30 de março de 2011

Brota proveito no equilíbrio!

O sentimento deixa-me descansado. A razão não me exige explicação.

Ainda que a imagem seja esquisita, olho para ela e encontro algo de coerente.



Não sei muito bem o que é, e por isso continuo a escrever.



Sou incapaz de perceber se sopra o vento mas, mesmo assim, deduzo que as folhas não se poderiam mexer à vontade se não fosse graças à solidez conferida pelo tronco. Um tronco inesperado e provocativo, dado que não é seiva o que corre pelo seu peito de cortiça, mas um bloco compacto de mármore. Robusto, sem dúvida.



Um achado assim no meio do relvado tornar-se-ia um autêntico absurdo, se não fosse porque a sua consistência propicia a vitalidade dos ramos que nascem a partir dele.



Detecto logo uma reciprocidade entre estes dois elementos. Não consigo distinguir em que ponto se produz o intercâmbio de qualidades mas, antes de mais, fico convencido de que esta simbiose é eficaz.



Um pensamento espontâneo demonstra-me que não estou demasiado enganado, dado que nenhuma destas duas partes seria capaz de subsistir na sua independência. A copa frondosa precisa da coluna estável. A coluna estável precisa da copa frondosa. Se não, a primeira murcharia. Se não, a segunda perderia a sua eficácia.



Este conjunto amável na sua funcionalidade ultrapassa todo o escrúpulo estético.



Mas deixem-me tirar algum proveito deste entretenimento gráfico e informático.



Estou consciente do risco de abusar da minha subjectividade. Também de interpretar a imagem demais onde simplesmente se encontra um insulto engraçado à Natureza vegetal.



A coluna é a tradição, o resto da árvore é o progresso. Vêm-me à mente mais alguns pares de conceitos aplicáveis às reacções após considerar esta imagem. Estou a ver o conhecimento descoberto durante séculos e as inúmeras possibilidades actuais, a sabedoria do passado e os desafios do futuro, o peso do consistente e a ligeireza do passageiro, as histórias das sociedades e a sociedade perante a História.



Pode-se aplicar a estas deduções o lido até este momento.



Haverá quem sinta a necessidade de refugiar-se nas seguranças da pedra e haverá quem prefira a agilidade das folhas quase livres no ar.



Cada pessoa possui um feitio, e este feitio aproxima-se inevitavelmente para uma das duas partes do nosso objecto, quer para a cinzenta quer para a verde. Mas, não só acontece isto com os feitios, mas também com as ideologias, com as escalas de valores, com os gostos vitais, com as perspectivas críticas, com a atitude perante o desconhecido…



Sendo bastante consciente da perigosidade do extremismo, eu não duvidaria em fazer o esforço de encontrar a opção equilibrada. No nosso caso, tratar-se-ia desse ponto de confluência entre a rigidez que sobe do chão e a frescura que acaricia as nuvens.



Saber encontrar o coração deste convívio pacífico garante que sejamos capazes de apreender na vida sem esquecer o que já nos ensinaram, de nos adentrar nos anos que virão sem deixar de valorizar os que já não voltarão, de observar o vindouro com esperança sem desprestigiar o que aparece no canto do olho.



Dedicar uns parágrafos sugestivos a esta imagem não é fácil.



Conviver na relatividade do presente também não.



Mas é aqui que vivemos, e é com esta realidade que lidamos.



Antes de acabar, sou eu agora quem propõe uma imagem irreal, impossível.



Experimentem trocar a posição desta coluna e desta copa sem mudar o seu chão e o seu céu.



Razoável?


Não sofre o sentimento?

4 comentários:

Anónimo disse...

"Sou incapaz de perceber"

Mas fez mais do que simples percepção, concebeu... Sim, acreditem que são capazes de perceber...

"Saber encontrar o coração deste convívio pacífico garante que sejamos capazes de apreender na vida sem esquecer o que já nos ensinaram"

Mas para apreender ou aprender com base tão sólida temos de desmontar o que nos tentaram ensinar...

O que penso que sei?
quem quis que eu soubesse?
Porque quis que eu soubesse?
O que ganha por eu saber?
É coerente com a história?
Foi verificado de forma independente?
Afinal o que qual é a verdade?

Eis uma bonita prova que a imaginação do homem é capaz de criar coisas que tendem para a perfeição e no entanto não existem para além do seu testemunho verbal, espiritual ou artístico...

Anónimo disse...

E a árvore está sozinha...
Ou tem flores masculinas e femeninas ou morrerá infertil e sozinha...

Porque têm medo da conjugalidade?
Que palavra feia... colocar o jugo (canga (de bois), Junta de bois, espécie de forca por baixo da qual desfilavam (perante os Romanos) os inimigos vencidos.

Um jugo de união, para o conjunto...

Com jugo lidade

ConJugal = CONJUNTO + JUGO

Por isso usam o celibato onde não há conjugalidade... mas liberdade de sexo...

E a máscara da árvore solitária, como uma bicha parasita, acaba por cair...

Anónimo disse...

O mais ineteressante é a imagem do mestre e do aprendiz... muito comum na igreja... realmente uma conjugalidade e com muita canga...

Anónimo disse...

Interessante e não ineteressante