30 de setembro de 2010

before after

Para quem esteve nalguma edição do after, a abertura foi, certamente, uma das coisas que ficaram guardadas a sete chaves na memória, e que agora povoa o imaginário com cores e sons. Ora, há alguns minutos, o colégio de Cernache foi invadido por cerca de 30 voluntários que irão emprestar o cérebro, as funções motoras e tudo o mais que neles houver de criatividade e engenho para montar, precisamente, o espectáculo de abertura do after ben. Assim, durante as próximas 24h, este grupo de heróis irá transformar um jardim num enorme palco onde desfilarão as imagens que, quais anfitriãs, nos introduzirão no "Amanhã que nos espera".


Para os irremediavelmente curiosos: preparem-se para conhecer 1000 caras novas! Sim: o after ben já conta com cerca de 1000 participantes!

29 de setembro de 2010

Segredos do after ben



Nas vésperas de grandes (ou mesmo pequenos) eventos, é comum sentir-se um certo burburinho em torno aos detalhes. De uma ou de outra forma, todos partilhamos uma “coscuvilhice” miúda, do tipo “conta-me como foi”. Ciente disso, a organização do after ben orgulha-se de vos apresentar a secção “segredos do after ben”, para acicatar o interesse e aplacar a curiosidade.


Como é que se vira uma escola do avesso sem que professores, alunos ou funcionários se “revoltem”? Esta tem sido a pergunta a que uma equipa de jesuítas tem procurado dar resposta prática, à medida que vai preparando os espaços do colégio de Cernache (onde decorrerá o after ben).

Estender outdoors gigantes, maiores que a fachada do edifício (os mesmos que, em Lisboa, forraram as ruas de azul e branco, com o slogan “foi o pai que me ensinou”), fazer de um pavilhão desportivo uma sala de espectáculos, uma capela, um dormitório enorme, um auditório; tornar um lago num imenso palco de espectáculos; tudo sem interromper o ritmo contínuo de alunos e professores na “liturgia das aulas”: é obra!

Inscrições:
afterben.com (15
s/ transportes) ou
cab.com.pt/ (25
c/ transporte de Braga já incluído)

28 de setembro de 2010

Debate sobre “Caritas in veritate” no Parlamento Europeu

Deputado Mario Mauro afirma o extraordinário do acontecimento
BRUXELAS, segunda-feira, 20 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – A sede do Parlamento Europeu em Bruxelas acolheu na terça-feira passada uma conferência sobre a encíclica social de Bento XVI, Caritas in Veritate, organizada pelo Grupo Popular Europeu.
“Creio que esta iniciativa nos deu muito ânimo”, declarou na Rádio Vaticano o líder do grupo, deputado Mario Mauro.
“Demo-nos conta de que as coisas das quais o Papa fala não são apenas necessidades do mundo contemporâneo, mas também necessidades de nossas instituições”, acrescentou.
Para Mauro, levar uma encíclica do Papa para a Câmara do Parlamento Europeu “significa desafiar, de fato, uma mentalidade envelhecida, na qual se tornou moda um concepção dominante que acredita poder subestimar o homem”.
O deputado recordou que as instituições europeias nasceram por um pacto que quer garantir paz e desenvolvimento.
Ele afirmou que “quem nasce com esta origem não pode não reconhecer nas palavras do Papa uma proposta honesta de um caminho de bem para toda a humanidade”.

Uma encílica política
O deputado explicou que no debate desta terça-feira, “em primeiro lugar foi constatado que a Caritas in veritate é uma encíclica política”.
Neste sentido, explicou que a encíclica começa destacando que a caridade na verdade é um formidável instrumento de promoção da pessoa humana.
“Portanto, se temos em mente o que dizia na Populorum Progressio Paulo VI, ou seja, que a política é a forma mais elevada da caridade, podemos ler a encíclica nesta chave particular, que é: a política na verdade é um instrumento formidável de promoção da pessoa humana.”
Segundo Mauro, “não há página da encíclica que, de uma forma ou outra, não seja um juízo sobre como fazemos política e sobre como o fazer político pode-se transformar no instrumento mais adequado para a realização do bem comum”.

