6 de dezembro de 2010

Vem aí o Natal - II

VEM AÍ O NATAL – II


As fontes em que se baseia este ícone do Nascimento de Jesus Cristo, para além dos Evangelhos de S. Lucas e de S. Mateus, são o Proto-Evangelho de Tiago, as homilias de Gregório Nazianzeno, os hinos de Natal de Romano, o Melode, e de Efrém, o Sírio, e na homilia de Tiago de Saroug.

Em muitos dos ícones da vida de Jesus é-nos apresentada uma gruta. Neste ícone esta gruta não é apenas a gruta de Belém é também o símbolo dos infernos de que Jesus sairá vencedor na Ressurreição que, na terminologia Ortodoxa, se designa por Descida aos Infernos. Jesus Cristo, Deus/Homem, envolto em panos, no nascimento e na morte, é colocado na manjedoura em forma de túmulo à boca da gruta que simboliza os infernos de que nos vem libertar. Esta é a maravilhosa realidade da Encarnação do Amor de Deus que não cabe nos limitados raciocínios humanos, e que nem por isso deixa de ser menos real, mas mais conforme ao imenso e absoluto Amor gratuito que em tudo nos transcende. O mistério não é o incompreensível, mas o que nos ultrapassa.

Mas esta história de Amor não começa aqui. Ao longo da Sagrada Escritura é patente, no diálogo de Deus com homens santos e mulheres santas, a ternura com que o Senhor do Universo se dedica pedagogicamente a criar as condições para manifestar o Amor que nos tem. E, chegada a plenitude dos tempos, o Anjo Gabriel é enviado a uma virgem de nome Maria para a convidar a aceitar ser mãe: O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Ao que Maria responde: Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. (Lc 1, 35 e 38) Este momento crucial está representado na parte de cima do ícone. Dado o seu estado de conservação, mal se vêem os três semi-círculos, símbolo da Trindade, do qual desce um raio de luz onde se inscreve uma pomba que representa o Espírito Santo, que se divide em três, significando a presença trinitária. É o cúmulo deste diálogo de Amor: a Palavra, O Verbo fez-se homem e veio habitar connosco. (Jo 1, 14)


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