31 de outubro de 2010

Zaqueu

[Sobre Lc 19.1-10]
A árvore foi a forma de te ver

E desci para abrir a casa.

De me teres visitado e avistado

Entre ramos

Fizeste-me passagem

Da folha ao voo do pássaro

Do sol à doçura do fruto.

Para me encontrares me deste

A pequenez.

Daniel Faria


Como se um dia alguém usasse os olhos para procurar os espaços ridículos, entre as folhas de uma das árvores da cidade...

Numa cidade há muitas possibilidades e sugestões: as vias organizam-se de forma que a malha urbana seja a mais cómoda possível; as praças são traçadas e deixam as esplanadas serem montras de pessoas: vêem-nos e somos vistos. As cores e as luzes reclamam atenção, os toques e os cheiros, berros de lotaria e compras...

O Estrangeiro atravessa a cidade e uma multidão segue-O, confundindo o trânsito, as horas de ponta. São “mirones”, reformados, vendedores, ladrões, ricos e pobres, uma multidão. Mas nem a Cidade nem as pessoas pararam o olhar do Transeunte; somente o absurdo, um Traidor. Esse, escondido entre as folhas da mentira e empoleirado nos grandes ramos do sicómoro, não podia ver o Estrangeiro por culpa da multidão, que o tornava mais que anónimo, mas desprezível e repugnante. O Traidor não era “mirone”, pois procurava ver de facto; e foi visto. O olhar do homem tão desejado descansou inesperadamente sobre os espaços ridículos entre as folhas. De todas as possibilidades da cidade e da multidão o Traidor escondido foi casa para o Estrangeiro.

30 de outubro de 2010

Dominic Collins

A Companhia de Jesus celebra hoje a memória do Beato Dominic Collins. Este jesuíta irlandês nasceu por volta do ano de 1566, no condado de Cork. Entrou na carreira militar e, por esse motivo, abandonou cedo a sua terra natal, indo viver para França. Tal era o seu empenho nas artes militares, que prontamente ascendeu a capitão. Porém, não se deu por instalado no sucesso obtido e, em 1598, entrou na Companhia de Jesus, em Santiago de Compostela, como Irmão. Em 1601, regressou à Irlanda, já como jesuíta. No ano seguinte, no contexto de um clima de profunda intolerância religiosa, é preso por defender a sua fé, e martirizado no dia 31 de Outubro, em Cork, juntamente com dezasseis católicos irlandeses. Foram todos beatificados por João Paulo II a 27 de Setembro de 1992.

Que sentido faz hoje, para a Igreja, celebrar os mártires? Durante muitos séculos – em particular em épocas de perseguição – a Igreja sublinhou a importância dos mártires, apresentando-os como modelos de fidelidade e coerência. Vivemos numa época em que as histórias dos martírios – muitas vezes com relatos verdadeiramente aterradores – já não nos inflamam o espírito. No entanto, parece-me da maior actualidade conhecermos melhor a vida destes homens, testemunhos de uma entrega fiel a Deus, ao ponto de darem a sua vida por Ele.

Ora, é precisamente este o ponto central do martírio: dar a vida. E, portanto, não precisamos de esperar por um momento espectacular ou heróico em que, numa fogueira, ou numa prisão, havemos de derramar o nosso sangue pela fé.

Na verdade, é já hoje que posso dar a minha vida: em minha casa, no meu trabalho, nos estudos, na vida social, nas amizades, no casamento... Ser mártir da vida quotidiana: é isto que está em causa; ser capaz de dar vida, ser capaz de morrer para os meus interesses e viver para o outro, vivendo assim para Deus.

Afinal, será assim tão improvável o martírio?

28 de outubro de 2010

Obras sacras portuguesas na Casa da Música

Obras sacras portuguesas dos sécs. XVI e XVII na Casa da Música

Paul Hillier dirige harpa, baixão e órgão num programa ilustrativo da época de ouro da polifonia renascentista portuguesa, com o “Requiem a 4 vozes” de Manuel Cardoso, e “Salve Regina”, “Lamentação de Quinta-Feira Santa” e “Veni Sancte Spiritus” de Diogo Dias Melgás.
Manuel Cardoso é apontado pelos especialistas da música renascentista como um dos maiores representantes da música vocal deste período. Isolado em Portugal, numa altura em que no resto da Europa os compositores se moviam para novas correntes estéticas, Cardoso alcançou um expoente máximo de requinte e sofisticação na escrita para coro a cappella, deixando um legado de obras belíssimas, entre as quais o Requiem merece um lugar destacado.
Diogo Dias Melgás é apontado como o último grande representante da Escola de Polifonia da Sé Catedral de Évora.
O concerto, com entradas a 7,5 €, realiza-se ao meio-dia. O programa é apresentado a 13 de novembro no Mosteiro de Arouca.

24 de outubro de 2010

O “longe” e o “perto”: medir para lá da métrica

Dois homens entram no templo, procurando naquele espaço um lugar que corresponda à sua geografia interior. Entram; mas de um modo tão diverso que só por coincidência chegam a ocupar a mesma divisão.

Nem sempre avançar significa tornar-se próximo. A história está cheia desse paradoxo topográfico. Tantas vezes pisámos “mundos novos” sem termos abandonado “a terra pátria”; tantas vezes trocamos olhares – como numa sala de espera de um consultório, num elevador, no vão de escadas do prédio – sem que o afecto (ou pelo menos a educação) reaja ao que invade a retina. Avançamos, partilhamos espaços mas permanecemos distantes, possivelmente porque a métrica das relações é diversa. Mas, que naus havemos de queimar para chegarmos deveras às terras que pisamos? O que faremos para que os mundos se toquem?

O zelo empurrou o primeiro homem para a linha da frente; e avançou. Dois passos volvidos, o segundo parou. Ficou exactamente onde estava. Ali ao longe, aquele homem estava profundamente próximo de si, da sua história. A distância exterior, da parede onde estava encostado à que extremava o templo, correspondia à medida interior. O reconhecimento da “verdade de si” e da lonjura face ao próprio sonho – “sou um homem pecador” – abriu espaço para que o Outro se aproximasse e pudesse tocá-lo por inteiro.

Possivelmente viveremos sempre a tensão entre o desejo de ocuparmos o primeiro lugar do esforço, da generosidade, do empenho e da própria vida, e a lucidez de que somos frágeis diante do tanto que queremos e podemos. Mas esse céu por que suspiramos requer o nosso próprio chão. Reconhecer-se (ou assumir a própria história) será, então, o caminho de aproximação entre tempo (a recordação – passado –; a acção – presente –; o desejo – futuro) e espaço (do outro para mim; de mim para o outro; da gratuidade entre ambos).

Nem todo o esforço religioso é sinal de fé, porque só se avança para Deus se nos aproximarmos da nossa própria humanidade. A comunhão será, então, o lugar de coincidência entre “longe” – diferença – e “perto” – encontro.

Lc 18, 9-14

Bar João Paulo II vende cerveja mais barata

Bar João Paulo II vende cerveja mais barata
A Igreja Católica patrocina bar para atrair jovens para os valores católicos. Localizado na cripta da Basílica de São Carlos e Santo Ambrósio, em Roma, o bar JP II, assim chamado em homenagem ao falecido Papa, oferece cerveja mais barata, acesso à Internet, filmes, conferências e até ajuda psicológica

À primeira vista, poderia até parecer um pub como tantos outros nas principais cidades do mundo, mas na realidade é completamente diferente. Diferente. Único.

