15 de novembro de 2010

sobre a anonimidade...

Na blogosfera é possível participar nas discussões como anónimo.

Quando alguém cria um blog, depreende-se que deseje comunicar para fora do seu circulo habitual de relações, pois, se não almejasse sair dai, teria mantido o seu blog como privado.
Do outro lado, quem navega na Blogosfera tem uma de duas atitudes: ou quer encontrar o familiar, o que já pensava; ou o diferente, o que está no pólo oposto ao seu.


Daqui se segue que existe uma assimetria entre post e comentário: o redactor do post expõe-se, afirma, defende algo, o comentarista pode concordar ou discordar.
Nada de surpreendente, nem de errado...
Então, por limite da assimetria, o desejo de encontro e de comunicação, o diálogo, só se pode estabelecer quando o "comentarista" o deseja, pois o redactor ao revelar-se à partida, fica aberto ao diálogo. O comentarista pode esconder-se atrás do anonimato, pode não apresentar a sua identidade, nem sequer como se chama. (É justo distinguir, antes de avançar, quem, não colocando o seu email, se identifica assinando com o seu nome, e quem não faz isso.)


Quando respondo a alguém, começo o meu comentário com "Caro", a seguir, desejaria poder continuar a escrever com o nome da pessoa a quem me dirijo. Dizer "Caro Anónimo" é muito mais que impessoal, é vazio. Várias vezes deixei de responder por não ter a quem me dirigir.

Além disso, surgem as questões práticas: por vezes encontramos comentários de vários "anónimos", mas como responder a cada um, se não posso distingui-los? Nem sequer posso saber se dialogo com uma mesma pessoa, ou com várias...



O argumento pode ser resumido assim:
O blog "Companhia dos Filósofos" permite que alguém escreva sem se identificar, e não vamos retirar essa funcionalidade, mas, quem deseja comunicar, quem deseja estabelecer diálogo tem que baixar a guarda e avançar com algo para a mesa das conversações, nem que seja apenas dizer o nome - que é, normalmente, a primeira coisa que dizemos de nós aos outros. Ou então, escondendo o nome, fica remetido à atitude indiferente, e violenta, de quem manda bocas sem se responsabilizar pelo que afirma.




Não resisto a chamar à atenção para a forma como eventuais comentários a este post possam vir identificados ou não...

18 comentários:

alfredo dinis disse...

Mas o anonimato serve para que não tenha por objectivo encher o meu "eu". Não é o meu "eu" que quer crescer de forma descontrolada.
Um comentário anónimo é um desafio, um contributo, sem ser o "eu" o importante da questão. Apenas os argumentos.

De que ser uma identificação? A identificação pode ser falsa. Eu posso assinar por outro.

alfredo dinis por exemplo... difícil?

este será um teste para verificar se é possível...

Anónimo disse...

De que serve uma identificação?
Pode ser falsificada muito facilmente.
E como anónimo apenas o argumento e não a pessoa é que é avaliada...

anonimo disse...

Mas se é a identificação que pretendem... aqui está uma...

manel disse...

Caro Anónimo.

Antes de mais, gostaria de lhe agradecer a atenção que dispensa ao nosso blog. Com este blog desejamos ir ao encontro de quem nos queira ler e os seus comentário são um eco simpático que nos alimenta o desejo de continuar a escrever.

Quanto ao conteúdo dos seus 3 comentários gostava de partilhar que, quando escrevi o post, imaginava que pudesse haver alguma reacção, mas não imaginei que logo a primeira reacção pudesse ter matéria para confirmar a toda tese que apresentei:

1) Ao não se identificar, você recusou-se a dialogar em pé de igualdade, pois você sabe quem eu sou, e eu não sei quem você é.

2) Ao usar a identificação digital do pe. Alfredo Dinis, você foi violento e ilegal.