“Números do relativismo”
Os participantes da conferência realizaram uma reflexão antropológica e filosófica, mas também econômica e social.
“Para ser mais específico – disse Mauro –, vale a pena recordar entre os grandes perigos que ameaçam o homem contemporâneo um grande ataque, tanto antropológico como social e econômico, à pessoa humana, advindo do relativismo.”
O deputado alertou do perigo que se corre quando o relativismo se converte em ideologia e ofereceu também alguns “números do relativismo”: há um aborto a cada 27 segundos em nossa sociedade europeia, 10 milhões de divórcios que pesam sobre 15 milhões de filhos e uma população envelhecida que faz com que um país como a Turquia ou o Egito tenha mais da metade dos jovens da União Europeia.
Para Mauro, estes dados refletem “uma concepção na qual se perde a esperança de construir: não há nada pelo que valha a pena viver, não há uma verdade para se comprometer”.
“E isso tem como consequência – continuou – que faltem para a geração atual razões para formar sua casa, formar sua própria família, trazer filhos ao mundo...”.

Pobreza e pessoa
O deputado referiu-se ainda ao fato de ter lido a encíclica no ano europeu contra a pobreza.
“Nossa estratégia sobre a pobreza é de desenvolvimento, não simplesmente uma iniciativa de distribuição de recursos procedentes dos países mais ricos, mas a promoção da pessoa”, disse.
Como para Bento XVI, “é a pessoa que se faz protagonista de seu tempo, seu país, graças à educação, na qual a fé tem uma função relevante, tem a força de enfrentar os problemas”.

27 de setembro de 2010

A Fórmula do Instituto









"Procure ter sempre diante dos olhos primeiramente a Deus
e depois a regra deste seu Instituto,
que é um caminho determinado para ir até Ele".






Este é um fragmento da Fórmula do Instituto que decidi destacar na memória que hoje é celebrada da aprovação e confirmação da Companhia de Jesus. Esta Fórmula, na sua versão completa, é o documento apresentado pela Companhia à Igreja e ao Senhor, na pessoa do Santo Padre, como auto-retrato que é um desejo, uma autobiografia que é a profecia deste corpo a nascer. A História será abundante em testemunhos de homens que deram a sua vida por este olhar e por este caminho. Mesmo muitos terão dado esse testemunho ao ponto do seu sangue cair na terra como semente de cristãos.

A experiência dos primeiros companheiros, encabeçados por Inácio, levou a este desejo, formulou as palavras que compõem o texto integral e as Constituições que delinearão a vida de um jesuíta. É a forma que está descrita na Fórmula, a forma de um olhar que deseja ter sempre diante primeiramente a Deus. Contemplativo na acção – tendo diante dos olhos primeiramente a Deus, é a salvação dos homens e mulheres que contempla e o impulsiona em direcção ao próximo cheio de fé, esperança e amor. Consta na Fórmula um elenco de campos de acção, os quais visam “principalmente a consolação espiritual dos fiéis”: comunicar-lhes, quer pelo anúncio da fé, quer pela promoção da justiça, o tesouro da sua experiência de Deus. Os Exercícios Espirituais serão o modo mais caracteristicamente inaciano de partilhar essa experiência.

A memória de hoje é a memória desse caminho determinado para ir a Deus e regressar aos irmãos cheio de fogo do Espírito. Um caminho percorrido por tantos homens e por meio do qual abriram aos homens e mulheres que encontraram ainda outros caminhos a percorrer, nascidos da espiritualidade inaciana.

Valeu a pena? É uma pergunta a colocar num tempo em que a mesma recai sobre a própria Igreja. Este é apenas um texto de um blogue. O crédito que as minhas palavras podem dar à Companhia de Jesus e à Igreja é depressa contraposto pelo descrédito de outras. Não quero deixar hoje um texto aqui que pareça ser superficialmente lisonjeiro e uma omissão dos aspectos menos atraentes. Um jesuíta só pode falar deste modo do Corpo a que é chamado na consciência de que vivem, ele e a Companhia, uma fragilidade salva pelo olhar de Deus. Ao “ter sempre diante dos olhos primeiramente a Deus”, é isso que descobre, um olhar que o olhou primeiro, mesmo na sua fragilidade. É esse olhar que o transforma, dando-lhe a forma da experiência dos primeiros companheiros, a forma da Companhia de Jesus. A história da Companhia é uma história de luzes e sombras, de matizes – os mesmos da vida humana. E as luzes são maiores que as sombras; o bem realizado, movido pelo Senhor no coração destes homens, é bem maior que todos os tropeços no caminho. É isso que nos diz que valeu e vale a pena – não se trata de uma história de homens impecáveis, mas a história de um grupo de homens que atravessa os séculos transformado pelo olhar de Deus, cheios do desejo de O dar a conhecer. O que celebramos hoje, mais do que os homens, é o olhar de Deus.

