19 de janeiro de 2011

… para além do ódio e do preconceito.


Celebramos hoje a memória dos beatos mártires da Companhia de Jesus que morreram pela fé católica após a divisão dos cristãos no séc. XVI: Tiago Sales e Guilherme Saultemouche a 7 de Fevereiro em França, beatificados por Pio XI em 1962; Inácio de Azevedo a 15 de Julho de 1570 e trinta e nove companheiros seus a 15 e 16 de Julho de 1570, na viagem marítima para o Brasil, beatificados por Pio IX em 1854. A estes se juntaram os que foram martirizados na Revolução Francesa pela confissão da fé: Tiago Bonnaud a 2 de Setembro de 1792 e vinte e dois companheiros a 2 e 5 de Setembro de 1792 em França, beatificados por Pio XI em 1962; finalmente, José Imbert e João Nicolau Cordier, martirizados respectivamente a 9 de Junho e 30 de Setembro de 1794 e beatificados por João Paulo II em 1995.

Em 1970 dizia o Papa Pauo VI: “O nosso tempo precisa de santos, precisa sobretudo do exemplo daqueles que deram o testemunho supremo do seu amor a Cristo e à sua Igreja; não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos. Estas palavras do Divino Mestre, que se referem primeiramente ao sacrifício que Ele ofereceu na cruz pela salvação dos homens, também se aplica à inumerável seara dos mártires de todos os tempos, tanto dos que sofreram o martírio nas perseguições contra a Igreja nascente, como dos que morreram em tempos mais recentes em perseguições talvez mais dissimuladas, mas nem por isso menos violentas.” (In Homilia proferida na canonização solene dos Beatos Quarenta Mártires de Inglaterra, a 25 de Outubro de 1970: AAS 62 [1970],Pe. António Vieira. 747-748)

No séc. XXI diz-nos o Papa Bento XVI: “De facto é doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal. Noutras regiões, há formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos. Os cristãos são, actualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem frequentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade, da sua fé em Jesus Cristo e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa. Não se pode aceitar nada disto, porque constitui uma ofensa a Deus e à dignidade humana; além disso, é uma ameaça à segurança e à paz e impede a realização de um desenvolvimento humano autêntico e integral.” (In Mensagem de Bento XVI para a celebração do XLIV Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 2011)

Mesmo que possa ser difícil compreender, aceitar, que existam homens e mulheres dispostos a dar a vida pelo outro, isso talvez não deva ser motivo para deixarmos de questionar como é que, ao mesmo tempo que se apregoa “em alto e bom som” o desejo, a necessidade, de progresso num mundo que deve ser pluralista, se continuam a perpetrar ataques contra “... a realização de um desenvolvimento humano autêntico e integral.”, sinal de um retrocesso alicerçado no ódio e no preconceito. Estas perguntas deveriam levar-nos mais além…

1 comentário:

Anónimo disse...

"um retrocesso alicerçado no ódio e no preconceito."

Os Sarracenos são impuros...

Os pagões são ignorantes...

Os Romanos são violentes e injustos...