3 Ao pretender que o autor de um argumento seja indiferente ao seu conteúdo, você foi ingénuo, pois nenhum argumento, nem nenhum autor são neutros, transcendentais ou à priori - como preferir.
Talvez seja por isso que os artigos científicos, de todas as revistas de todas as áreas, vêm sempre assinados...

atenciosiosamente
Manel

anonimo disse...

Caro Manel,

1) Ao não se identificar, você recusou-se a dialogar em pé de igualdade, pois você sabe quem eu sou, e eu não sei quem você é.

Mas eu sei tanto sobre si como você sabe de mim... por me chamar alfedro ou anónimo é diferente?

2) Ao usar a identificação digital do pe. Alfredo Dinis, você foi violento e ilegal.

Não usei a identificação digital do Alfredo. Apenas alertei para a facilidade de o fazer, avisando que iria verificar que é possível ou não... e foi muito fácil.
Desconheço de que ilegalidade fala. Pode ser de moralidade duvidosa mas em termos legais não existe legislação sobre o assunto em Portugal.

3 Ao pretender que o autor de um argumento seja indiferente ao seu conteúdo, você foi ingénuo, pois nenhum argumento, nem nenhum autor são neutros, transcendentais ou à priori - como preferir.
Talvez seja por isso que os artigos científicos, de todas as revistas de todas as áreas, vêm sempre assinados...

De facto os artigos considerados científicos vêm assinados. Quanto à autoria não ponho as mãos no fogo. Há casos descritos em que o mesmo trabalho aparece que línguas diferentes e com autores diferentes...

A Psicologia tenta ensinar que nas relações inter-pessoais se deve trabalhar a capacidade de separar o tema da pessoa, a ideia particular em causa da pessoa. Se não o fizer facilmente passa a debater outro assunto relacionado com a pessoa e não a ideia em causa.

Petrus disse...

Caro Manel,

Se pensar um pouco, um pouquinho só fica sabendo que pode postar na blogosfera anônimo se quiser...

Pode até criar um blog com um assim bem engraçado.

Tanto ao postar como ao responder poder ser anónimo ou usar a assinatura que bem entender, valeu?

PR

Ludwig Krippahl disse...

Concordo com o Manuel. É possível comentar anonimamente, um comentário anónimo pode ser provocatório e não vejo justificação para o proibir.

Mas não faz sentido dialogar com um anónimo, com alguém cuja identidade se confunde com a de qualquer outro. Não quero dizer que tenha de saber a morada, numero de telefone e nome verdadeiro de todos com quem dialogo. Mas é importante que quando converso com alguém saiba identificar essa pessoa e associar-lhe as posições que ela defende. Nem que seja por um pseudónimo.

Por isso, tal como o Manuel, posso responder com um comentário a uma provocação anónima mas, enquanto não vislumbro alguém do outro lado, não me sinto motivado a investir tempo num diálogo.

Quanto à facilidade de terceiros fazendo-se passar por outra pessoa, esse problema tenho resolvido apagando esses comentários. Há um limite para o ruído que as conversas aguentam...

Ludwig Krippahl disse...

Ooops... "facilidade de terceiros" devia ter sido "facilidade de enganar terceiros".

manel disse...

Caro Petrus,

Antes responder à sua sugestão, pergunto: você é o anónimo dos outros comentários?

Quanto ao que diz: compreendo a sua posição, mas não a quero para mim.
"Pensando um pouquinho" posso postar anonimamente, mas postando anonimamente afasto-me dessa troca franca e dialogante de ideias que me moveu desde o início.
Já no post inicial referi que o que me move é o encontro e o diálogo, assim, a sua proposta de estratégia, não só não me ajudaria a tal, como me afastaria do meu objectivo.

Acredito que os homens podem ajudar-se a crescer em sabedoria, que o diálogo, acesso ou sereno nos pode provocar, desinstalando-nos, e que no final todos saímos enriquecidos. Por isso: percebo a sua ideia,mas não a quero.

atenciosamente,
manel

Anónimo disse...

Caro Manel,

Mas uma reflexão.

Os artigos científicos têm autor porque os artigos fazem parte da avaliação dos autores.