27 de Setembro de 1540 - aprovação da Companhia de Jesus

A 27 de Setembro de 1540, no Palácio de São Marcos, em Roma, o Papa Paulo III, através da Bula "Regimini Militantis Ecclesiae", aprova a constituição da Companhia de Jesus como uma Ordem Religiosa.

A partir daí, o Papa passa a contar com um grupo de homens inteiramente disponíveis para servir Cristo, na Igreja, em tudo aquilo que for o mais necessário.

Este oferecimento ganha maior importância quando se tem em consideração o contexto de agitação em que a Igreja vivia. Lembre-se, por exemplo, que cerca de 20 anos antes, Martinho Lutero tinha afixado as 95 teses de Wittenberg sobre o poder e eficácia das Indulgências. Era também o século apoteótico das grandes expansões marítimas, com os descobrimentos de novos territórios por parte do Império Português e Espanhol.

Deste contexto, surgem os dois principais “pulmões” da Companhia: promoção da fé e propagação do Cristianismo.

Hoje celebramos com alegria os 470 anos de vida da Companhia de Jesus, reconhecendo a grande responsabilidade que recebemos dos nossos antepassados, contanto que saibamos ler as necessidades reais de cada época onde somos chamados a servir.

26 de setembro de 2010

Porque ligo ao Papa?

(imagem do encontro mundial da juventude, com o Papa, em 2008)

A propósito do AfterBen, que é já para a semana, lançaram-me recentemente um desafio: responder à pergunta “porque ligo ao Papa?”. Na altura em que me questionaram não pude dar uma resposta imediata, pois nem sempre estamos sintonizados naquilo em que, com mais profundidade, acreditamos.

Há várias razões para gostar de escutar atentamente este homem. Posso ligar mais ao homem em si ou, por outro lado, posso ligar mais à sua função. Isto é, posso ligar mais a Joseph Ratzinger ou a Bento XVI. Não escondo que Ratzinger, como pessoa, me desperta os sentidos do coração e da inteligência, mas ao procurar responder à pergunta aqui colocada senti-me mais chamado a procurar compreender porque é que ligo ao Papa no papel/função que ele desempenha na Igreja. Pareceu-me que não havia forma mais directa para o fazer do que recorrer a um enorme mas organizado livro que tenho na minha estante: o Catecismo da Igreja Católica, aprovado em 1997 pela mão de João Paulo II. Diz lá, no parágrafo 882, o seguinte:


“O Papa, bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, tanto os bispos como a multidão dos fiéis»”


Este testemunho, dado pelas palavras do Catecismo, confirma-me na experiência que faço da Igreja. Uma Igreja que me liga aos outros com laços humanos de amor, uma Igreja que me vincula à transcendência, que me torna transparente a mim próprio, como homem pequenino que sou perante toda a humanidade e toda a existência.

É essa uma das principais razões porque ligo ao Papa, que aliás, posso também tratar por Sumo Pontífice, e talvez com mais acerto. Pontífice é literalmente aquele que constrói pontes… entre todos os homens e entre estes e Deus.


É por isso que ligo ao Papa… porque o Papa liga!


E, muito provavelmente, é também por isso que vou ao AfterBen, para viver mais verdadeiramente esta ligação.


Porque vou ao AfterBen?

A vinda do Papa Bento XVI a Portugal em Maio passado fez-me conhecer melhor o rosto do sucessor de João Paulo II. Julgo que a minha geração foi muito marcada pela figura do “Papa das multidões” e, quem quer que lhe sucedesse, teria a vida dificultada.

Desde 2005, venho conhecendo o Papa Bento XVI, sobretudo através do que escreve, e confesso que tenho ficado espantado. Agora, nesta visita que fez ao nosso país, tive a sorte de o acompanhar mais de perto e fiquei com vontade de saber mais acerca deste homem.

De facto, aqueles dias souberam-me a pouco; se pudesse, na altura, teria absorvido em cada poro cada uma das suas palavras, tal a alegria que suscitaram em mim. Fiquei com vontade de conhecer melhor um Papa próximo, simples, que vai ao encontro dos problemas reais do mundo; gostava de ter um tempo para saborear e compreender melhor cada uma das propostas que nos deixou.

