que foi dito por outros, sem estar preso só a si. E por isso Jesus dialogou com ele. Será que não temos muitas atitudes deste género ao longo da vida. Por exemplo: quantas vezes partimos para uma conversa com outra pessoa já a saber o que vamos dizer, o que queremos dizer, e não a querer saber o que essa pessoa nos tem para dizer? Será que o outro é para nós apenas um "monumento"? E quanto a Jesus? O que ainda não conhecemos dele não poderá ser por não lhe darmos espaço para que se dê a conhecer?

O “bom ladrão” foi o único que demonstrou saber, e por isso acreditou, qual é a realeza de Jesus, a verdadeira realeza de Jesus, aquela que se manifestou no meio dos sofrimentos da Cruz. Uma realeza que não pretende ganhar nada para Si mas só para os outros: “Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso”. Uma realeza que não busca o poder humano, poder esse que muitos receiam perder. Poderemos hoje encontrar à nossa volta algum “reino” a que possamos chamar de paraíso? No meio de tanto sofrimento, tanta tristeza, dúvida, angústia, …tanta crise. Mas se é de facto a felicidade o que queremos, que procuramos, porque acreditamos que existe e pode ser alcançada, então porque não deixar que Jesus, tal como fez com o “bom ladrão”, também nos ajude a alcançá-la? Porquê ficar de braços cruzados? Mãos à obra! Afinal de contas o Cristo Rei veio para nos dar vida, mas vida em abundância (cf. Jo 10, 10).

Não nos esqueçamos que, mesmo que o(s) monumento(s) nos ajudem a encontrá-Lo, o Cristo Rei ressuscitou, está vivo no meio de nós: “Digo-vos ainda: Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu. Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.” (Mt 18, 19-20)

Porque não procurar Jesus, o Cristo Rei, para poder conhecê-lo? Uma sugestão? Por exemplo: experimentar não ficar só pelos “encontros virtuais” (facebook, e-mail, …) e marcar encontros presenciais. Como se pode conversar e beber uma cerveja pela Internet? Como é que se pode conversar e apanhar com a bola dos matraquilhos em cima pela Internet? Como é que se pode conversar e …

Leituras [Ano C]

•I leitura: 2 Sam 5, 1-3
•Salmo: 121 (122), 1-2.4-5 (R. cf.1)
•II leitura: Col 1, 12-20
Evangelho: Lc 23, 35-43

1 comentário:

Sinais no Mundo... disse...

Passo por aqui frequentemente...hoje, queria vos recordar que morri convosco no pensamento...

Sêde Felizes e Santos Jesuítas! O Vosso Amigo de todas as Horas...

Cristo