14 de novembro de 2010

Os meus pensamentos são de paz e não de desgraça*

Uma leitura apressada e superficial das leituras deste domingo podem causar em nós alguma perplexidade. Fala-se em destruição, guerras, perseguições… Mas, afinal, para quê este discurso? Não é, com certeza, para nos amedrontar, fazer viver inquietos, à espera da próxima desgraça. Se assim fosse, o Evangelho seria uma contradição!

No dia-a-dia deparamo-nos com situações de angústia, degradação, fracasso… Como se isso não bastasse, temos constantemente no ouvido, nos olhos, nas entranhas a grande ameaça da actualidade: a crise. O Evangelho parece dar-nos uma importante dica sobre a forma de nos comportarmos, como cidadãos e cristãos, perante a “cultura da crise”.

Repare-se na última frase do Evangelho: “pela vossa perseverança salvareis as vossas almas”. De facto, Jesus convida-nos a uma atitude positiva; com certeza que, se hoje Ele subisse ao ambão de uma qualquer igreja deste país, não o ouviríamos falar em crise, ou pelo menos de uma forma resignada e derrotista. Na verdade, nenhuma crise, nenhuma ameaça é para o cristão sinal de desânimo, mas oportunidade de salvação, de mais vida, de um optimismo consciente. Numa sociedade deprimida, com medo do que virá a seguir, os cristãos têm obrigação de marcar a diferença, mantendo uma atitude plena de esperança e de alegria. Não de uma alegria inconsciente, alienada ou ingénua, mas real, concreta e verdadeira, porque vem de Deus. Afinal, se quisermos estar atentos, não nos faltarão, em cada dia, motivos para sorrir.

Sabemos que Ele está connosco e escutamos o convite que Ele nos faz a sermos perseverantes. Que perseverança é esta? A que provém de uma profunda confiança em Deus que nos leva a um profundo enraizamento na nossa sociedade para testemunharmos esta alegria a cada homem e cada mulher com quem nos cruzamos.

Poderá haver maior potenciador de qualidade de vida que o Evangelho?

Lc 21, 5-19

* Da Antífona de Entrada do Domingo XXXIII do Tempo Comum (Jer 29,11)

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