24 de fevereiro de 2011

O MAGIS por quem o viveu



Alberto Fernández é jesuíta. É espanhol, fez o Noviciado em San Sebastián e, agora, estuda Filosofia em Braga. Antes de entrar na Companhia de Jesus, participou no MAGIS2005, em Colónia. Pedi-lhe que me dissesse o que foi essa experiência. Aqui está.

O que é o MAGIS?

Ordenhar umas vacas. Recolher o lúpulo. Envernizar umas cadeiras. Perder-se numa floresta de bétulas. Banhar-se no rio. Cheirar a fumo. Não por acaso, mas sabendo encontrar Deus. Reparar na Sua presença na Natureza, aprendendo a desenvolver uma sensibilidade que não ignore o valor do que acontece ao nosso arredor. Estas tarefas todas formam parte do quotidiano em Wilwerwiltz, aldeia diminuta no topo duma montanha luxemburguesa. E durante uma semana tornaram-se a dedicação e cuidado duma turma de universitários. Espanhóis, taiwaneses e polacos formavam esta turma. O ambiente de entendimento e colaboração reflectia um Deus que verdadeiramente agia nas motivações de todos estes jovens. Aconteceu no verão de 2005. Assim foi o MAGIS que eu vivi, pois há muitos…

O que te levou a participar no MAGIS2005, em Colónia?

Não foi uma loucura, mas sim uma aventura. Eu pertencia a um grupo de jovens cristãos vinculados ao trabalho pastoral dos jesuítas na minha cidade [Valladolid]. Ouvimos falar em “algo grande que estava a ser preparado” para aquele mês de Agosto. Informámo-nos antes de pagar, com certeza, mas sempre com o intuito de que o que lá ia acontecer, nesse intrigante MAGIS, ultrapassaria toda perspectiva que nós levássemos. E assim aconteceu. Cada um de nós era muito consciente de que esta oportunidade parecia feita para nós. E também de que dificilmente voltaria. Resolvemos arriscar… E ainda bem! Só agora é que podemos avaliar os benefícios de aquela decisão. Olhamos para aquelas semanas com carinho. Mas também para o futuro, sabendo que a oportunidade regressa para outros muitos a aproveitarem.

O que é que mais te marcou na experiência MAGIS?

O que mais? Como é possível viver a internacionalidade da fé! Não se esgota esta experiência no meu costume de oração, nem nas actividades concretas do meu grupo de referência, nem sequer na forma como na minha região se louva Deus… Não. Este sentimento de fraternidade envolve o mundo, e nele moram imensos jovens cristãos. A sério, realmente muitos!. Nas muitas cidades de Europa por onde passei graças a este MAGIS encontrei variedade. Falava-se o agradecimento em múltiplas línguas, os ritmos das músicas cheiravam a riqueza cultural, os traços físicos delatavam uma Palavra ouvida por cada um sem distinção, as bandeiras ondeadas devolviam o colorido ao mundo. As diferenças de origem eram espantosas. Porém, havia algo ainda mais impressionante. Era Cristo quem convocava. Sua figura e sua mensagem faziam-se encontro e vida no entusiasmo de tantos naquele MAGIS.

Onde está o Magis de S. Inácio no MAGIS?

Santo Inácio não se conformava. Nem na procura da vontade de Deus para a sua caminhada, nem na forma como melhor falar do Cristo companheiro aos seus contemporâneos. O MAGIS também não. Não se conforma. Sempre está a procura do maior e melhor interesse dos seus utentes. Desta vez, aqueles três mil no mundo que já marcaram este sono comum na sua agenda de verão. Mais uma vez, simplesmente surpreenderá…

Como é que o MAGIS ajuda alguém a ser Mais?

O MAGIS pensou nas pessoas antes de se pensar a si próprio. Ou seja, pretende apenas oferecer aquilo que mais aproveitará à vida de cada um. Não é nada um esquema fechado que receba os seus utentes, mas uma experiência que vai ao encontro das necessidades reais dos crentes de menos idade. Necessidades de oração. Necessidade de compreender o que acontece. Necessidade de encontrar o sentido do dia a dia. Necessidade de alegria no partilhar. Necessidade de aprender a viver sem esquecer amar e servir. Necessidade de uma fé fresca. Necessidade de agradecer, pois não existe quem não tenha motivos.

E eu agradeço ter formado parte.

Pude experimentar isto em 2005, e assim será neste 2011.

Não duvido.

MAGIS traz proveito.

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