25 de janeiro de 2011

A nossa bonita fraqueza

(Comentário à apresentação dada por Brené Brown*, sobre o poder da nossa vulnerabilidade, em TED.com - TED is a small nonprofit devoted to Ideas Worth Spreading)

Berné Brown: The Power of Vulnerability - com legendas



Como abraçar a nossa vergonha, os nossos medos, aquilo que somos?

Brené Brown, apresenta-nos um modo através do qual as nossas vidas podem dar uma volta, a partir de uma investigação de 10 anos que mudou a sua vida, o seu modo de viver, amar e de ser mãe.

Brené Brown procura entender e dar resposta às muitas angústias e medos que o homem de hoje vive. Visto ser um homem que vive e precisa de relações, a sua proposta passa por: Aceitar e abraçar as nossas fraquezas, e amá-las. E deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou. Algo absolutamente necessário para um relacionamento. E aceitar o que nos faz vulneráveis, faz-nos olhar para a nossa vida como lugar de beleza, olhar para uma maravilhosa pessoa, “beautiful”, porque é autêntica e não fictícia. Ter a coragem de ser imperfeito, coragem de ser aquilo que sou e deixar que nos olhem, e nos olhem em profundidade.

Esta vulnerabilidade de que todos abraçamos, é origem da vergonha, do medo, da nossa luta pela dignidade, mas também é origem da alegria, criatividade, sentido de pertença, e de amor. Esta investigadora inspira-nos a ganhar mais vida.

E aqui, eu proponho que olhemos para as nossas debilidades, não com um olhar recriminador, mas com o olhar de Cristo. Um olhar que vê muito mais fundo, não para as coisas que fazemos ou que somos menos bons, mas para o mais fundo onde somos aquilo que somos. É aí que Jesus nos Ama e nos faz crescer.

Será que o meu olhar sobre a minha vulnerabilidade é recriminador, porquê? Se há alguém que não olha assim e que continua a gostar de mim? Como nos diz Santo Inácio nos Exercícios Espirituais nos nºs [328-337], que certamente esta visão recriminadora só vem do mau espírito e não de Deus.

Tenhamos coragem de olhar como Cristo olha para nós e saborear o verdadeiro ser que brota de uma relação profunda. Assim as nossas relações serão mais profundas, autênticas e dignas de amor, com sentido de pertença a alguém, sem vergonhas, sem tristezas escondidas, apenas autênticas. Precisamos de ser amados!

Recomendo a visualização completa desta apresentação.

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* - Brené Brown é investigadora da Universidade de Houston da Faculdade de Serviço Social. Passou os últimos dez anos a estudar sobre vulnerabilidade, coragem, autenticidade e vergonha. Tudo para dar resposta às questões de como abraçar as nossas vulnerabilidades e falhas para que as nossas vidas sejam lugares de autenticidade e dignidade? Como cultivar a coragem, compaixão e relações? ver mais em http://www.ted.com/speakers/brene_brown.html

5 comentários:

Carlos Ricardo Soares disse...

João Brandão,

obrigado e parabéns pelas palavras de sabedoria.
Até no modo como olhamos (os outros ou nós próprios)devemos ser caridosos.
Abraço

Anónimo disse...

Parabéns pela selecção.

No entanto o mais importante parece ser: o acreditar que somos bons, o acreditar que somos merecedores de coisas boas mesmo que no passado tenham existido dúvidas.

E não deixar que o medo e a vergonha domine as nossas vidas.

Cordiais saudações,

João Brandão,sj disse...

Olá, Carlos Soares e @Anónimo,

Obrigado pelas vossas partilhas!
Somos uma humanidade com sentido de pertença e com vontade de amar, que bom!

Aceitar e acreditar o verdadeiro ser que somos e não tanto acreditar num fictício. E somos bons pelas fraquezas que temos, é nisso que somos bons. Quando reconhecemos que somos mais que as nossas fraquezas e que convivemos com elas, fazendo das nossas vidas melhores lugares de beleza, que nos permite afastar o medo e a vergonha nas relações.
Isto muda o nosso olhar para o mundo, para os outros e para nós, tal como o Carlos dizia, mais caridosos, no verdadeiro sentido da palavra, a caridade que vem de Agapé.

Abraço
João

Carlos Ricardo Soares disse...

João
e
Anónimo,

parece-me bem acrescentar que tenho de memória, muito vaga, aliás, ter lido, algures, a ideia de sermos caridosos no modo como olhamos, atribuída a S.Francisco de Assis.
Abraço

Cecilia disse...

Para mim, o caminho não é amar as fragilidades! O Caminho é amar-me admitindo os meus erros e fragilidades porque só assim poderei atingir uma liberdade que me torna maior que os meus erros e fragilidades. Porque os conheço, posso tentar evitá-los cada vez mais, sabendo que nunca deixarei de os ter. Errar é normal...até escolher o erro é normal, reconhecer o erro é corajoso, amar o erro é mentira! É bom ter vergonha quando erro, é bom que me corrija quanto erro, é bom que me ame quando erro e é óptimo que me afaste do erro. Gostei muito da conferência, já tinha visto e comentado nos Toques de Deus mas não é a vulnerabilidade que devo amar. Eu é quem devo amar, conhecendo a minha fraqueza e vulnerabilidade porque só assim a posso entregar a Deus para que seja vencida! Depois, serei talvez capaz de amar alguém mas pertencer...? Só a Deus!