Entretanto, eis que ouço falar, lá por casa, do AfterBen. Bem, não podia ser melhor! Reviver a alegria daqueles dias, com centenas de pessoas, num lugar bastante agradável, num ambiente descontraído… Aprofundar aquilo que ouvi, agora de uma forma ainda mais simples, explicada por quem esmiuçou cada uma das palavras do Papa… Esta parece-me uma óptima forma de tirar partido desta visita, para que ela não se torne num breve parágrafo na história de Portugal...
E, se mais não fosse, conhecer gente nova é sempre um bom motivo para sair de casa!

25 de setembro de 2010

Porque vou ao AfterBen?

Porque vou ao AfterBen??

Durante a visita do Papa a Portugal, sente-se uma loucura de emoções, o vigário de Cristo passa a um metro de nós, fala-nos, convida-nos, incentiva-nos e dirige-nos o seu carinho, o seu grande amor pela humanidade e por cada um de nós.


Quase por impulso salta-me a emoção e por toda a força faço coisas impensáveis, pelo Papa, pelo Vigário de CRISTO – pela presença de Cristo na terra – pelo Amor que lhe tenho. O Próprio “Representante” de Cristo passa por nós! É um sentimento de Amor pelo Papa, por ele ser Papa, quase como que a resposta em agradecimento pela vida que dá continuamente por nós, segurando-se na sua posição em fidelidade a Deus. Um autêntico convite a querermos ser fiéis a Cristo. Lindo!


Mas as emoções do momento e as condições de como decorreu toda esta visita não me deixaram viver bem o que o Papa nos propôs, talvez por cansaço, talvez por não ser incentivado…enfim mil razões podia arranjar.


O que é certo é que tenho agora uma grande oportunidade de rever e aprofundar esta visita com temas fortes de reflexão e assim poder sonhar com ele, que pensa e reza por nós para um futuro com Deus.


Ele disse: “[…]o dia de amanhã está à nossa espera.[...]”, e que conta com as nossas orações…Vamos a isso!


“Até amanha”

João Brandão,sj


Inscrições em:
afterben.com (15€ s/ transportes) ou
cab.com.pt/ (25€ c/ transporte de Braga já incluído)

24 de setembro de 2010

Porque vou ao After Ben?


Porque não posso viver a fé isolado.
A fé é vivida e celebrada numa comunidade, que sustenta, faz crescer e dá corpo à minha fé, a esta fé, também partilhada, da qual não posso ser dono ou autor mas que recebo como dom.
Aquilo que os outros vivem e experimentam não me pode ser indiferente sob o risco de me fechar a Deus que também Se faz presente nos outros e sob o risco de viver e celebrar sozinho aquilo que não é vivido senão com os outros.
É por isso que vou ao After Ben. Não estou sozinho.

23 de setembro de 2010

Porquê AfterBen?

Já muitos ouvimos falar do AfterBen, recebemos mails, vimos publicidade no Facebook, na faculdade, à porta da Igreja.

Já sabemos o que é, mas sabemos porquê este nome? Literalmente, “AfterBen” significa depois de Bento XVI. Em 2003, vimos pela primeira vez a palavra After associada a um mega-encontro de juventude, organizado pela Companhia de Jesus (jesuítas), em Portugal. Na altura, o AfterXav serviu para celebrar os 450 anos da morte de S. Francisco Xavier. A re-edição, de 2005, celebrou os 500 anos do seu nascimento. Em 2009, outro Santo foi recordado, com novo After: o AfterPaul juntou mais de 700 pessoas, que se uniram ao sentir de toda a Igreja na celebração dos 2000 anos do nascimento do Apóstolo S. Paulo.

O After ficou uma “imagem de marca” destes mega-encontros e destas celebrações! Este ano, Portugal e os Portugueses tivemos o privilégio de receber o Papa Bento XVI. Milhares de pessoas associaram-se e celebraram com o Papa em Lisboa, em Fátima e no Porto. O Papa deixou-nos um grande desafio: pensar o amanhã. O Amanhã do Mundo, o Amanhã da Igreja, o Amanhã de cada um dos que se sente interpelado a dar de si e a dar-se todo.

