3 de dezembro de 2010

S. Francisco Xavier


Sempre que penso na vida de S. Francisco Xavier sinto o desejo de viver o mesmo!... Ir pelos mares fora anunciar, no meio de perigos e aventuras, Aquele por quem quero dar tudo!...Lançar-me para o desconhecido porque uma paixão infinita me habita e me impele e me consome!... Saber que faço tudo por Aquele que me amou primeiro e que a minha forma de responder a este amor é dar a volta ao mundo a dar a vida pelos outros!...

Caio, por vezes, na estupidez de pensar “assim é fácil ser santo”, como se as coisas se pudessem medir desta forma ou como se a santidade se pudesse medir pelo tamanho das obras que fazemos ou até como se só uma vida cheia de aventura e risco pudesse contar como uma vida santa!...

S. Francisco teve, realmente, uma vida fascinante, cheia de aventuras e riscos, mas o que o fez santo foi aquilo que viveu por dentro, aquilo que animou os seus gestos, sem o qual nunca teria feito o que fez – uma relação profunda com Jesus, um desejo imenso de O imitar e uma paixão que o levava a querer dar a vida ao serviço dos outros.

Sendo realista, quem é que hoje pode largar tudo e ir para o outro lado do mundo da mesma forma que S. Francisco o fez? Dificilmente encontramos alguém que o possa fazer e, provavelmente, nem é suposto que encontremos, com facilidade, alguém que o pudesse pôr em prática. Porque o desafio não é fazer, em primeiro lugar, coisas brilhantes e espectaculares. O desafio é trazer para a minha vida, para as relações, para o trabalho, para o estudo, para a simplicidade, para as dificuldades, para as alegrias e para as tristezas, a mesma paixão que moveu S. Francisco. A questão está em viver o que vivo de uma forma apaixonada e agradecida sem achar que o que faço não chega, porque a nossa tendência é pensar que devíamos sempre fazer mais mas nem sempre precisamos de fazer mais, muitas vezes precisamos é de viver melhor aquilo que já vivemos.

Se o que me move por dentro é o mesmo que moveu S. Francisco haverá assim tanta diferença em fazer o que ele fez ou fazer bem o meu curso porque sei que isso me permitirá no futuro servir melhor? Será estúpido pensar que com a mesma paixão com que S. Francisco se meteu num barco e foi para a Índia, eu não poderei passar uma tarde sentado a estudar? E será que “vale” mais uma coisa que outra?

No fundo, a santidade não é alguma coisa estranha, longínqua, não é preciso ir para a Índia ou para a China para se ser santo. Se a santidade é não algo que se joga também no que vivo e na forma como vivo o que vivo mas apenas um sonho distante, utópico ou impossível, que sentido tem falar de vida cristã? É que a santidade não é mais do que imitar Jesus na minha vida concreta, encher a minha vida desta paixão e viver e transformar as coisas a partir dela, porque sei que o primeiro a ser amado fui eu e ao descobrir este amor não posso viver as coisas da mesma forma.

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