Um comentário que não adiciona valor ao "eu", que não estimula o ego, permite debater a ideia sem debates desnecessários de considerações pessoais. O sistema judicial tenta fazer isso...

cumprimentos,

manel disse...

Caro anónimo,

quanto a 1):
Julgo o comentário de Ludwig mais clarificador do que eu poderia explanar.

quanto a 2):
sugiro que leia o painel de denúncias do Bloguer onde diz:"Roubo de identidade:

Se um usuário do Blogger roubar a sua identidade e usar o seu nome verdadeiro no perfil dele, informe-nos e tomaremos as providências necessárias."


quanto a 3):
A sua argumentação do tipo "o homem que" cabe no esquema formal de uma falácia.

quanto ao seu comentário final:
O que a Psicologia que cita, seja ela de que autor anónimo for, denuncia é as situações de argumentos ad hominen, entre outros, que se afastam do tema para se centrarem no sujeito proponente do argumento [como você fez em 3)]. Não me parece que esse cuidado interfira com a assinatura.
Por outro lado, como saberá, as palavras tomam diferentes sentidos em diferentes autores. O que pode tornar equívoca a leitura do argumento. Essa dificuldade fica bastante ultrapassada quando podemos contextualizar a palavra em análise no contexto mais alargado do autor, e assim esclarecer o seu argumento.

Espero ter contribuído para a discussão, embora me sinta a atirar bocas por cima de um muro, sem ver quem me responde...

atenciosamente
manel

manel disse...

Caro Anónimo das 5h55,

obrigado pela sua presença activa.
Desculpe a minha falta de personalismo na resposta ao seu comentário, mas remeto-o para o meu comentário das 6:09 PM, onde trato o assunto que refere.

atenciosamente
manel

manel disse...

Caro Ludwig,

Obrigado pelo seu comentário. Pareceu-me particularmente pertinente a distinção que faz entre conhecer um pseudónimo e nada saber do interlocutor. Eu não o tinha referido, mas parece-me importante para esclarecer o assunto em questão.

atenciosamente,
manel

Anónimo disse...

Caro Manel

:)

Acha mesmo que foi o que descreveu como:

quanto a 2):
sugiro que leia o painel de denúncias do Bloguer onde diz:"Roubo de identidade:

Se um usuário do Blogger roubar a sua identidade e usar o seu nome verdadeiro no perfil dele, informe-nos e tomaremos as providências necessárias."

Pode indicar em que perfil foi utilizado, roubada a identidade?

Um pouco mais de calma...

Cumprimentos,

Anónimo disse...

"Por outro lado, como saberá, as palavras tomam diferentes sentidos em diferentes autores."

Esse é um problema real e que dificulta a comunicação. A presunção de que se sabe o que o autor tinha em mente é perigosa. Por isso... como saberá cada leitor re-inventa o texto uma vez que usa o algortimo pessoal de descodificação da mensagem... o que gera simbolos e interpretações diversas, tão diversas como os leitores... :)

Cumprimentos,

Petrus disse...

Caro Manel,

Está considerando a possibilidade de um mesmo anônimo usar diversos pseudónimos?

Na verdade, está começando uma explosão combinatória de possibilidades:

Quem posta pode ser anônimo ou identificar-se ou apresentar-se como personalidades diversas.

Quem participar pode ser anônimo ou identificar-se ou assumir pseudônimos diferentes...

Será útil identificar o espírito com que está falando, a pessoa ou a ideia?

cumprimentos,
PR

Anónimo disse...

Caro Ludwig Krippahl,

E se eu não tiver ideias definidas?

E se as perguntas são apenas uma forma de aprendizagem e verificação do que penso que percebi do texto?

E se as sugestões são apenas para verificar consistência de textos anteriores dos "autores" validando ou não as interpretações anteriores?

Cumprimentos,

alfredo dinis disse...

E não devemos esquecer a possibilidade do uso de identidades falsas.

Cordiais saudações,