Porquê AfterBen? Porque depois da visita do Santo Padre Bento XVI e das suas interpelações, só podíamos juntar-nos e procurar respostas para o amanhã que nos espera!

Toda a informação e inscrições em www.afterben.com.

video

22 de setembro de 2010

Educação, Ciência e Religião


O livro pretende responder às seguintes 19 perguntas:

1. As reflexões neste livro permitem-nos uma forma racional de ser religioso?
2. O primeiro homem e a primeira mulher foram, de facto, Adão e Eva?
3. A teoria do Big Bang é compatível com a perspectiva cristã acerca da criação do universo, tal como vem narrada no Livro do Génesis? E o que existia antes do Big Bang? 0
4. À medida que a ciência avança a religião vai perdendo espaço? .
5. Qual é o papel das questões éticas na relação entre a ciência e a religião?
6. Na Idade Média a religião prejudicou o progresso científico?
7. Galileu foi pressionado para negar, o que era para ele
uma evidência científica, o movimento da Terra?
8. A mecânica quântica, com o indeterminismo a ela associado,
pode ter alguma ligação com a religião?
9. O cérebro e as emoções são estudados de forma científica, com algumas conclusões objectivas. Com o progressivo conhecimento do cérebro poderemos nós, humanos, vir a ser absolutamente previsíveis?
10. A inteligência artificial ameaça não só o homem mas
a religião?
11. Que implicações têm os desenvolvimentos científicos,
na filosofia e na religião? A religião tem «medo» da ciência?
12. A religião ou a ciência «proíbem» a existência de extraterrestres?
13. As questões ambientais estão na ordem do dia. O que a religião tem a dizer sobre os problemas da sustentabilidade da Terra?
14. Que contributos podemos esperar da Neuroteologia?
15. A ciência ajuda a enquadrar fenómenos como as aparições de Fátima?
16. Os alquimistas procuravam a pedra filosofal. Esta procura tinha algum sentido?
17. Pode defender-se a teoria da evolução e ao mesmo tempo acreditar em Deus?
18. A religião, com as suas posições sobre sexualidade, é obstáculo à saúde pública, nomeadamente no que diz respeito à sida?
19. Muitos não crentes defendem, legitimamente, as suas posições. Que argumentos/atitudes pode ter um crente perante os não crentes?

Há dois tipos de respostas para cada pergunta, uma mais breve e simples, outra mais longa e complexa. No final de cada resposta inserem-se algumas questões para debate e uma bibliografia sumária.

A narração bíblica da criação


Israel sempre acreditou em Deus Criador, e esta fé é partilhada com as grandes civilizações do mundo antigo. De facto, mesmo nos momentos de eclipse do monoteísmo, todas as civilizações conheceram sempre o Criador do céu e da terra. Existe uma surpreendente crença comum, mesmo entre civilizações que podiam nunca ter tido qualquer contacto entre si. Nesta crença comum, podemos compreender o profundo e nunca perdido contacto que os seres humanos tiveram com a verdade de Deus. Em Israel, o tema da criação passou por diversas fases. Nunca esteve totalmente ausente, mas não foi sempre igualmente importante. Houve tempos em que Israel estava de tal modo preocupado com os sofrimentos ou as esperanças relacionadas com a sua própria história, tão fixado no aqui e agora, que dificilmente poderia encontrar alguma utilidade em olhar retrospectivamente para a criação; de facto, dificilmente o poderia ter feito. A época em que o tema da criação se tornou dominante ocorreu durante o exílio na Babilónia. Foi então que a narração que lemos atrás – baseada, é claro, em antiquíssimas tradições – assumiu a sua presente forma. Israel tinha perdido a sua terra e o seu templo. De acordo com a mentalidade de então isto era incompreensível, uma vez que isso significava que o Deus de Israel fora vencido – era um Deus cujo povo, cuja terra e cujos adoradores podiam ser-lhe arrebatados. Um Deus que não podia defender os seus adoradores e o seu culto era visto, naquele tempo, como um Deus débil. De facto, não era de modo nenhum Deus; tinha perdido a sua divindade. E por isso, o ter sido expulso da sua própria terra e apagado do mapa, foi para Israel uma prova terrível: terá o nosso Deus sido vencido e a nossa fé esvaziada?