Antes de mais, porque é um pub, um bar, um ponto de encontro supermoderno, não numa avenida principal, num lugar in, mas porque fica justamente numa cripta de igreja, em Roma, na Basílica de São Carlos e Santo Ambrósio, na Via del Corso, a mais central das ruas da cidade. E chama-se João Paulo II, em homenagem ao falecido papa.

À noite, está aberto de quinta- -feira a domingo, durante a semana, oferece ajuda a jovens que precisem. Além disso, a cerveja é mais barata.

"É um sonho tornado realidade, com o valor que o papa transmitiu durante as celebrações do Dia Mundial da Juventude, em 2000. A esse papa excepcional, com um carisma religioso e um poder de relacionamento único com os jovens, a quem tantos dedicaram monumentos, ruas, praças, é pela pri-meira vez dedicado um lugar de encontro para jovens. Esta é uma homenagem única, que só Karol Woytila [nome do papa polaco] poderia apreciar, com a sua humanidade especial e singular. É a primeira vez na história da religião cató- lica que um lugar de convívio é dedicado a João Paulo II", diz ao DN o padre Maurizio Mirilli, director do bar e responsável pelo Serviço Diocesano da Pastoral Juvenil.

"Este pub é uma possibilidade para nos reunirmos, é sem dúvida um sonho que nasceu dos valores morais, intelectuais e espirituais que nos foram transmitidos por João Paulo II, pela primeira vez, no Dia Mundial da Juventude em 2000", acrescenta o mesmo religioso.

"Isto, para nós, para mim, é uma experiência única: de quinta--feira a domingo, das 19.00 à meia--noite, os jovens, sejam católicos, ateus ou de outras religiões, mas em busca de uma resposta, podem ouvir música, ver um filme, navegar na Internet ou até mesmo participar em debates", explica ainda o padre Mirili.

"Os jovens vivem de noite e nós, membros da Igreja Católica, temos de nos aproximar, contactar, perceber os seus ritmos e horários e sermos capazes de ser tolerantes com eles. Nos outros dias da semana, de manhã ou à tarde, os jovens podem vir aqui para consultarem psicólogos ou terapeutas. A nossa ajuda abrange todos os ambientes sociais", declara o religioso.

"A Igreja, tem de se aproximar dos jovens, saber como e onde vivem, nos seus horários próprios, encarando isso como um desafio. Mas o que nos apaixona, estimula, é verificar que nós, Igreja, temos de procurar estes jovens e entendê-los. É um desafio duro e difícil", acrescenta o director do Bar João Paulo II.

"Aqui os jovens divertem-se, mas de um modo são", conta Massimo Camussi, porteiro do bar, responsável pelos que entram, vestidos de forma muito in, de camisa Armani ou calças de ganga.

Inaugurado pelo Serviço Dio-cesano da Pastoral Jovem, o bar João Paulo II tem propostas cul-turais, com significado católico, música, filmes, debates, exposições, desporto e cultura. O presidente da Câmara de Roma, Gianni Alemanno, considera que esta iniciativa constitui uma das respostas mais importantes de da diocese, afirma ao DN o Monsenhor Ernesto Mandara, presidente das ACLI de Roma, associações de juventude católica italiana.

Dedicado ao mais popular dos pontífices, este pub oferece somente cerveja e vinho tinto. Vodca e outras bebidas mais fortes são proibidas, segundo o porteiro, que se apresenta vestido de calças de ganga e T-shirt preta com a inscrição JP II.

"Este pub usa a bebida para encontrar gente, socializar, conviver, dialogar e falar sobre a Igreja Católica e ouvir música", conta o porteiro Camussi ao DN.

O Bar João Paulo II não é só uma novidade no modo de beber e de apresentar um espaço diferen- te, faz parte de uma iniciativa da Igreja Católica chamada "Jesus ao Centro". Esta tem por objecti- vo encontrar razões de vida para os jovens que andam a diva- gar pelo centro de Roma", explica ainda o director do bar, o padre Mirilli.

"O importante é que quem quer que aqui venha deve saber que não é permitido ficar bêbedo... Temos regras, podemos divertir- -nos, mas não é preciso ficar louco ou bêbedo", avisa.

Numa das paredes deste pub, há quadros com alegorias religiosas, Give me a drink (Dêem-me uma bebida), frase que alude à situação em que Cristo, pregado na cruz, pediu de beber.

O João Paulo II é uma novidade no mundo dos pubs, que promete grande sucesso económico, se os preços das bebidas não subirem entretanto: a cerveja Corona não deverá ultrapassar os 3 euros e a Heineken os 2,50, preços que estão bastante abaixo são pratica-dos nos bares ditos normais de Roma.

por MANUELA PAIXÃO, Roma; In. Diário de Notícias

19 de outubro de 2010

João, Isaac , Renato , João, Gabriel , António Daniel, Carlos e Natal

Hoje, a Igreja comemora a vida de S. João de Brébeuf, Isaque Jogues, Renato Goupel, João de Landi, Gabriel Lalmant, António Daniel, Carlos Gurmier e Natal Chabanel.
Estes 8 jesuítas franceses deram a vida , martirizados, entre 1642 e 1649 no actual território do Canadá, onde se dedicavam aos Hurões, uma tribo local.


Muito episódios da sua dura missão seriam dignos de serem aqui referidos, mas queria apenas sublinhar um:
Os Hurões, a tal tribo que massacrou estes 8 jesuítas, alguns anos mais tarde, caiu em desgraça na guerra contra os seus vizinhos Iroqueses, mas os 2700 sobreviventes da tribo,encontraram abrigo na missão jesuíta de Santa Maria.
Os nossos 8 companheiros deram a vida pelos Hurões, os seus companheiros da missão de Santa Maria deram vida aos Hurões. Se, hoje, formos capazes de acolher o diferente, o estranho, o agressivo, quando ele quer reconciliar-se connosco - como o fizeram os jesuítas de Santa Maria - engrossaremos a lista dos que colocaram "o outro" à frente de si próprio.


Aqueles oito franceses do séc. XVIII abandonaram a pátria, atravessaram o Atlântico, aprenderam uma nova língua e meteram-se nas florestas e lagos do Canadá para dar aos outros o seu maior bem: a notícia que Jesus é Cristo - que Deus se Fez homem, para fazer do homem Deus. Aprendamos com eles a olhar para além do próprio umbigo, e a dar ao outro o acolhimento com que cada ser humano deve ser recebido, mesmo que não mereça.

18 de outubro de 2010

Filosofia Analítica - Parte 1


A Filosofia Analítica, no século XX, não é facilmente definida por uma doutrina ou por um método específicos. Diferentes filósofos do período, mantiveram posições opostas, e empregaram diversos métodos, o que torna a Filosofia Analítica difícil de descrever. Convém, fazer breve menção, que ao contrário do que se diz, a Filosofia Analítica não morreu, mas continua a florescer sobre diferentes formas.

