11 de dezembro de 2010

Alguém de pernas para o ar.

Sobre Is, 35 1-6.10 /Mt 11,2-11

De uma prisão sai um gemido desconfiado: será mesmo que és tu o que devo esperar, ou devo esperar outro, outra coisa, um fim diferente daquele que se impõe – mais glorioso talvez? Errei acerca de quem és, ou é este o preço de quem diminui para que só restes Tu? João gastou toda a voz no vento do deserto, e ainda envia perguntas sobre o cordeiro, que baptizara.

Nós, no deserto, ou na estepe de cada história, também nos perguntamos: será que já desvendámos os narcisos que o profeta prometia florir na chegada Daquele que fora anunciado? Será a sede dos que buscam de línguas ressequidas, na terra árida, de facto saciada? Ou até mesmo onde reina o prazer e o contentamento? E quando é que acabarão os gemidos de dor, mesmo os mais abafados ou maquilhados por gargalhadas? Quem baptizava, está preso.

Mas de quem esperavas? Que libertação? Os narcisos têm a sua cor e o seu cheiro. Por isso, a resposta é que se acabaram as promessas, e o vento dos profetas já passou. Acabou-se o tempo das metáforas, e o presenteO Corpo encarnado – é Deus na cidade dos homens. Não virá: Ele “está no meio de nós”, agora nos nossos “hoje”de todos os dias. Não estamos à espera de ver Alguém de pernas para o ar. O que viste no deserto - ou o que esperavas ver? –: um homem vestido de roupas luxuosas?

– Não, no natal o que se vê é um pobre. Essa é a gloriosa vinda, a chegada de um pobre. Só um pobre espera por outro pobre. Para esperar “hoje” este nascimento, faço-me pobre e bastará o orvalho e a chuva para achar O que espero.

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