9 de fevereiro de 2011

Economia de Comunhão - Parte I


E se se pusesse em causa as bases que sustentam a actual ciência económica?
E se surgisse uma nova forma de entender a economia?


Estas seriam perguntas legítimas que poderiam ser feitas no rescaldo da constatação do fracasso dos actuais modelos económicos mundiais.

Antes de avançar com a reflexão propriamente dita é necessário começar por entender algumas das bases que sustentam a teoria económica. Muito
sucintamente e do modo mais simples possível, apresento-as nos seguintes items:
  • A ciência económica versa sobre o estudo dos comportamentos dos agentes económicos (homo oeconomicos);

  • O homo oeconomicos caracteriza-se por ser autónomo, fazer escolhas racionais com o intuito de tirar o maior proveito possível entre duas ou mais opções;

  • A economia de mercado procura o ponto de equilíbrio entre a melhor oferta e a melhor procura, isto é, a solução optimizada onde cada agente procura retirar o maior proveito possível.


A ciência económica, entendida como uma área autónoma, teve os seus inícios com Adam Smith (1723-1790). Este economista escocês afirmou que “não é da benevolência do padeiro, do talhante ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover o seu auto-interesse”. Com este pensamento, Adam Smith deu o tom que está na base do desenvolvimento da ciência económica até aos dias de hoje.

Será que esta afirmação é indiscutível? Será esta concepção de homem a melhor que a economia tem para propor ao mundo contemporâneo? O homo oeoconomicos exprime uma f
orma justa de viver? Quando procuro apenas o meu próprio interesse estou a fazer a melhor opção?

É embaraços
o para a economia explicar que 850 milhões de pessoas no mundo ainda carecem de uma alimentação suficiente para satisfazer as suas necessidades calóricas básicas ou que 1.2 mil milhões de pessoas por todo o mundo vivam com menos de 1.25 dólar por dia (pobreza extrema)1.
Perante tais desigualdades mundiais, que provocam situações de pobreza extrema, surgiu há quase 30 anos uma proposta de um novo paradigma na economia. Um novo paradigma que assenta numa nova cultura: a cultura do dar.

(continua…)



1 Dados Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM)

2 comentários:

Anónimo disse...

Um dos grandes filósofos da actualidade, Peter Singer, luta por essa cultura do dar...

Anónimo disse...

Parabéns!
É uma pergunta muito importante.
No entanto parece que há muitas propostas semelhantes sem definições claras...

Economia social...
Economia cooperativa...
Economia sustentável...

http://www.ted.com/talks/rachel_botsman_the_case_for_collaborative_consumptio

qual a oponião?

Cordiais saudações,