28 de novembro de 2010

esperar é um modo de chegares. um modo de te amar dentro do tempo

Neste domingo começamos o Advento. Advento, vem do verbo latino advenire, que quer dizer chegar. O advento é um tempo de espera dAquele que vem. Neste sentido, a primeira atitude que a liturgia deste domingo nos quer propor é a da vigilância. Curiosamente a palavra vigiar assusta à primeira vista, parece que somos chamados a vigiar quando algo nos ameaça. Mesmo este Evangelho, se nos esquecermos que é Jesus quem o diz, pode dar-nos uma imagem assustadora de Deus. Mas que diz Jesus que nos mostre a vigilância de outra forma?

Vigiar evoca a presença de algo que vem a nós, algo a que é preciso estar atento. Neste caso é o Filho do Homem que vem a nós. Ora, em S. Lucas, quando Jesus chora sobre Jerusalém, a Sua tristeza deve-se ao facto dos habitantes da cidade santa não terem reconhecido o tempo em que foram visitados por Aquele que lhes podia dar a paz que desejavam. Vigiar é uma forma de levarmos a sério as nossas sedes mais profundas, não é um mandato inteiramente exterior, mas uma expressão do desejo de vida em plenitude que só se realiza no Filho do Homem. Mas como vigiar?

Na leitura de Isaías somos convidados a ver em Deus, Aquele que nos chama à paz. Portanto, a paz é-nos dada por um convite a cada pessoa, que não prescinde da nossa atenção responsável. Esta atenção é profundamente existencial, nela se vê se os sentimentos e pensamentos mais profundos, que nascem em nós diante da vida, confessam Jesus Cristo pela paz e alegria de fundo. Aqui vigiar é estar atento ao coração para O encontrar.

Na carta de S. Paulo, somos convidados a levantarmo-nos do sono. Se a hora de Deus chegar a nós está perto, não podemos viver como se nada fosse. Aquilo a que Isaías nos chama a reconhecer, que Deus nos chama à paz no meio do tempo, S. Paulo não pode senão transparecer na nossa vida. Aqui vigiar é perguntar-me: até que ponto transpareço aquilo que me enche o coração?

No Evangelho, Jesus convida a uma confiança muito radical em Deus. Radical, não por ser extremada mas por ser absoluta e de doação. Absoluta porque não sabemos o futuro, e só Deus é o ponto sólido para Quem se implica no presente. De doação porque o Filho do Homem, único que me pode dar a paz, quer-Se oferecer a mim e chama-me a recebê-lo em cada momento. Vigiar é expressão desta confiança.

Portanto, somos hoje chamados a esperar Aquele que vem, vigiando os movimentos do mundo a partir do coração, do centro de nós, para que, vivendo em concordância com essa espera, nos possamos abrir confiadamente Àquele que quer vir a nós. Assim, vigiar não é uma ameaça, mas uma exigência para o coração aberto à beleza que vem até nós gratuitamente.


Is 2, 1-5

Rom 13, 11-14

Mt 24, 37-44

* título do post retirado de um poema de Daniel Faria.

1 comentário:

Sinais no Mundo... disse...

Um Santo Advento na Paz de Jesus , Maria e José...

Que nos reencontremos na Gruta de Belém!