26 de março de 2011

Portugal também precisa de um "Átrio dos Gentios"

O responsável pela relação da Igreja católica com a cultura, padre José Tolentino Mendonça, considera que Portugal também precisa de um “Átrio dos Gentios”, designação dada ao novo organismo do Vaticano para o diálogo com os não crentes.

«É necessário introduzir a dinâmica do projeto nas dinâmicas das dioceses, movimentos e realidades eclesiais, porque ele constitui um desafio urgente de abertura e diálogo», afirmou em declarações à Agência Ecclesia.

O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura sublinha que em Portugal se têm realizado experiências concretas, «extremamente fecundas em determinados momentos», de diálogo entre crentes e não crentes.

Referindo-se ao primeiro encontro internacional da estrutura da Santa Sé, que decorre em Paris, Tolentino Mendonça defende que «é preciso substituir o confronto pelo encontro e diálogo».

«O grande desafio é dizer “busquemos conjuntamente”: em vez de vivermos numa cultura de acusação mútua e de suspeição recíproca, confiemos uns nos outros, acreditando que os agnósticos, ateus e não crentes também buscam um sentido da vida e têm muito a ensinar aos crentes».

A espiritualidade dos católicos, por seu lado, pode ser avaliada como «uma experiência humana legítima, aceite e reconhecida fora das fronteiras da crença», sugere o sacerdote madeirense.

No entender do responsável, as iniciativas que decorrem na capital francesa «são o reflexo do esforço de encontro e diálogo que a Igreja pretende promover com o mundo contemporâneo, onde a presença dos não crentes é uma realidade muito forte».

Tolentino Mendonça recorda que «o modelo de entendimento da relação da Igreja com o mundo já está estabelecido» desde o Concílio Vaticano II (1962-1965).

«O que falta – salienta – é a ousadia da prática, de uma forma criativa, através das instâncias culturais, que são o elo comum entre crentes e não crentes», dado que «a gramática cultural» constitui «um lugar de encontro para as grandes procuras humanas».

«Basta olhar para o programa de Paris para verificar que temos a utilização de linguagens muito diferentes: as conferências e mesas-redondas, mas também as peças de teatro, a música e o audiovisual», assinala.

O especialista em hebraico diz que «a imagem do mestre que conversa com os estrangeiros», como acontecia no “Pátio dos Gentios” localizado no templo de Jerusalém, o local mais importante do culto judaico ao tempo de Jesus, traduz a «disponibilidade para a conversa, o caminho comum, a escuta e a aprendizagem» que a Igreja «quer recuperar para relançar uma nova atitude».

«A Igreja não é apenas ensino; ela também precisa de aprender a verdade do outro, como lembrou Bento XVI no Centro Cultural de Belém» [Lisboa, 12 de maio de 2010], frisa Tolentino Mendonça.

[Texto de Rui Martins In Agência Ecclesia]

5 comentários:

Anónimo disse...

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”. (Mateus 11.28-30)

“A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai”. (Mateus 10.5-8)

Jugo:
Peça de madeira, em geral pesada, criada para encaixar-se por cima do pescoço de dois animais (em geral dois bois) e ligada a um arado ou a um carro. Figura da escravidão e da opressão;

Como é que Cristo quer manter a imagem de um jugo?

E querem mesmo chamar gentios a quem aceitar falar com vigários sem provas de representação?

Anónimo disse...

Eh, Eh, Eh...

Gostava muito de ver os vigários a:

"[...]ressuscitai mortos, [...], expeli demônios; [...]"

Parece uma boa prova de representação para os vigários... ressuscitai mortos e eu acredito...

Mas os sábios podem confirmar...

Anónimo disse...

Bom parece que nestes textos Mateus já tem palavras dos Romanos na boca será um texto perto do ano 400?

A alternativa é que Mateus e o Próprio Cristo são mesmo carne de Roma... Calígula?

jugo, uma espécie de forca por baixo da qual desfilavam, perante os Romanos, os inimigos vencidos.

Quem aceitar um jugo ainda que leve é um sinal de submissão.

Anónimo disse...

O mais ineteressante é a imagem do mestre e do aprendiz... muito comum na igreja... realmente uma conjugalidade e com muita canga...

Anónimo disse...

Como a gralha pode ter signifcado diferente do pretendido... quero confirmar que queria dizer... interessante e não ineteressante.