15 de março de 2011

Escolher a Vida

Oprah Winfrey é das apresentadoras mais conhecidas em todo o mundo: a sua história é conhecida de muita gente; nos EUA, o seu programa cria tendências e modas, torna anónimos em celebridades, é capaz de angariar milhões para uma causa de solidariedade.

A vida religiosa não está na moda: ou é um desgosto de amor, ou fuga da vida, ou gente retrógrada, conservadora e alheada da realidade do mundo.

Oprah quis saber por que razão há mulheres que “trocam” o glamour das roupas e das festas, uma carreira executiva prometedora, uma vida sexual activa, por uma vida aparentemente desprovida de sentido. Encontrou no convento das Irmãs Dominicanas de Maria, em Detroit, cem mulheres alegres, cheias de vida, cuja resposta para a felicidade é Jesus.

Aqui está a entrevista e a reportagem. Oprah faz as perguntas que muita gente faz ou gostava de fazer, sem tabus. Viver a castidade, a obediência, a pobreza como uma escolha livre, uma entrega radical a Jesus, que se reflecte – e só pode ser assim – na entrega gratuita aos outros.

10 comentários:

Anónimo disse...

O estranho é que convocam para um tipo de vida que depois se remete ao silêncio.

Comecei por ler este Blog, tinha vida e comentários.

Agora, existe o silêncio.

Parece que existe o receio do comentário ser comentado. Parece que afinal expor as nossas visões, podem revelar fragilidades e questões pessoais e/ou institucionais.

Parece que existe o comentário orientador e moderador, deixando a mutação, a paixão esquecida.

mutatis mutandis

A crise leva ao aparecimento destas opções de vida. a pobresa leva ao aparecimento destas opções de vida. Problemas amorosos e emocionais levam ao aparecimento destas opções de vida.

Na verdade só é uma opção porque "alguém" o deseja. Na verdade só é uma opção porque "alguém" ganha:
O trabalho dessas vidas, o tempo dessas vidas... em última análise a alma dessas vidas...

E esse "alguém" fica com o recurso tempo disponível para...

manel disse...

Caro anónimo,

Obrigado pelo seu comentário.

A mutação deste blog é também sentida por nós. Porém, acho que, mais do que medo de expôr as fragilidades, se trata mais de, nos últimos tempos, o conteudo publicado ser mais de ordem devocianal do que filosófica. Na segunda-feira passada tivemos uma reunião sobre isso é asseguro-lhe que não foi um desisteresse, mas uma deriva editorial não intencional.

Por isso, deixo-lhe aqui o repto de sugerir temas/ argumentos interessantes sobre os quais poderiamos dialogar.

Respondendo à sua segunda ideia - segundo a qual a vida religiosa é uma fuga das dificuldades terrenas. Gostava de argumentar que abdicar de mulher, dinheiro próprio e autonomia são preços muito caros para pagar pela estabilidade. Mesmo que alguém faça essa negociata, não acredito que aguente muito tempo sem use sentir angustiado, defraudado e infeliz. Por isso me parece que a felicidade das irmãs deste video, como a felicidade de muitos religiosos e religiosas que conheço, são um sinal objectivo que contraria a sua sugestão.


Mais uma vez obrigado pela sua interveção contrutiva!

saudações,
manel

Nuno disse...

Acho importante divulgar este testemunho no programa da Oprah.

Anónimo disse...

Respondendo ao repto:

Que protocolo poderá ser sugerido para compreender e observar a realidade? O que é a realidade? Qual é a realidade? Qual foi a realidade?

Ex: Sem tabus: Como na matemética é fácil contar tendo definidos os números naturais... 1,2,3... mas o zero (0) envolve a capacidade de abstracção; O que devia lá estar e não está?

Assim é possível perguntar sobre masturbação. Que sentimento?
Que realidade?

Também será possível perguntar sobre auto-ilusão, auto-mentira...
Como é que abdicar da perpetuação da própria família é ultrapassada com o conceito de visão holística do ser humano? Não é a própria negação do ser vivo?

Que protocolo poderá ser sugerido para compreender e observar a realidade? O que é a realidade? Qual é a realidade? Qual foi a realidade?

Anónimo disse...

Sem tabus?

Pois...

Parece que a masturbação ainda é um tabu..

manel disse...

Caro anónimo,

Achei o seu repto ininteligível, por isso não pude responder...

agora você fala da masturbação, mas o quê, em concreto, o leva a sugeri-la como tema? O que encontra como interessante no tema da masturbação?
É o seu valor ético? Se é lícita, aconselhável ou Defendida?
É a sua dimensão fisiológica?

Se só escreve uma palavra solta, nem eu, nem ninguém, consegue perceber o que diz.


saudações

Anónimo disse...

Caro Manel,

"Assim é possível perguntar sobre masturbação.
Que sentimento?
Que realidade?"

Que sentimentos levanta a masturbação?

Qual a realidade da masturbação entre as "irmãs"?

Mas como perguntou e bem há mais questões levantadas pela única palavra: masturbação.

Qual o seu valor ético?

Se é lícita?

Se é aconselhável ou Defendida?