Neste momento, os profetas abriram uma nova página e ensinaram a Israel que só então surgia a verdadeira face de Deus e que ele não estava limitado àquele pedaço de terra. Nunca estivera: tinha prometido aquele pedaço de terra a Abraão antes de ele ali se instalar, e tinha sido capaz de libertar o seu povo do Egipto. Podia fazer ambas as coisas porque não era apenas o Deus de um lugar, ele tinha poder sobre o céu e a terra. Por conseguinte, poderia ter conduzido o seu povo sem fé para uma outra terra com o objectivo de aí se revelar. E assim se compreendeu que o Deus de Israel não era um Deus como os outros deuses, mas sim um Deus que tinha poder sobre todas as terras e povos. E tinha todo este poder porque ele mesmo tinha criado tudo no céu e na terra. Foi no exílio e na aparente derrota de Israel que se verificou um despertar para a consciência do Deus que tem nas suas mãos todos os povos e toda a história, que possui todas as coisas porque ele é o criador de tudo e a fonte de todo o poder.

BENTO XVI, No Princípio Deus Criou o Céu e a Terra, Ed. Principia, 2010.

21 de setembro de 2010

Cardeal Newman


O cardeal Newman é sobretudo, por um lado, um homem moderno, que viveu todo o problema da modernidade, viveu também o problema do agnosticismo, da impossibilidade de conhecer Deus, de crer; um homem que durante toda a sua vida esteve a caminho, no caminho de se deixar transformar pela verdade, numa sua busca de grande sinceridade e de grande disponibilidade para conhecer melhor e encontrar, aceitar o caminho para a vida verdadeira. Esta modernidade interior do seu ser e da sua vida implica a modernidade da sua fé; não é uma fé em fórmulas de um tempo passado, é uma fé de forma muito pessoal, vivida, sofrida, encontrada num longo caminho de renovação e de conversões. É um homem de grande cultura que, por um lado participa na nossa cultura céptica de hoje, na questão se podemos compreender algo de certo sobre a verdade do homem, do ser ou não ser, e como podemos chegar à convergência das probabilidades. Um homem que, por outro lado, com uma grande cultura do conhecimento dos Padres da Igreja, estudou e renovou a génesis interna da fé, reconheceu assim a sua figura e a sua construção interior. É um homem de grande espiritualidade, de grande humanismo, um homem de oração, de uma relação profunda com Deus e de uma relação pessoal e por isso também de uma relação profunda com os outros homens do seu e do nosso tempo. Por conseguinte, indicaria estes três elementos: modernidade da sua existência, com todas as dúvidas e problemas do nosso ser hoje; grande cultura, conhecimento dos grandes tesouros da cultura da humanidade, disponibilidade para a busca permanente, de renovação permanente; e espiritualidade: vida espiritual, vida com Deus, conferem a este homem uma excepcional grandeza para o nosso tempo. Por isso, é uma figura de Doutor da Igreja para nós, para todos e também uma ponte entre anglicanos e católicos.

BENTO XVI

9 de setembro de 2010

Grandes equívocos do ateísmo contemporâneo


Equívoco fundamental

O maior drama do ateísmo radical não é a sua impossibilidade de demonstrar a inexistência de Deus, mas sim a de estar estruturalmente impedido de conseguir o seu objectivo: erradicar a religião, mesmo que essa erradicação se refira apenas à religião enquanto instituição. Porque das duas, uma: ou tece críticas inteligentes, objectivas e fundamentadas à religião, e nesse caso só pode ser benéfico para ela; ou as suas críticas não são nem inteligentes, nem objectivas, nem fundamentadas – o que acontece com frequência -, e, nesse caso, elas não beliscam a religião.

Nono equívoco: a negação do carácter inspirado da Bíblia.

1.Os ateus contemporâneos insistem em descredibilizar a Bíblia considerando que as explicações que se referem ao universo e à vida, como são as que estão contidas nos três primeiros capítulos do Livro do Génesis, são inteiramente opostas às explicações mais fiáveis da ciência contemporânea. Os autores pressupõem não apenas que a Bíblia contém explicações de carácter científico sobre o modo como funciona a natureza, como também que estas passagens devem ser interpretadas da forma mais estritamente literal. Aliam-se, desta forma aos fundamentalistas cristãos mais radicais como são os criacionistas. Paradoxalmente, porém, esses autores criticam violentamente as posições criacionistas , depois de sancionarem a perspectiva hermenêutica destes últimos.

