19 de dezembro de 2010

Natal. Numa palavra. Mt1,18-24.


Aproxima-se Natal.

Cada vez está mais perto.
Mas, antes de passar mais à frente...

O que é Natal?



Natal é a dedicação de cada chefe de turma que escolhe o restaurante onde os seus colegas todos celebrarão o fim das aulas, convocar centenares de pessoas para disolver-se no realismo dum presépio em que as ovelhas balam, um bacalhau que a avó cozinha e o peru que ela enche, a luz e o calor despedido pela fogueira acendida na porta da igreja da freguesia durante estes dias todos, esses senhores vermelhos com espessa barba branca que costumam escalar as fachadas dos prédios, os vídeos e fotografias que registam a actuação dos filhos durante o festival da sua creche ou escola, as saudades de quem não pode regressar à sua terra nestas datas e deve conformar-se com imaginá-las desde o estrangeiro, a gratuidade que emerge do fundo do coração e leva a colaborar com algum dos muitos projectos solidários apresentados, a surpresa ao abrir um power-point natalício ainda mais original do que o anterior, o entusiasmo calado do quem lê um livro no assento de algum aeroporto à espera do avião que o aproximará à família, a música nostálgica que sai dos alto-falantes pendurados em cada canto dos paços e avenidas, o desejo de não ser o meu o pedaço de bolo rei que contenha a faba, a variedade dos tamanhos das árvores de Natal que aparecem nas nossas cidades, contar o número de sobres e carimbos a comprar para acrescentar um tom tradicional às felicitações dos conhecidos, o prazer duma guerra de bolas de neve no alto de alguma serra elevada do nosso país, sair da loja convicto de ter acertado com a prenda ideal para a pessoa em que tanto penso, comprovar a enorme criatividade nos anúncios de televisão ao ficar perante o ecrã por volta de apenas um quarto de hora, o sentido dum abraço qualquer à beira da estação de comboios após messes sem ver esse amigo, preparar minuciosamente a festa de passagem de ano de forma que ninguém esqueça aquelas horas de champanha e fogos, confiar em que esta vez será quando finalmente coincida o prêmio da lotaria com o número escrito no meu cartão, o peso dum cabaz repleto de productos que demonstram que as empresas curam os estômagos dos seus empregados, as luvas e o cachecol com os que passeio para tratar de combater este frio que aloja-se nos ossos sem dai sair...



Este é o Natal dos homens. Assim o inventam cada ano.



Porém, Deus foi (mais) uma vez mais original.

Para Ele, Natal é, “simplesmente”, um nascimento.

Aliás, “quanto a Jesus Cristo, a sua origem foi assim...” Mt1,18(-24)

2 comentários:

Carlos Ricardo Soares disse...

Excelente observação e uma bela mensagem.

Anónimo disse...

Algo que não depende do homem mas de Deus é o Equinócio de Inverno:

21 de Dezembro 23:38.

O homem já sabe porque novo ciclo se inicia... o homem na sua limitada capacidade já percebeu que o destino deste ciclo não depende de si... Agora vem o Inverno, os dias vão crescer e depois vem a Primavera...

Agora é tempo de reunir a família e comer... Vem depois a provação do Inverno (os dias de "má sorte") mas que felizmente os homens já perceberam que essa sorte está nas suas mãos não é destino...

Este é o motivo porque há tantas festas independentes das culturas...

Cumprimentos,