Qual a sua dimensão fisiológica?

algo mais provocatório seria perguntar se não é considerado sexo como o coelho não é considerado carne (ou não era) para a alimentação da quaresma... mas não o vou fazer.

saudações,

Anónimo disse...

Pois, eu também sou surdo quando a conversa não me interessa.

E eu sou cego quando não gosto do que vejo.

E há os que não percebem quando não lhes interessa responder...

"ah, e tal... eu até queria responder e tal... mas não percebi... era um repto ininteligível..."

há sempre os que falam, falam, falam e não dizem nada!

paulo,sj disse...

Olá a todos!!

Com tanto "anónimo" às tantas não se sabe se é uma pessoas, se são duas. De facto, posso inventar um nome e ficaria anónimo à mesma. No entanto, o nomear algo ou alguém ajuda a um mínimo de identificação. As ideias já podem ser uma identificação, mas se andamos todos à volta da(s) mesma(s) perde-se o sentido de identidade de quem (as) escreve.

Ao ler o primeiro comentário fico a pensar se a partir do silêncio não se poderia já dizer algo. A existência de silêncio já é uma forma de comunicação... e não me parece que, neste caso, seja para dizer que há medo ou receio para tratar seja do que for (pois noutros casos, pode ser que sim, que silêncio sirva para comunicar medo).

Sobre a vida religiosa: falando de mim... Eu não estava em qualquer tipo de crise económica, afectiva quando decidi entrar para a vida religiosa. Estava numa crise existencial, sim, para buscar em que é que poderia dar mais e melhor de mim aos outros. Poderia ser um óptimo voluntário, casado e pai de filhos, com um trabalho que gostava muito. No entanto, após uma decisão, em que o factor frustração não esteve presente, acabei por entrar na vida religiosa. Não sei se sou mais feliz se estivesse casado, o que sei é que sou feliz.

O grande perigo da comparação leva a isso mesmo, a achar que ali é que seria bom... Da pouca experiência que tenho, apercebo-me que em todo o modo de vida há inquietações que levam a questionamentos sérios. E que bom que isso acontece? A crise é isso mesmo, levar a um cruzar de caminhos e ter de pensar, discernir, ir em busca da profundidade de quem sou dentro da realidade que me circunda para dar o meu melhor... Será fácil? Por vezes não é. No entanto, a fé (palavra tão chata por vezes), ajuda a perceber que a questão da facilidade pode ser paradoxal, terrivelmente paradoxal. Ou seja, quando menos se espera, dentro da dificuldade há um alento que não vem da própria pessoa, mas da confiança e abandono que põe num mais além quase indefinível. Digo quase, pois para mim, crente e Cristão, não tenho qualquer problema em chamar de Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo.

Caro Anónimo,

Coloca uma série de questões para se aprofundar. Em relação a algumas pergunto-me se será possível fazê-lo num blog, em que, nos dias que correm, um texto ou um comentário com mais de 100 ou 200 palavras já é muito. É verdade que se pode dizer muito em muito pouco, como na poesia, por exemplo. Mas tratando-se de questões como o "o que é a realidade?" ou o "a ilusão, auto-mentira", etc, parece-me que nos teríamos de alongar mais do que as tais 100 palavras.

Bem, e sobre a masturbação há muito que se lhe diga. E não considero tabu. Mas de mim se assim fosse. É um tema que há que tratar com a seriedade que se lhe deve dar. Não se resumir a um simples tema para abanar-as-mentes-e-corações-dos-religiosos-que-ficam-nervosos-por-se-falar-na-"m-a-s-t-u-r-b-a-ç-ã-o".

Percebo que se coloquem estas questões, mas também é bom ajudar a perceber (sem qualquer acto de presunção) que ser religioso, ou crente, até mesmo a Igreja, não se reduzem à questão da genitalidade. Há muito afecto, muita sexualidade, mas que vai mais além dos genitais e dos prazeres naturais que os mesmos podem dar...

Bem, corro o risco de ser daquele que "falam, falam e não dizem nada". Por isso, se está interessado sobre o tema posso-lhe aconselhar uma série de referências bibliográficas ao nível psicológico, teológico, biológico.

Agora se quer que aqui se diga:
"A masturbação é um acto do demónio e quem a pratica fica cego e depois arderá para todo o sempre", pronto já está dito. (Mas, com a ressalva que não é a opinião vigente, nem minha, nem, atrevo-me a dizer, de quem escreve no blog).

Peço desculpa se o tom geral pode parecer irónico, não o pretendia.

Cumprimentos,
Paulo,sj

Anónimo disse...

Caro Paulo,

Parabéns pelo seu humor...

"A masturbação é um acto do demónio e quem a pratica fica cego e depois arderá para todo o sempre"

É fisiológico e dominante nas vidas de pessoas saudáveis porque essencial para a perpetuação da vida.

Mesmo quem resiste acaba por ter orgasmos espontâneos.

O normal é que sabendo tão bem, a prática seja muito mais generalizada... e as meninas com orgãos "mais em conta" não são facilmente apanhadas em flagrante... mas acontece...

Claro que não é sexo... como o coelho não é carne...

cumprimentos,