Talvez tivesse sido mais fácil de definir a Filosofia Analítica, se porventura, ela tivesse mantido a sua forma original, na Inglaterra do princípio do século XX. Como o nome da dita filosofia indica, a ênfase era colocada numa Análise, compreendida como uma ferramenta para dividir os conceitos complexos nos seus constituintes mais simples. Por exemplo, o conceito de conhecimento foi decomposto nos conceitos de crença, verdade e justificação. Resultando que o conhecimento, era então analisado como sendo uma crença verdadeira justificada. Mais tarde, sobre o impulso de Carnap, a análise tomou nova forma; a de encontrar as condições necessárias e suficientes para predicados ou para enunciados. Foi preciso esperar por 1963 com Gettier, que os filósofos analíticos perceberam o quão haviam estado equivocados, em relação à natureza do conhecimento, o que os levou a buscarem novas análises.
Mas, voltando novamente à sua origem Britânica do princípio do século XX, a Filosofia Analítica nas mãos de Moore veio a erguer um pesado golpe sobre o Idealismo Britânico. O que Moore para isso fez foi: defender a independência da mente face ao mundo externo, a multiplicidade do mundo contra a unidade indivisível da mente, e sublinhar o papel fundamental das crenças do senso-comum.
Moore e Bertrand Russell, tinham em comum o facto de acreditar na multiplicidade de objectos irredutíveis, e por isso se afirmavam como atomistas. Mas foi Russell, quem cunhou o famoso termo de Atomismo Lógico, para este novo método de filosofia. Tendo resultado do Atomismo Lógico, a grande obra de Wittgenstein: o Tractatus Logico-Philosophicus.

Até agora só se falou da Filosofia Analítica na Inglaterra, mas é importante referir que na Alemanha (e Áustria), esta também se desenvolveu. Foi no final do século XIX, que um matemático Alemão, de seu nome Gottlob Frege, revolucionou a lógica formal. Foi a partir desta revolução, por ele iniciada, que também se iniciou no estudo dos fundamentos da linguagem, e do pensamento. No seu famoso artigo de 1918, entitulado «Pensamento», que Frege introduziu muitas das distinções, e ferramentas conceptuais, que desde então utilizam os Filósofos Analíticos.
Na Áustria, Schlick organizou o famoso Circulo de Viena, que recebeu forte influência do pensamento de Russell e de Wittgenstein, e que era constituído maioritariamente por cientistas com vocação a serem filósofos. Tanto que o jovem Ayer, como o jovem Quine, que assistiram às suas discussões, nunca mais foram os mesmos, nem a filosofia depois deles.
Quando Ayer regressou a Inglaterra, publicou o famoso livro: Linguagem, Verdade e Lógica. Que foi uma das mais famosas apresentações da filosofia do circulo em língua inglesa, onde nele ficou marcado o termo de Positivismo Lógico. No entanto, por causa do regime Nacional-Socialista na Alemanha, Carnap (referido em cima e figura de destaque do Círculo), assim como outros membros do Círculo, fugiram rumo aos Estados-Unidos, onde se viria a dar novo impulso à Filosofia Analítica.

16 de outubro de 2010

Missão 2010 | Pastoral da Cultura da diocese do Porto organiza mês dedicado à esperança.



O Secretariado da Pastoral da Cultura do Porto (SDPC) vai ser o principal responsável das actividades a realizar em Novembro no âmbito da “Missão 2010”, conjunto de iniciativas promovidas pela diocese para anunciar a mensagem cristã.

A evocação daqueles que vivem já na comunhão plena com Deus (Todos os Santos, dia 1), a esperança da vida eterna para os que morreram (Fiéis Defuntos, dia 2) e a espera de Cristo e do final dos tempos que caracterizam as quatro semanas antes do Natal (início do Advento, dia 28) dão o sentido ao tema escolhido para Novembro: “Esperança”.

O SDPC propõe às paróquias, movimentos e organismos “um mês de reflexão, de contemplação, de abertura à beleza” através de várias iniciativas, refere o site da diocese do Porto.

O departamento dirigido por Joaquim Azevedo, director do Centro Regional da Universidade Católica da Cidade Invicta, elaborou um folheto sobre a morte e a esperança cristã acessível a todos os públicos.

O texto, que deverá ser distribuído a todas as pessoas junto à entrada dos cemitérios, aborda o confronto com a morte de pessoas queridas e as várias perspectivas acerca da morte e da esperança.

Ainda dentro desta temática, o SDPC preparou a brochura intitulada “A Morte e a Esperança Cristã”, edição que inclui abordagens multidisciplinares e contributos de várias expressões artísticas.

As possibilidades apresentadas pela Pastoral da Cultura da diocese, que resultam de um trabalho realizado ao longo de 2010, incluem eventos onde predomina a componente artística: “A beleza abre-nos horizontes insuspeitados de acesso ao amor de Deus. Por isso, não desistimos de a propor como experiência e como horizonte”, assinala o Secretariado.

As paróquias e vigararias da diocese têm acesso a uma lista com propostas de concertos, que poderão exibir de acordo com os seus recursos financeiros e as datas disponíveis.

O mesmo esquema será aplicado a um conjunto de conferências e debates sobre a morte e a esperança cristã: o SDPC convidou especialistas que se deslocarão às paróquias para ajudarem na reflexão e aprofundamento daqueles temas.

A 15 de Novembro decorre o seminário “A pergunta na hora de partir – A morte na poesia portuguesa do século XX”, com inscrições até ao próximo dia 10.

A iniciativa, que decorre na Universidade Católica, conta com comunicações sobre quatro poetas portugueses - António Nobre, Teixeira de Pascoaes, Ruy Belo e Daniel Faria.

O programa é o seguinte: 09h30: Abertura (por Joaquim Azevedo); 10h00: António Nobre (por José Carlos Seabra Pereira); 11h15: Pausa; 11h45: Ruy Belo (por Manuel António Ribeiro); 13h00: Almoço; 15h00: Teixeira de Pascoaes (por Antonio Cândido Franco); 16h15: Pausa; 16h30: Daniel Faria (por D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, vogal da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais).

Pelas 18h30 será executada a obra "Quarteto para o Fim dos Tempos", de Olivier Messiaen.

Decorrerá simultaneamente uma exposição com obras da escultora Karin Somers.

Rui Martins
© SNPC | 14.10.10

In: http://www.snpcultura.org/pcm_pastoral_cultura_porto_esperanca.html

[Imagem: Mulheres diante do túmulo de Cristo (det.) (Benozzo Gozzoli)]

15 de outubro de 2010

Voto de pobreza - que sentido?

Amanhã, 4 jesuítas da província Portuguesa, vão professar os votos religiosos de castidade, obediência e pobreza. Depois de nos últimos 2 dias ter sido aqui testemunhado o que significam os votos de castidade e obediência, cabe a mim partilhar como entendo o sentido do voto de pobreza.
A primeira ideia, e que me parece ser a mais fundamental, é a consciência que a consagração não se faz com um valor em si, mas a uma Pessoa. Não fazemos voto de pobreza, pela pobreza, mas pelo desejo de viver uma vida como a de Jesus. Não se trata de outro tipo de pobreza, senão a de Cristo pobre e humilde!

Se não se entender isto, o voto de pobreza pode quase ser ofensivo. Como pode alguém querer viver pobre? Não deveríamos nós querer terminar com a pobreza?

E queremos!

