29 de dezembro de 2010

Dar a volta ao mundo

Ainda há “atracção universal”. Uma boa notícia da passagem de ano é a de que, felizmente, no cosmos sobra o romantismo. Talvez seja da sabedoria astronómica de saber fazer o jogo da distância certa e da dança dos vazios e dos rebentamentos de proximidade, não sei. Claro: também há excessos. Possivelmente, não há obsessão como a de um buraco-negro. Mas também isso tem o seu lugar no ordenamento espacial. A perfeição não está tanto na ausência de explosões, mas no silêncio capaz de as receber com espanto. As nebulosas: doces vestígios de destroços.

É verdade: o planeta vai dar mais uma volta. Mas, e o mundo?

O mundo está cheio de histórias de cataclismos, de abalos, de tremores, de terrores; alguns, de fortes, chegaram a entortá-lo, a ponto de o fazer sair do eixo. O mundo dá voltas; dá-nos voltas. As suas azias são também as nossas. O que poderemos fazer diante deste gigante? Falta-nos um Júlio Verne que nos devolva o desejo de repetir as façanhas do nosso velho Magalhães: contornar os “cantos” do mundo. Mas falta-nos um cargueiro Greenpeace a recordar-nos o vinco da nossa pegada ecológica… Nós podemos dar a volta ao mundo. Resta saber como.

No próximo dia 31 de Dezembro, até 2 de Janeiro, no Centro de Espiritualidade da Casa da Torre, em Soutelo, vários líricos – quem sabe se o nosso estimado leitor? – estarão a lançar champanhe não só pelas voltas que o mundo já deu, mas sobretudo a celebrar o futuro: o futuro das voltas que faremos o mundo dar… se nos comprometermos com ele. Quem sabe: talvez sobre romantismo nos nossos sonhos…

«Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a Mim» – por falar em atracção universal.

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