2.Sam Harris faz um dramático apelo “a reis, presidentes e todos os demais cidadãos” para que se convençam definitivamente de que “não há qualquer prova de que os nossos livros tenham sido escritos pelo criador do universo.” (O Fim da Fé, Tinta da China, p. 48) Notamos aqui mais uma vez o desconhecimento acerca da formação dos textos bíblicos. Tal como se acreditou durante muito tempo na Igreja Católica, praticamente até ao Vaticano II, os textos bíblicos teriam descido directamente do céu à terra, só assim se concebendo o seu carácter inspirado e sagrado. É a este conceito errado de inspiração que Harris se opõe. Julgando estar a destruir o carácter inspirado dos textos bíblicos, o autor afirma que “a Bíblia, tudo leva a crer, é obra de um conjunto de homens e mulheres perdidos no deserto que julgavam que a Terra era plana e para quem um carrinho de mão representaria um extraordinário exemplo de tecnologia de ponta. Confiar num tal documento como base da nossa visão do mundo – por muito heróico que tenha sido o esforço dos seus redactores – é rejeitar dois mil anos de conquistas civilizacionais que o espírito humano só agora começa a assimilar através das políticas seculares e da cultura científica.”(ibid.) Harris pressupõe assim que se a Bíblia foi escrita por mãos e mentes humanas, então isso indica que não é palavra de Deus, um argumento que não tem fundamento com base na actual concepção de inspiração bíblica, como veremos a seguir.

3.Harris, tal como outros ateus, parece também pressupor que há entre a visão bíblica do mundo e a actual visão científica do mesmo mundo um abismo intransponível. Mas este argumento pressupõe que a Bíblia é um livro científico ou que pretensamente contém verdades científicas, o que não está de acordo com uma actualizada leitura bíblica. É precisamente quando se pressupõe que a Bíblia contém afirmações de carácter científico sobre a natureza que se pode negar o seu carácter inspirado cada vez que se encontra uma pretensa contradição entre os dados científicos e os dados bíblicos. Ora, mais do que de saber científico, a Bíblia fala de sabedoria de vida. Mais do que ensinar a saber explicar o mundo, a Bíblia pretende ensinar a saber viver no mundo.

4.Por outro lado, não há qualquer incompatibilidade entre o carácter inspirado da Bíblia e o facto de ela ter sido escrita em linguagem humana em contextos culturais muito diversos. Como afirma um documento da Pontifícia Comissão Bíblica sobre A Interpretação da Bíblia na Igreja, “a Santa Escritura, enquanto ‘Palavra de Deus em linguagem humana’, foi composta por autores humanos em todas as suas partes e todas as suas fontes”. (www.vatican.va) Esta afirmação breve mas fundamental para uma correcta compreensão do carácter inspirado do texto bíblico, tem importantes consequências para o modo como se deve investigar o sentido autêntico da Bíblia. Com efeito, prossegue o mesmo documento, “A exegese católica … reconhece que um dos aspectos dos textos bíblicos é o de ser a obra de autores humanos, que se serviram de suas próprias capacidades de expressão e meios que a época e o ambiente deles lhes colocavam à disposição. Consequentemente, ela utiliza sem subentendidos todos os métodos e abordagens científicos que permitem melhor apreender o sentido dos textos no contexto linguístico, literário, sócio-cultural, religioso e histórico deles, iluminando-os também pelo estudo de suas fontes e levando em conta a personalidade de cada autor.” (ibid.)

5.Deus revelou-se – e continua a revelar-se - a partir do interior da história humana, das experiências de alegria e sofrimento dos seres humanos e do desenvolvimento das suas faculdades cognitivas, éticas, etc. Só deste modo se compreende que Jesus Cristo seja uma manifestação de Deus, surgido como revelação do mesmo Deus precisamente a partir do interior do dinamismo que da matéria inorgânica levou à matéria altamente organizada que culminou na mente humana. A linguagem humana será sempre incapaz de exprimir esta verdade: Deus é transcendente ao universo mas é-lhe igualmente imanente. A história de Deus cruza-se com a história da Humanidade e, por conseguinte, a sua revelação só pode fazer-se através da história gozosa e sofrida dos seres humanos cada vez que estes procuram interpretá-la no contexto da procura de um sentido absoluto para toda a realidade, do desejo de um amor pessoalmente pleno e do inegável anseio de eternidade.