Mas do que estou a falar é de outro tipo de pobreza. Trata-se de uma pobreza voluntária que gera total disponibilidade para servir o mundo de um modo gratuito, lembrando a todo o momento como também o Amor de Deus por cada um é gratuito. A ausência de seguranças próprias, de bens materiais, a procura de um estilo de vida simples, quer ser uma ajuda para um modo de vida alegre e hospitaleiro para com cada pessoa que vem ao nosso encontro. Abdica-se de ter qualquer coisa própria, de modo a que tudo o que se tenha seja em função e para servir os outros.

O voto de pobreza é igualmente afirmação de uma vida confiada na providência divina. Quando Jesus envia os discípulos, dá-lhe indicação para que «não leveis nada para o caminho, nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas» [Lc 9,3], pois a nossa confiança não está neste mundo.

Resumindo, o voto de pobreza, no meu entendimento, é a manifestação de uma vida totalmente livre para amar cada um na sua diversidade, que serve gratuitamente sem procurar qualquer recompensa e com uma confiança total em Deus, tornando-nos assim mais disponíveis para os outros.

13 de outubro de 2010

uma questão de ouvido


Para um estranho, um encontro com um edifício, não importa a sua antiguidade ou o fascínio que os seus traços possam exercer sobre a curiosidade de outros transeuntes, não passará de um tropeção numa muralha de pedras e argamassa a menos que alguém o introduza na história que deu corpo e volume àquela fachada.

Falar de obediência é, sobre muitos aspectos, esbarrar num “edifício” demasiado vistoso para ser ignorado e, no entanto, demasiado antigo para ser lido como algo mais que um obstáculo. No nosso imaginário – político ou religioso –, obediência evoca, sem mais, uma relação de submissão a algo exterior à pessoa que, impondo-se-lhe, a priva da sua própria autonomia e até do uso da consciência crítica. Diante de um monumento assim descrito, que turista ousaria disparar um flash? E se o fizesse, qual seria a legenda desse cenário de holocausto?

Antes de tudo, obediência (a atitude de escuta) tem que ver com atenção. Dar ouvidos. Levar o outro a sério, como quem se apercebe que do lado de lá há alguém ou alguma coisa que nos acena com a possibilidade de uma descoberta. Nenhum cientista o seria se não obedecesse ao que se lhe oferece como pergunta (como é isso possível?); nenhum artista teria cores, sons ou palavras se não se demorasse, com espanto, nos vários mundos que o mundo tem; nenhum apaixonado poderia descobrir o segredo do sorriso daquela a quem ama se não fosse, antes de tudo, um ouvinte embevecido. Esta obediência nasce no deslumbramento: o que temos diante de nós é extraordinário, rindo ou berrando. Aquilo que aproxima o discípulo do seu mestre, algures numas montanhas geladas, não é a resignação à sabedoria do ancião, mas a intuição de que algo na sua brancura vetusta fala de nobreza humana. E isso impressiona. E isso nutre o íntimo desejo de realização, de cumprimento de si.

A visão fascinante desse mundo que habitamos (mas que, de o admirarmos, também nos invade e vive em nós) confunde-se com o nosso próprio sonho de cumprimento. Somos no mundo. A abertura ao mundo, atenta, demorada, apaixonada, obediente, levar-nos-á à escola da construção de nós mesmos. O mundo que apreciamos diz-nos que não nos faremos isoladamente, fechados em nós.

Nesta medida, se a obediência fala de escuta, fá-lo para nos introduzir num diálogo. Afinal, de onde nos vêm as palavras se não as colhermos, se não nos sentarmos com elas à mesa do nosso próprio silêncio e, mastigando-as, as fizermos nossas? As palavras precisam de ser decantadas, ou não serão [nossas], ainda que tenhamos sido nós a soltá-las. A obediência é o berçário das palavras: das que recebemos e, ruminando, fazemos nossas; das que cultivamos em nós e entregamos aos outros. Sem ela o diálogo seria profundamente impessoal: somente uma troca de sons e rabiscos.

A obediência só será humana enquanto nos levar a essa escola de comunicação. E, humanamente falando, nada é tão comunicativo quanto o amor. Dificilmente alguém daria ouvidos a um autómato, por eficaz que fosse nos seus comandos; mas quem recusaria cedê-los a alguém amável, amante e amado? No vocabulário cristão, obedecer e amar estão tão próximos como as unhas distam da pele, porque receber, cuidar e agir em favor do outro – que são o horizonte do amor – são exercícios de obediência, e só poderão ser cumpridos no pleno exercício das nossas faculdades. Quando se ama, ama-se por inteiro, com o corpo todo (pele e ossos; inteligência e criatividade). Obedece-se assim, também. Se amar e obedecer se confundem, e se o amor não obriga mas liberta, então só alguém profundamente livre poderá ser obediente. Porque não se ama por imposição.

Castidade - uma forma de amar

Entre as perguntas-tipo que se costumam fazer a um padre, um consagrado, ou a uma pessoa que se prepara para tal, estão, quase sempre, aquelas que se prendem com a castidade, o celibato e a sexualidade… Por isso, pareceu-nos importante falar um pouco sobre o que seja o voto da castidade para um jesuíta, sem a pretensão de elaborar aqui qualquer tratado sobre o tema.

Para dissipar desde já alguns preconceitos quanto à questão, convém referir que a castidade não constitui uma negação, nem sequer uma repressão da sexualidade humana. Com efeito, pelo voto de castidade – um dom recebido de Deus – o jesuíta faz uma entrega radical da sua vida a Deus e ao seu serviço. Esta entrega faz-se no contexto de uma relação única com a pessoa de Jesus, e é o amor a esta Pessoa que impele o jesuíta a abdicar de qualquer relação exclusiva com alguém, de um casamento, ou da constituição de família.

Porque é dom, para um jesuíta a castidade não faz qualquer sentido se entendida num plano de mera santificação pessoal. Pelo contrário, este voto possui um carácter essencialmente apostólico, ou seja, é exigido pelas necessidades e pela urgência do Reino. Explico-me: o jesuíta não faz voto de castidade porque assim vai ser mais santinho; mas é a paixão pelo Reino, pela missão, pelo serviço, que implica um tal estado de vida. Desta forma, mais do que continência sexual, a castidade consiste em o consagrado ter encontrado um tesouro (o Reino) pelo qual está disposto a dar tudo (cf. Mt 13, 44).

Nestes termos, o jesuíta há-de viver sempre a castidade no meio de pessoas, em relações de proximidade, profundamente implicado na vida daqueles a quem serve. Viver de tal forma será possível, se o jesuíta vive uma relação profunda e íntima com Jesus, que lhe permite, ao mesmo tempo, estar inteiro, próximo e profundamente disponível para cada homem e mulher a quem serve, sem se apropriar da amizade ou do amor de ninguém. Assim, irá aprendendo a integrar positivamente, e de forma progressiva, a sua afectividade e a capacidade de amar e ser amado.

12 de outubro de 2010

Companhia de teatro de inspiração católica procura atores

O Teatro do Ourives vai apresentar em Dezembro um “Mistério de Natal”, texto que resulta de uma experiência comum entre um autor inesperado e sacerdotes católicos e tornou realidade “a união mais ampla possível entre cristãos e não crentes”.

