19 de novembro de 2010

A vida interna das palavras

Dentre as muitas coisas que “fizeram” o hi-God encontrou-se este filme que agora vos apresentamos juntamente com o guião, para permitir uma leitura mais densa.

O que “vive” por dentro das palavras? As palavras são ocas: são como a casca de um acontecimento que, depois de digerido, perdura como memória. Há qualquer coisa de ícone nas palavras: dispostas no “ambiente de trabalho”, servem-nos de atalho para algo que mora para lá delas, dentro delas. Por isso, entrar numa palavra é já um exercício de escavação: há que retirar as camadas de letras de um texto para descobrir aquilo para onde ele aponta. As palavras são como “alfândegas”: estão na fronteira de um encontro. E, no entanto, os seus contornos abrem-nos para novos mundos. Um “olá” abre uma conversa; um livro leva-nos a uma história; uma língua coloca-nos num país; um nome torna-nos próximos de uma pessoa. Mas, o próprio mundo “foi aberto” por uma palavra que o fez arrancar; uma Palavra que rompeu com o silêncio e pôs todas as palavras e todos os mundos em marcha. O Tempo povoou o mundo de histórias: galáxias, sistemas solares, planetas, oceanos, continentes, bactérias, plantas, animais, o ser humano: tudo faz parte de uma grande história. Para onde é que ela nos leva? Vai ter um “final feliz”? Há muitas palavras que nos prometem a felicidade, e chegam mesmo a lutar para que ela se torne real. Mas, onde guardamos essas promessas? O dia-a-dia, com tantas “palavras”, nem sempre nos deixa tê-las à mão; e esquecemo-las. Levamos os dias a correr de um para outro lado à procura daquela “coisa especial”, mas sem saber muito bem onde a poderemos encontrar. Se abrandássemos o ritmo para ouvir o que nos dizem os nossos sonhos mais secretos, o que ouviríamos? Para onde apontam? Se chegássemos a entrar dentro de nós, dentro do nosso coração, ouviríamos a pulsação mais profunda que nos diz: ama. Mas como? Como é que se ama?

O amor faz-nos mergulhar no que temos de mais valioso, sem o qual jamais poderemos viver. O Amor não é uma teoria. Por isso, não se chega ao amor só com “palavras no papel”, mas com “palavras vivas”. O corpo e tudo em nós há-de dizer amo-te. Deus fez o mesmo: encarnou. Mergulhou para a história do tempo e amou-nos até ao fim. Tudo o resto… são apenas palavras que passam.

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