26 de novembro de 2010

Quem seria hoje João Berchmans?

Quando a Igreja propõe alguém como Santo, significa que reconhece nessa pessoa um modelo para a vida de um ser humano comum. Os Santos não querem ser modelos inalcançáveis e muito menos pretendem distanciar-se, assumindo-se como pessoas que nasceram naturalmente assim. Os Santos não nasceram Santos… fazem-se! Com altos e baixos, com avanços e recuos, com alegrias e tristezas, nas circunstâncias normais do dia-a-dia. E quem melhor que o próprio para assumir essa tarefa?
Para ser Santo não precisamos de esperar uma grande provação para mostrar a nossa “fibra”. A santidade não se improvisa! Com as pequenas (ou grandes) exigências que a vida nos traz somos desafiados a vivê-las com os olhos postos no céu e os pés bem assentes na terra. Isto é, ter um horizonte de esperança que não nos deixe alheados da realidade e nos implique com o mundo em vivemos hoje.

A vida de João Berchmans foi curta. Nasceu na Bélgica, em 1599 e morreu com uma doença pulmonar aos 22 anos. Conta-se sobre ele que era muito esforçado no cumprimento das suas obrigações e que fazia as pequenas coisas do dia-a-dia com o máximo empenho: maximus in minimus era o seu lema! Considerava que no quotidiano da vida estava a melhor forma de se santificar.

Para nós, jesuítas na fase do juniorado, São João Berchmans é o nosso padroeiro. O seu testemunho de grande simplicidade faz-nos perceber como, nesta fase de formação, podemos entregar toda a nossa vida ao serviço dos outros sem estar, no seu habitual significado, em acção.
São João Berchmans, mesmo tendo vivido há 4 séculos atrás, é um modelo de enorme actualidade. O que o distingue está na forma como viveu e não tanto naquilo que viveu.

Imagino um João Berchmans do século XXI, como um vulgar estudante universitário, alegre e descontraído, que vestisse calças de ganga, sapatilhas e t-shirt, que saísse para festejar as vitórias da sua equipa de futebol e soubesse cumprir as suas responsabilidades com nobreza.

Estará assim tão longe o horizonte da santidade?

1 comentário:

Anónimo disse...

Diz o roto para o descosido... eu te declaro integro.

Faz parte da nossa estrutura e terás lugar nos nossos livros... que poderão ficar sem pó de vez em quando.