No próximo sábado, dia 16, a companhia observa os talentos de pessoas com mais de 18 anos que tenham disponibilidade para ensaiar duas ou três vezes por semana e, “sobretudo”, que queiram “cruzar a horizontalidade” da existência com a “verticalidade católica”.
Os interessados deverão estar entre as 15h00 e as 18h00 na Rua de São Domingos (Lapa), perto do n.º 41, levando roupa confortável para o trabalho de corpo e voz.

Para saber mais (inscrições ou esclarecimentos): 91 677 05 13; teatrodoourives@gmail.com



In.: http://www.snpcultura.org/breves_index.html#2010_10_12b

[imagem de "Breve Sumário da História de Deus" de Gil Vicente, pelo TNJS]

10 de outubro de 2010

Votos hoje?


Viver em pobreza, obediência e castidade? Um desaproveitamento da vida. Pobreza, numa sociedade onde as coisas que nos podem fazer mais felizes são facilmente atingíveis em troca de certa quantidade de dinheiro? Obediência, tendo com a nossa autonomia oportunidade nestes tempos de nos transformarmos comodamente em deuses pessoais? Castidade, rodeado de tantas possibilidades de prazer? Quase um absurdo, estes votos.”

Esta bem poderia ter sido a minha resposta com vinte anos. Mas não cinco anos depois. A vivência deste compromisso enche de sentido cada dia da minha vida.
A emoção ao ajoelhar- me diante da Eucaristia naquela manhã radiante em Loyola era incontida. Um gesto que quis mostrar o meu desejo de entregar a própria vida àquele que ma permitiu primeiro. Por isso, esta pobreza, esta obediência e esta castidade são perante Deus e para as pessoas. E, no meio e no centro, Jesus, como exemplo de que os seus valores -propostos por ele naquelas alturas- ainda são possíveis. Possíveis e desejáveis.
Quem não fala hoje de valores? Quem não os procura? Eis aqui, pois, alguns. Aparecem na vida de Jesus. Ele age no Evangelho. E no mundo. No nosso mundo. Este mundo que tantas vezes nos incomoda ou nos desilude, mas no qual ainda acreditamos, pois contém histórias fascinantes de pessoas. Inclui momentos espantosos de encontro entre gente, simplesmente, boa. É o mundo no qual vivemos, e o qual tanto precisa de nós: jovens com votos e também sem eles, cristãos de todas as idades, homens e mulheres decididos a fazer da convivência com os mais próximos algo desejável e não evitável. Trabalhar, cada um desde a sua profissão, por esse outro mundo mais humano e habitável do qual tanto falamos. Façamo-lo, então!
E eu, pessoalmente, encontro ajuda e agradeço esta pobreza, que me faz livre a respeito das coisas; e esta castidade, que me faz livre a respeito das pessoas; e esta obediência, que me faz livre a respeito do eu próprio.
Assim, consegue-se amar e servir sem descanso.
Assim fica uma vida aproveitada.
Sim. Votos hoje.

Grandes equívocos do ateísmo radical contemporâneo


Equívoco fundamental: O maior drama do ateísmo radical não é a sua impossibilidade de demonstrar a inexistência de Deus, mas sim a de estar estruturalmente impedido de conseguir o seu objectivo: erradicar a religião, mesmo que essa erradicação se refira apenas à religião enquanto instituição. Porque das duas, uma: ou tece críticas inteligentes, objectivas e fundamentadas à religião, e nesse caso só pode ser benéfico para ela; ou as suas críticas não são nem inteligentes, nem objectivas, nem fundamentadas – o que acontece com frequência -, e, nesse caso, elas não beliscam a religião.


Décimo equívoco: A existência de Deus é uma hipótese cientifica e pode, por conseguinte, ser objecto da investigação dos cientistas, a qual poderá chegar a uma posição conclusiva sobre a existência ou não de Deus.

1.A Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos considera sem margem para dúvidas que “a ciência constitui um modo de conhecimento acerca do mundo natural. Limita-se a explicar o mundo natural através de causas naturais. A ciência nada tem a dizer acerca do sobrenatural. A ciência mantém-se neutra acerca d existência ou não de Deus.” (Teaching about Evolution and the Nature of Science, Washington, DC: National Academy of Sciences, 1998, p. 58)
Contrariando esta declaração, alguns autores passaram a defender a tese de que não só não é verdade que a ciência não tem algo a dizer sobre a religião, como também a ciência atingiu actualmente um tal nível de desenvolvimento que pode provar que Deus não existe, partindo do pressuposto que a expressão “Deus existe” deve ser considerada uma hipótese que pode ser submetida a falsificação pelos métodos das ciências empíricas.

2.Para Richard Dawkins, “a presença ou ausência de uma superinteligência criadora é inequivocamente uma questão científica.” (The God Delusion, pp. 58-59. O autor crê que a ciência se pode pronunciar sobre a existência ou não existência de Deus, pelo menos em termos probabilísticos: “a existência de Deus é uma hipótese científica como outra qualquer… A existência ou não existência de Deus é um facto científico respeitante ao universo, que pode ser descoberto em teoria, se não na prática… E mesmo que a existência ou a não existência de Deus nunca venham a ser provadas ou refutadas com firme certeza, as provas e a argumentação disponíveis podem produzir um cálculo de probabilidade muito além dos 50 por cento.”(Ibid., p. 77)

A possibilidade ou impossibilidade de a ciência se pronunciar sobre Deus depende evidentemente do ponto de partida acerca do conceito que se tiver de Deus. O conceito que se tem em geral de Deus é o de um criador do universo e que, por conseguinte, não é um elemento desse universo. Por esta razão, ele não poderá ser objecto da ciência mas sim da filosofis e da teologia. Por conseguinte, há objectos de estudo específicos da ciência e há objectos de estudo específicos da filosofia e da teologia. Esta é a posição de autores como Alister McGrath em Dawkins’ God: Genes, Memes and the Origin of Life, e Stephen Jay Gould em Rocks of Ages, para só mencionar dois dos muitos exemplos possíveis .

3.Em God, the Failed Hypothesis, Victor Stenger afirma, contra a posição de Steven Jay Gould sobre a relação entre ciência e religião, conhecida por NOAM (non overlaping magistrium), que “a maior parte das religiões fazem mais do que prescrições éticas, elas fazem afirmações acerca da natureza, as quais a ciência é livre de avaliar”(God, the Failed Hypothesis, p. 10) O autor refere ainda que a ciência tem um papel importante no estudo de objectos físicos, dando como exemplo o sudário de Turim, cujo estudo científico, segundo o autor “pode ter implicações religiosas.”(ibid.) O autor não explicita quais poderão ser essas implicações. Ora, por um lado, nenhum cristão se sente obrigado a acreditar ou não acerditar que o sudário de Turim é realmente o lençol no qual foi depositado o corpo morto de Jesus. Por outro lado, ainda que através de meios de que hoje ainda não dispomos fosse possível chegar à certeza definitiva de que estamos em presença daquele lençol, o que poderia isso aumentar ou diminuir a fé em Jesus, na sua morte e ressurreição?

