29 de novembro de 2010

Vem aí o Natal - I


VEM AÍ O NATAL – I


Até ao século VI, celebrava-se a festa do Nascimento de Jesus a 6 de Janeiro ao mesmo tempo que a adoração dos Reis Magos (chamada Pequena Teofania) e que o Baptismo do Senhor (Grande Teofania). Seguidamente, a fim de acentuar a natureza humana de Jesus, instituiu-se a festa do Natal a 25 de Dezembro. Na iconografia, cedo se começou a representar todo o mistério à volta da encarnação de Jesus, onde as regras do espaço e do tempo não são tidas em conta.

Tomemos como exemplo este ícone do século XVI, da região de Vologda, Rússia, Museu Tretiakov, Moscovo. Os acontecimentos cronologicamente distintos (a intervenção da Santíssima Trindade, as dúvidas de José, o nascimento de Jesus, o anúncio e adoração dos pastores, a vinda dos Reis Magos) são representados simultaneamente com o intuito de nos fazer participar do hoje eterno de Deus. A falta de proporção, a perspectiva invertida, a intencional estilização da natureza são aproveitadas pelo iconógrafo para realçar o tema central e nos dizer, aqui, que a Encarnação de Deus dá ao universo um sentido novo que é o fim e a razão de ser da sua existência: a transfiguração futura.

Por motivos cristológicos o Concílio de Éfeso, em 431, declara Maria como Mãe de Deus (Thetokos). Daí que Maria, que até então era representada com o Menino Jesus sobre os joelhos para significar o parto virginal e indolor, agora aparece deitada como é natural numa mulher que acaba de dar à luz. A posição central e as exageradas dimensões de Maria afirmam que ela é a Mãe de Deus. A Virgem Maria, deitada na mãe terra sobre um leito vermelho, é a sarça ardente que arde sem se queimar; ela é Mãe sem perder a virgindade.

O Menino Jesus foi envolto em faixas e colocado na manjedoura. Mas há um outro momento em que Jesus é envolto em faixas, ao ser colocado no túmulo, e, por isso, a manjedoura tem a forma de um túmulo. O iconógrafo faz-nos cair na conta de que este Menino é o homem Deus que vencerá a morte e será alimento Eucarístico para todos.

Sem comentários: