5 de novembro de 2010

Memória de todos os santos da Companhia de Jesus













É já hábito neste blogue recordar aqueles que marcaram a memória da Companhia de Jesus por uma vida singular, quer nos grandes gestos, quer no discreto da vida comum. Hoje a Companhia de Jesus marca um dia para a memória de todos aqueles que na sua história falam da santidade: relembra “todos os santos da Companhia”.



Este dia surge à imagem do passado “dia de todos os santos” que celebrámos esta segunda-feira na Igreja. Nesse dia, a memória é sobretudo a daqueles que viveram as suas vidas no dom da santidade e que hoje se encontram junto do Pai, mas cujas histórias passaram despercebidas aos olhos da História. Não tanto Paulo, não tanto Pedro, não tanto Agostinho ou Tomás de Aquino, não tanto Bento de Núrsia, não tanto Francisco de Assis, Teresa de Ávila ou Domingos de Gusmão. Também, mas sobretudo aqueles que, heróica ou discretamente, fizeram das suas vidas lugar de santidade, lugares de Deus, sem que os seus nomes tenham ficado guardados no cânone dos santos. À luz desse dia, também hoje, mais que Inácio de Loiola, Francisco Xavier, Pedro Fabro, Afonso Rodrigues, João Berchmans, ou Miguel Pró, lembramos aqueles que fizeram parte deste corpo e lhe deram cada dia da sua vida como lugar de santidade, mas cujos nomes se perderam no tempo.


Se a vida daqueles cujos nomes lembramos nos estimulam no testemunho que a sua vida é para nós, estes mesmos e os que hoje celebramos dão-nos, em conjunto, um estímulo maior: são o impulso que nos precede em direcção a uma vida de comunhão com Deus. Quando um homem entra na Companhia de Jesus, entra num corpo em movimento. O movimento desse corpo é gerado na vida de cada jesuíta e a vida daqueles que dão lugar à santidade move o corpo para Deus. A relação é recíproca: digo “fizeram das suas vidas lugar de santidade”, ou “a vida daqueles que dão lugar à santidade”, porque é isso, de facto, o que queremos dizer quando falamos dos santos: a sua vida é lugar do Santo, de Deus; Ele, por sua vez, move o corpo num movimento de vida, de atracção a Si, porque vive amorosamente atraído por cada ser humano. Essa reciprocidade e esse movimento é a santidade vivida na vida discreta de tantos homens e mulheres na Igreja.


Quando celebramos a memória de todos os santos da Igreja e em particular na Companhia de Jesus, é esta santidade que celebramos: o Santo e aqueles que lhe deram como casa a sua vida.



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