Presentemente, continua Stenger, “a ciência avançou o suficiente para poder produzir afirmações definitivas sobre a existência ou não existência de um Deus que tenha as características que são tradicionalmente associadas ao Deus judeo-cristão-islâmico. Possuimos hoje uma considerável quantidade de dados empíricos e de modelos científicos muito eficazes sobre a existência de Deus. Chegou a hora de examinar o que esses dados e modelos nos dizem acerca da validade da hipótese de Deus ” (ibid., p. 11)

Stenger afirma conhecer a posição daqueles a quem chama “teólogos sofisticados que criaram concepções de um deus altamente abstractas que segundo eles são consistentes com a sua fé.” É claro que, segundo o autor, “qualquer pessoa pode sempre criar conceitos tão abstactos que estejam foram do alcance da investigação científica. Todavia, esses deuses não seriam reconhecidos pelo crente comum.” (ibid.) Stenger prefere confrontar-se com os ‘crentes comuns’ e não com os teólogos que têm certamente um discurso mais articulado sobre a fé, e isto por dois motivos: os seus conceitos são demasiado abstractos e não são científicamente analisáveis, e não correspondem à religião popular. O autor retira do seu campo de investigação precisamente os elementos que podem pôr em causa os seus pressupostos e a sua metodologia.

A proposta de Stenger parte do pressuposto de que Deus actua no universo físico através de acções que têm efeitos físicos. É por isso que, segundo ele, a ciência pode pronunciar-se sobre a existência de Deus, uma vez que pode determinar com rigor se tais efeitos físicos, resultantes da intervenção específica de Deus, são objectivamente observáveis através da metodologia científica. A impossibilidade da observação de tais efeitos constitui, segundo o autor, um elemento falsificador da existência de Deus. Trata-se, por conseguinte, de uma prova indirecta da inexistência de Deus. Aliás, para Stenger a prova é duplamente indirecta: por um lado, os efeitos físicos atribuíveis à acção de Deus não deverão ser explicáveis pelos modelos científicos e manifestar-se-ão, por conseguinte, através de lacunas nesses modelos. Tais lacunas constituiriam uma prova indirecta da intervenção física de Deus no universo físico. Uma tal prova indirecta da intervenção de Deus constituiria també uma prova indirecta da sua existência. “A minha análise”, afirma o autor, “basear-se-á na tese de que Deus deveria ser detectável por procedimentos científicos simplesmente em virtude do facto de se considerar que ele desemprenha um papel central no funcionamento do universo e da vida dos seres humanos. Os modelos científicos existentes não têm nenhum lugar para Deus como um elemento que permita descrever observações. Por conseguinte, se Deus existe, ele deve aparecer algures nas lacunas ou erros dos modelos científicos.” (ibid., p. 13) Stenger parte, porém, de um pressuposto que não é aceitável, uma vez que a acção de Deus no universo e na vida dos seres humanos não se coloca ao mesmo nível das leis da natureza. E se no passado, como no presente, alguns crentes têm apelado à acção de Deus para explicar a incapacidade da ciência em explicar determinadas características ou aspectos do universo e da vida que estão ao nível das explicações científicas mas que a ciência poderá ainda não explicar – o chamado Deus-tapa-buracos- um tal argumento é cada vez menos invocado pelos crentes em geral. Paradoxalmente, porém, ele surge agora resgatado pela mão de Stenger. Por esta razão, ele crê poder afirmar que “se pudermos encontrar modos plausíveis pelos quais todas as lacunas existentes no conhecimento científico poderão ser um dia preenchidas, então os argumentos científicos para a existência de Deus falharão. Poderemos então concluir que não precisamos incluir Deus nos modelos que elaboramos para descrever os fenómenos que são actualmente observáveis pelos seres humanos.” (ibid., p. 17)

O método seguido por Stenger para provar cientificamente que Deus não existe é pois o de aplicar à hipótese da sua existência rigorosamente a metodologia científica, e o seu objectivo é o de mostrar que a ciência não só não encontra um lugar para Deus nos seus modelos científicos, mas mais do que isso “proporciona evidência contra a existência de Deus.” (ibid.) Quando se submete a teste uma hipótese, as consequências empiricamente observáveis que se deduzem dessa hipótese são submetidas a teste através de observações objectivas. Se o resultado de tais observações coincidirem com o que se deduz da hipótese, esta fica confirmada. Caso contrário, fica falsificada, o que leva o autor a afirmar que “Se as observações realizadas são as que se deduzem da ausência de um deus específico, então isso pode ser considerado como um elemento adicional contra a sua existência.” (ibid.)

Stenger parte, pois, do suposto que “as afirmações de que a ciência não estuda o sobrenatural, e que as hipóteses sobrenaturais não são testáveis são factualmente incorrectas.” (ibid., p. 29) Como exemplo desta metodologia o autor cita as investigações realizadas por prestigiadas instituições sobre o efeito curativo de orações feitas à distância. Os resultados destas investigações têm sido publicados em revistas de prestígio internacional. Por conseguinte, está provado, segundo o autor, que a ciência estuda o sobrenatural e que, por isso, ele pode afirmar, referindo-se à sua obra God, the Faiked Hypothesis, que “a tese defendida neste livro afirma que a hipótese sobrenatural de Deus é testável, verificável e falsificável pelos métodos científicos reconhecidos. Podemos imaginar todo o género de fenómenos que, se observados com base no naturalismo metodológico, sugeririam a possibilidade da existência de alguma realidade muito improvávelmente consistente com o naturalismo metafísico.”(ibid., pp. 29-30) Ora, segundo Stenger, a existência de tais fenómenos nunca foi empiricamente confirmada.

Stenger formula então o “argumento científico contra a existência de Deus” da seguinte forma: “1. Considera a hipótese de um Deus que desempenha um papel importante no universo. 2. Assume que Deus tem atributos específicos que deveriam proporcionar evidência objectiva em favor da sua existência. 3. Procura uma tal evidência sem preconceitos. 4. Se essa evidência for encontrada, conclui que Deus talvez exista. 5. Se essa evidência não for encontrada, conclui, para além de qualquer dúvida razoável, que um Deus com estas características não existe.” (ibid., p. 43)

Stenger elenca em seguida sete tipos de evidência que têm sido propostos pelos crentes para fundamentar a existência de Deus e que, segundo ele, fundamentam exactamente o contrário, isto é, a ideia de que Deus não é necessário para explicar essa evidência. (1) A estrutura do universo, especialmente no que se refere aos seres vivos é o resultado de processos naturais, não exibe qualquer sinal de um deus programador .(2) O facto de que os processos mentais têm uma base biológica contradiz a hipótese da existência de um Deus que garante a imortalidade das pessoas. (3) Os milagres, bem como acontecimentos históricos que são referidos na Bíblia, como o Exodus, não têm qualquer fundamento, e nada têm por isso a ver com a existência de um deus.(4) Um deus que miraculosamente criou o universo está em contradição com o facto de não ter havido qualquer violação das leis físicas para a criação do mesmo universo. (5) Um deus que criou um universo bem ajustado nas suas leis e constantes físicas intencionalmente criadas para permitirem o aparecimento da vida, está em contradição com o facto empírico de que o universo é maioritariamente composto por partículas em movimento aleatório, formando as estruturas galácticas menos que 4% da massa do universo. (6) Um deus que se comunica através da revelação está em contradição com a falta de confirmação empírica de alguma revelação. (7) Um deus que é o fundamento da moral está em contradição com o facto empírico de que são os seres humanos que definem as normas morais.

O autor crê que a ciência pode demonstrar que nenhuma destas evidências tem um fundamento suficiente; pelo contrário, um tal fundamento está totalmente ausente. Por conseguinte, a ciência não só não encontra qualquer evidência empírica que seja explicável apenas no caso da existência de Deus, mas encontra, pelo contrário, evidência empírica consistente com a não existência de Deus, sobretudo a existência do mal e os efeitos negativos das religiões nas sociedades.

O equívoco fundamental de Stenger consiste em pressupor que Deus pode ser encontrado nas suas pretensas manifestações particulares, neste ou naquele fenómeno observável. Para os cristãos, porém, é no universo no seu conjunto que Deus se manifesta, e naão apenas nesta ou naquela lacuna que possa vir a ser encontrada nas explicações científicas. E é claro que a expressão “universo no seu conjunto” inclui os seres humanos, também os cientistas e a sua actividade de investigação do universo. Se partirmos deste pressuposto, que contradiz frontalmente o de Stenger, facilmente se conclui que cai por terra toda a sua argumentação sobre a possibilidade de a ciência se ocupar da existência de Deus. Acresce ainda que Stenger se alia ao grupo de autores que porpõem o ‘intelligent design’. Também eles afirmam que Deus se revela fisicamente em elementos particulares da natureza, como o flagelo da bactéria.

4.Recentemente, o agnóstico Michael Ruse afirmou precisamente o contrário de Stenger. Ruse reconhece a espeficidade das questões religiosas, às quais a ciência não poderá nunca responder. O autor reconhece também a legitimidade das questões religiosas: “embora procuremos compreender a ciência e os seus triunfos, questões como as que se referem às origens últimas não são simplesmente investigadas pela ciência tal como a conhecemos hoje. Afirmo também – e isto é muito importante – que estas questões são genuínas. Por conseguinte, considero que pertence a outros tentar responder a estas questões. No entanto, tais respostas devem ser, de algum modo, de um género diferente: deverão ser não científicas. Por esta razão, não é legítimo criticar as religiões por não oferecerem uma resposta do género científico.” (Science and Spirituality, Cambridge: Cambridge University Press, 2010, p. 183)

5.Por seu lado, Keith Ward afirma que a ‘hipótese de Deus’ é filosófica ou metafísica e não científica. O autor refere-se a diversos géneros de hipóteses que não são científicas no sentido comum do termo. Uma hipótese científica deve poder ser testada através de procedimentos públicamente observáveis e controláveis, devem ser repetíveis e devem permitir a formulação de predições. Ora, a maior parte das hipóteses formuladas pelos historiadores, por exemplo, não são científicas neste sentido. As explicações sobre as causas da Segunda Guerra Mundial, baseiam-se em factores económicos e sociais, bem como nas motivações dos políticos de então. Esta é uma hipótese, mas não permite fazer predições, não permite testes com base em observações públicas, e os factos a que se refere não são repetíveis. Em todo o caso, a História é considerada uma ciência. Mas a hipótese de Deus nem é sequer uma hipótese histórica como a que se refere às causas de Segunda Guerra Mundial: “A hipótese de Deus não é científica nem histórica, nem se limita a proporcionar um registo ou as predições da minha experiência subjectiva. Não dá lugar a predições específicas, e não pode ser testada em condições de observação e controle públicos. É uma hipótese filosófica ou metafísica. Propõe que a melhor forma de compreendermos a realidade em que vivemos consiste em postular um género de realidade última que explica toda a riqueza da variedade de realidades que experimentamos.” (Why there almost certainly is a God, Oxford: Lion Hudson, 2008, p. 28)

Também para Ward Deus não deixa apenas um ou outro vestígio na natureza que possa ser investigado com métodos científicos adaptados a esses vestígios. É em “toda a riqueza” da realidade que Deus se manifesta. E dado que é diferente do universo, nem mesmo uma teoria científica unificada poderá alguma vez revelar a existência ou a não existência de Deus.

Alfredo Dinis

reconhecendo uma presença que salva

Um dos lugares onde a nossa fé é posta em causa, é diante da realidade quotidiana do sofrimento, qualquer que seja a dimensão em que este se manifesta. Neste domingo, as leituras colocam-nos diante de duas curas. Uma a Naamã, outra a 10 leprosos. Será que a cura física é a salvação que Jesus nos traz? Diante de gente que, sendo boa, não é curada dos seus sofrimentos, poderá dizer-se que Deus faz acepção de pessoas? Creio que não. A salvação é algo de muito mais profundo, como as leituras nos atestam. Os milagres são inseparáveis da salvação, mas surgem como sinais quotidianos que, não tendo de ser espectaculares, se apresentam como lugares de Deus. Momentos em que Deus se faz presente, mostrando o Seu lugar em cada história particular. Portanto, os milagres salvam apenas quando O reconhecemos neles.

É curioso reparar que, no Evangelho, dez pessoas são curadas, mas só a um deles é que Jesus diz: “Salvou-te a tua fé”. Os dez ficaram limpos da lepra, mas apenas um foi salvo. Porque será isto? Terá sido só pelo facto de ele ter ido agradecer a cura a Jesus? Se foi por esta razão, Jesus torna-se um bocado caprichoso, porque apenas salva aqueles que lhe vêm agradecer. Parece que assim, a salvação não é gratuita.

Mas, olhemos atentamente para o texto: “Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus”. Ora, a glória de Deus significa: o peso ou valor de Deus. Dar glória a Deus significa: reconhecer o Seu peso, o Seu toque. Este [leproso] samaritano reconheceu a Deus por detrás daquele toque, ao passo que os demais não O reconheceram. O que salvou este estrangeiro, forasteiro de quem nada se espera, foi que ele reconheceu no gesto curador de Jesus, o toque do próprio Deus, Aquele de quem os outros nove pouco ou nada esperaram. Nesta salvação, mais do que uma cura, há uma identificação forte entre o samaritano e Deus; de ambos pouco se espera e mutuamente se recebem.

Portanto, ser salvo não é passar num exame sobre as boas acções praticadas, que acontecerá num juízo final. Ser salvo é ser atingido pela presença de Deus que, por detrás de tantos momentos, Se oferece constantemente a nós. Todos os dez leprosos receberam a Deus, mas só um foi salvo, aquele que, reconhecendo-O como fonte de vida, se identificou com a Sua Vida. Todos nós recebemos a Deus de inúmeras formas, como o inesperado que partilha o nosso caminho. Cada passo consciente e verdadeiro no nosso caminho é já intimidade com Deus, é já início das mãos do Pai. A nós cabe-nos reconhecê-lO e assim seremos salvos. Não por uma cura milagrosa, nem por uma crença mental, mas porque, reconhecendo-O, tornamo-nos nAquele que recebemos. É isto que nos salva!


Evangelho | Lc 17, 11-19

7 de outubro de 2010

Os jesuítas e a implantação da República

Padre Nuno da Silva Gonçalves, provincial da Companhia de Jesus, passa em revista um dos períodos mais conturbados para a congregação.


Após a expulsão pombalina de 1759, os jesuítas só voltaram a Portugal em 1829, numa curta permanência interrompida em 1834, desta vez da responsabilidade do governo liberal.

O ano de 1858 assistiu um novo reinício, com a abertura do Colégio de Campolide, em Lisboa, por iniciativa do P. Carlos Rademaker, figura central do regresso da Companhia de Jesus a Portugal.

Consolidada gradualmente esta presença, a Província Portuguesa da Companhia de Jesus foi oficialmente restaurada em1880, quando os seus membros eram 137: 49 sacerdotes, 38 irmãos e 50 estudantes.

Em 1910, ano da implantação da República, a Província Portuguesa contava com 360 jesuítas, dos quais 147 eram sacerdotes, 112 irmãos e 101 estudantes.

Todas as actividades que desenvolviam, nomeadamente na educação, formação espiritual, investigação científica, publicações e missões, foram interrompidas violentamente quando, em Outubro de 1910, pela terceira vez na sua história em Portugal, a Companhia de Jesus foi perseguida e privada dos seus bens, vendo todos os seus membros desterrados.

O ambiente que propiciou a expulsão, mal a República foi instaurada, tinha lançado raízes muito antes.

O centenário da morte do Marquês de Pombal, em 1882, havia sido convenientemente aproveitado para uma campanha contra a Companhia de Jesus e ligas anti-jesuíticas tinham-se formado por todo o País, na sequência de outros ataques à Igreja.

Em 1901, o governo pretendeu regular a presença dos institutos religiosos, determinando que nenhuma associação de carácter religioso pudesse funcionar sem prévia autorização do governo, ao qual deveriam ser apresentados os estatutos pelos quais a associação pretendesse reger-se.

Nesta contingência, as comunidades religiosas trataram de organizar estatutos em conformidade com as indicações governamentais.

As casas da Companhia de Jesus, em Portugal e nas missões, passaram a funcionar como estabelecimentos da Associação Fé e Pátria e os respectivos estatutos foram aprovados e publicados no Diário do Governo.

Esta cobertura legal revelou-se, no entanto, insuficiente. Em Lisboa, os jornais “O Século”, “O Dia” e “O Mundo”, e, no Porto, “O Primeiro de Janeiro” ecoavam a campanha contra os jesuítas o que levou o P. Luís Gonzaga Cabral, Provincial, a advertir os seus súbditos para o perigo iminente, em carta de 8 de Setembro de 1910.

Dias depois, começaram, por ordem do governo, inquéritos em diversas casas: Noviciado do Barro, Colégio de Campolide e comunidade da Rua do Quelhas, em Lisboa, que foi dissolvida a 3 de Outubro de 1910.

O corolário foi já da responsabilidade do governo provisório da República que, a 8 de Outubro de 1910, restaurou a lei pombalina de 3 de Setembro de 1759.

Alguns jesuítas conseguiram de imediato refugiar-se em Espanha mas muitos outros foram encarcerados. Depois de algumas semanas na prisão, no dia 4 de Novembro de 1910, estava consumada, mais uma vez, a expulsão dos jesuítas de Portugal.

A política do P. Luís Gonzaga Cabral, após a expulsão, teve duas vertentes: em primeiro lugar, conservar na Europa o núcleo central da Província, constituído pelas casas de formação e algumas residências; em segundo lugar, reforçar o pessoal da missão de Goa, cujas casas se podiam manter por se encontrarem em território de domínio inglês; ao mesmo tempo, procurou novos campos de actividade, principalmente no Brasil, onde foi fundada a missão do Brasil Setentrional com sede em Salvador da Baía.

Significativamente, o exílio não foi impedimento para que a Província Portuguesa da Companhia de Jesus mantivesse e até aumentasse os seus efectivos: eram 380, em 1925, com 179 sacerdotes, 84 irmãos e 117 estudantes.

Passado o ímpeto persecutório, começaram a reabrir-se cautelosamente, em Portugal, algumas residências: Póvoa de Varzim, em 1923; Lisboa e Braga, em 1925; Porto, em 1927; e Covilhã; em 1929.

As casas de formação e o Instituto Nun’Alvres, então em La Guardia, na Galiza, regressaram em 1932.

A Constituição de 1933 e o decreto de 12 de Maio de 1941 que, na sequência da Concordata de 1940, reconheceu a Companhia de Jesus como corporação missionária, viriam normalizar a situação jurídica dos jesuítas em Portugal que, ao longo dos anos quarenta e cinquenta, se fixaram nos locais que, substancialmente, ainda hoje mantêm.

Nuno da Silva Gonçalves S.J.

In.: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81830

6 de outubro de 2010

Depois do After Ben


Que estranho é fazer a “apologia” de uma liderança, de uma autoridade. Ainda mais estranho porque a liderança é tão exigente como a de um Papa. Hoje, a autoridade tem um lugar ambíguo: espera-se que toda a autoridade seja subtil, mas indelével; cirúrgica com o outro, mas distendida para o meu caso; reclamamos listas intermináveis de direitos, mas fugimos dos deveres, tarefas enfadonhas…

No passado fim-de-semana houve um encontro com mais de 800 pessoas entre os 16 e 35 anos, que teve por centro as palavras de Bento XVI em Portugal. Realmente pode parecer que éramos um grupo de Papistas, daqueles em vias de extinção, que por falta de pensamento crítico, seguem o rebanho por terem pastor - tal como seguiriam numa outra qualquer multidão, instigada por um grito de ordem. Há quem pense nos católicos submissos e acríticos como um tesouro que conserva a paz interna sob a alçada de Sua Santidade o Papa. Não! As palavras de um Papa não são mais que um revisitar profundo e actual do Evangelho de Cristo - como ficou claro na mensagem que o Papa enviou aos que estávamos em Cernache.

Um encontro de cristãos situa-se sempre na centralidade que Jesus tem na vida dos que O conhecem. Por isso, os workshops, paneis e reflexões, que trespassaram este fim-de-semana, tactearam integralmente - norteados pelos apelos da visita Apostólica do bispo de Roma - as dimensões da fé, buscando uma inovadora e criativa construção do mundo que pisamos.

5 de outubro de 2010

Depois do AFTER BEN...


A tão curta distância do final do After Ben, é ainda pouco o que consigo escrever sobre o tanto que se VIVEU em Cernache.
Ao pensar no que gostaria de partilhar sobre este MEGA ENCONTRO, surgiram-me duas imagens: a da árvore genealógica da concretização do encontro; e a da árvore genealógica da minha estada no After Ben. A primeira traz consigo a história que está por detrás de tudo aquilo que permitiu o After Ben existir. Ou seja, tem a ver principalmente com os bastidores. A segunda tem a ver com a minha vida. Com o facto de, naqueles dias, sentir que toda ela convergira para Cernache.
No entanto, assim que comecei a pensar na forma de passar essas imagens para o papel, percebi que desenhar essas árvores não ia ser nada fácil. Ambas começaram a ter muitos troncos. E porquê? Porque a quantidade de PESSOAS de quem me ia lembrando era muito grande. E a verdade é que ainda não parei…
A única coisa que não foi difícil, foi chegar à raiz das árvores, a DEUS.

O que posso então dizer é que partindo de, e com, Deus, centrado nas palavras do Papa Bento XVI – o Vigário de Cristo na Terra, e juntamente com mais cerca de 800 pessoas, parece-me que pude MESMO ver, ouvir, sentir, cheirar, saborear, mas principalmente VIVER, o After Ben.

Foi, de facto, tempo para “reacender o rastilho” que NOS levará para o AMANHÃ QUE NOS ESPERA!